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	<title>Arquivos Novoestilo &#8226; Cultura Nordestina</title>
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	<description>Letras &#38; Artes</description>
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	<title>Arquivos Novoestilo &#8226; Cultura Nordestina</title>
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		<title>Carta de Paulino Fernandes a Clarice Lispector</title>
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		<dc:creator><![CDATA[cultur55_wp]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 11 Dec 2020 13:20:39 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[II Coletânea de memórias]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Novoestilo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>II COLETÂNEA DE MEMÓRIAS CARTA A CLARICE LISPECTOR &#160; Recife, novembro de 2020 Clarice Lispector, Escrevo-te esta carta para contar um pouco de como estamos vivendo, mais de 43 depois que mudaste. Logo depois de sete anos, experimentamos uma retomada da vida democrática no País. Sabemos o quanto isso importou em tua produção literária, pois [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><strong>II COLETÂNEA DE MEMÓRIAS CARTA A CLARICE LISPECTOR<br />
</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Recife, novembro de 2020</p>
<p>Clarice Lispector,</p>
<p>Escrevo-te esta carta para contar um pouco de como estamos vivendo, mais de 43 depois que mudaste. Logo depois de sete anos, experimentamos uma retomada da vida democrática no País. Sabemos o quanto isso importou em tua produção literária, pois nas duas últimas décadas, em que estiveras aqui entre nós, não tínhamos tanta liberdade de expressão e de manifestação de pensamento. E o tempo se passou. Revendo aquela última entrevista que deste para a TV Cultura, em princípio parecia que tudo tinha chegado ao fim. “Só que não” (para usar aqui uma expressão da juventude, público confesso que tanto se identifica com a tua escrita, como afirmaras). Conclui que nem imaginarias que o legado literário, àquela altura de 1977, já estava plantado para uma infindável posteridade literária. E tenho boas notícias. Começo pela honraria que Pernambuco te concedeu agora, no mês de agosto, com o título de “<em>Patrona da Literatura Pernambucana</em>”. Já conferi aqui, no Diário Oficial. Sei que o reconhecimento poderia ter vindo antes, mas nesse caso, acho que é valido aquele adágio popular “Antes tarde do que nunca”. Só que as homenagens e as lembranças da contribuição literária não pararam por aí. Há um Projeto para restauração daquela Casa em que viveste aqui, na Praça Maciel Pinheiro. Pretende-se lá instalar um Centro Cultural, que possa perpetuar tua memória literária. Vou tentar acompanhar tudo o que puder, mas já adianto que a FUNDAJ, junto ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, deu os primeiros passos, com o Edital. E os jornais estão anunciando essas e outras boas novas, especialmente neste ano de celebração de teu centenário. Tem mais: ainda por iniciativa da Fundação Joaquim Nabuco, a Assembleia Legislativa do Estado  te concedera o título honorífico de “<em>cidadã pernambucana</em>”. Podes agora abrir o sorriso, Clarice: o ano de 2020 é teu. Aqui e lá fora. E o Recife está todo em ti, como afirmaras, antes de alçar vôo para o plano superior dos gênios.</p>
<p>Alegro-me muito em te contar essas boas novas, principalmente, porque estamos atravessando um ano tão difícil por aqui, hein? Que nem te falo. Ao menos por enquanto, não vou deixar que os contratempos que estamos suportando, com a chegada de uma Peste indesejável, ofusque a alegria de comemorar o lado bom deste ano, que é o teu aniversário. Quero falar de coisas boas, nem que pareça aos demais que fui acometido pela ingenuidade da Macabéa. A propósito, quando releio “A hora da estrela”, não me contenho, com as falas engraçadas e o modo de ser desta personagem que criaste. E quando assisto ao filme também, viu? Ou deveria dizer, como o Recifense: “visse”? Afinal, assim como tu, não vim de tão longe, como a Ucrânia, embora de mais perto, que é o Ceará. No entanto, já me sinto em casa e, como tal, assimilei as expressões dessa gente tão acolhedora.</p>
<p>Ainda sobre “A hora da estrela, Clarice, a adaptação de tua novela, para o Cinema, ficou ótima. Tanto que a premiação foi fatal, com o Urso de prata em Berlim, para a Atriz Marcélia Cartaxo, que se imergiu, completamente, na pele da personagem. Afinal quem não se esmeraria tanto, para corresponder à criação literária advinda de ti, Clarice? Parafraseando aqui Saint Exupèry: “Tu te tornas responsável por tudo aquilo que cativas”. E como nos cativaste, “visse?”</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>PAULINO FERNANDES DE LIMA é natural de Sobral, Ceará, nascido em 6 de janeiro de 1974. Bacharelou-se em Direito, na Universidade de Fortaleza (UNIFOR), em 1999. Pós-graduado em Direito processual penal (UNIFOR, 2000); em Estudos literários e culturais (UFC) e concluiu o Mestrado em Letras, na Universidade Federal do Ceará (UFC), em 2006. Aprovado no primeiro concurso (2016) para Defensor público do Estado de Pernambuco, tomou posse em 2010. No magistério de ensino superior, leciona as disciplinas de Direito penal e Constitucional, além de “Redação técnico-jurídica”, Curso que criou, desde seu magistério na Universidade de Fortaleza. Colabora na imprensa, com artigos que abordam temas jurídicos e afins. Criador e apresentador do programa de rádio “Educação e cidadania em pauta”, por também possuir o Curso de locução e apresentação de rádio e TV. Escreve também sobre a “Sétima Arte”, possuindo o Curso de Crítico de Cinema. Autor do livro &#8220;Reflexões de um defensor público &amp; outros temas&#8221;, editado pela Novoestilo Edições do Autor em 2020.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Acesse o Edital de participação da Coletânea Cartas a Clarice Lispector</p>
<p><a href="https://webapp416285.ip-173-255-206-73.cloudezapp.io/ii-coletanea-de-memorias-cartas-a-clarice-lispector/">https://webapp416285.ip-173-255-206-73.cloudezapp.io/ii-coletanea-de-memorias-cartas-a-clarice-lispector/</a></p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Carta de Taciana Valença a Clarice Lispector</title>
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		<dc:creator><![CDATA[cultur55_wp]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 11 Dec 2020 12:55:42 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[II Coletânea de memórias]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Novoestilo]]></category>
		<category><![CDATA[clarice lispector]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>II COLETÂNEA DE MEMÓRIAS &#8211; CARTAS A CLARICE LISPECTOR &#160; Recife, 1º de setembro de 2020 &#160; Clarice, querida: Hoje novamente senti aquela sensação. Uma sensação de vazio, da falta de algo que passa próximo, mas não chega. Como o vendedor de cuscuz, daquele que gosto, com leite de coco, e que só serve se [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>II COLETÂNEA DE MEMÓRIAS &#8211; CARTAS A CLARICE LISPECTOR</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Recife, 1º de setembro de 2020</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Clarice, querida:</p>
<p>Hoje novamente senti aquela sensação. Uma sensação de vazio, da falta de algo que passa próximo, mas não chega. Como o vendedor de cuscuz, daquele que gosto, com leite de coco, e que só serve se for o da rua.</p>
<p>Ele apita na esquina de casa e quando corro para chamar, já vai longe&#8230;</p>
<p>Fico na vontade, pensando no próximo dia, na próxima hora, no desejo que, esperançoso, vai dormir embolado na decepção. Mas enfim, era só um cuscuz, só um exemplo. Ninguém vai ficar deprimido por causa de um cuscuz.</p>
<p>Pensando nisso, inevitavelmente, lembrei do seu conto Felicidade clandestina. A ânsia pelo livro e a menina gorda, baixa, de cabelos crespos e ruivos e sardenta fazendo pouco da humildade da colega. A vida às vezes parece com essa menina. Testa nossos limites, nossa paciência, nossa resiliência, enquanto enche seus bolsos do que supostamente preencheria nossos vazios, estes que não se preenchem.</p>
<p>Deus é a livraria, pai de todas as histórias, pai da Vida, e muitas vezes anda muito ocupado para saber o que ela anda fazendo da gente, não é mesmo? São os ratos, Clarice, os ratos&#8230;</p>
<p>Desculpa, remexi em tudo no seu conto. Mas me dá um desconto porque hoje estou no dia de vazio. É que imaginei que se nosso pai nos desse o livro certo seria diferente. Mas ele quer que a gente lute pelo livro que a gente quer ler, pela história que será a nossa, mesmo que para isso tenhamos que nos humilhar perante a Vida.</p>
<p>E nessa história ele não se mete. Ele é o dono da livraria, mas você deve lutar pelo título que escolheu para você. É justo, pelo menos para ele, se não fosse pela Vida, àquela sua filha gorda.</p>
<p>Está bem, está bem, estou confusa, ou talvez, extremamente certa.</p>
<p>Às vezes a gente espera que o dono da livraria nos dê aquele livro bonito de capa dura que tanto desejamos. Então a Vida (a filha sardenta) vem e nos dá um cartão postal da cidade onde moramos. Quer coisa mais sem graça, Clarice? E a gente espera mais, Clarice, bem mais&#8230; Quer saber do propósito, dos porquês, do para que.</p>
<p>É , estou lhe confundindo talvez, mas você já fez tanto isso comigo. Em quantos contos? Em quantos livros? Nunca iremos questionar seus questionamentos, nem mesmo querer saber quem ou o que era G.H ou a Coisa, por exemplo (mas me diz, por favor!).</p>
<p>Escrevi um conto que virou um livro que se chama Sumiço do ovo. E sabe por que? Porque perdi um ovo entre os afazeres domésticos. Claro, lembrei do seu conto O Ovo e a galinha, que você mesma disse não compreender, mas o fez. Portanto, me perdoe se mexi e remexi na confusão dessa clandestina felicidade.</p>
<p>Então hoje, nesse vazio, percebi a Vida sádica e cruel, chupando balas a fazer barulho enquanto não divide com ninguém. E nós, na ânsia de conseguirmos o livro, não percebemos as humilhações que ela nos faz passar.</p>
<p>Vamos todos os dias buscar o livro da Felicidade, que ela prometera emprestar, navegamos na alegria e na esperança e ela não nos dá. Mente, adia&#8230; E olha que é um empréstimo que um dia devolveremos. E ela promete, promete, promete&#8230;. A gente espera, espera, espera&#8230;</p>
<p>Quantos dias seguintes temos que esperar, Clarice? Você sabe, enfim?</p>
<p>Lembra desse trecho do conto? “Ela sabia que era tempo indefinido, enquanto o fel não escorresse todo de seu corpo grosso. Eu já começara a adivinhar que ela me escolhera para eu sofrer, às vezes adivinho. Mas, adivinhando mesmo, às vezes aceito: como se quem quer me fazer sofrer esteja precisando danadamente que eu sofra”.</p>
<p>Pois então, não tenho razão em hoje, dia de vazio, achar que a gorda é a vida? Que batemos todos os dias na porta e ela nega o nosso livro? E mente, diz que emprestou a outra pessoa? E dormimos mal, acordamos segurando a esperança.</p>
<p>Sabe, Clarice, estou aguardando a mãe da Vida chegar e desmascará-la, emprestando enfim o livro que ela tanto escondeu. Quero sair leve e feliz com ele, enfim, em minhas mãos, e ficar por quanto tempo quiser. Já pensou?</p>
<p>Sim, isso é ousar, Clarice, é persistir.</p>
<p>Viu que deixei o pai trabalhar? Que tentei resolver diretamente com a Vida? Sim, sim, não deu muito certo, eu sei, mas a mãe enfim chegou e resolveu tudo.</p>
<p>Mas sabe o que estou pensando? Quem seria a mãe da Vida? E por que depois de conseguir o livro tudo se fez tão tranquilo? Por que sentir-se uma mulher com seu amante? Seria a Morte a mãe da Vida? E o Paraíso seu amante, enfim?</p>
<p>Está bem, Clarice, está bem. Não é nada disso, mas poderia ser, num dia assim, em que o vazio bateu em mim.</p>
<p>Então vamos começar outra vez&#8230;.</p>
<p>Recife, 01 de setembro de 2020</p>
<p>Clarice, querida:</p>
<p>Hoje novamente senti aquela sensação&#8230;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>TACIANA VALENÇA é <em>administradora de empresas por formação (UFPE-1988), assessora literária, árbitra e mediadora de conflitos, massoterapeuta, escritora, compositora, primeira vice-presidente da União Brasileira de Escritores-Recife e produtora cultural. Autora de Malu em Apuros e Especialmente Criança e (Febre (poemas), além de ter participação em diversas antologias. É responsável pelo projeto Conversando Perto de Casa, na Livraria Jaqueira, editora da Revista Perto de Casa, criadora do projeto Navegando em poesias e co-coordenadora do Destaque Literário na Cultura Nordestina Letras &amp; Artes. Links onde podem ser encontrados um pouco dos seus escritos: <a href="http://ensaiandopoesias.blogspot.com/">http://ensaiandopoesias.blogspot.com/</a></em></p>
<p><a href="https://www.recantodasletras.com.br/autor.php?id=27346"><em>https://www.recantodasletras.com.br/autor.php?id=27346</em></a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Acesse o Edital de participação da Coletânea Cartas a Clarice Lispector</p>
<p><a href="https://webapp416285.ip-173-255-206-73.cloudezapp.io/ii-coletanea-de-memorias-cartas-a-clarice-lispector/">https://webapp416285.ip-173-255-206-73.cloudezapp.io/ii-coletanea-de-memorias-cartas-a-clarice-lispector/</a></p>
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		<title>Carta de Eugênia Menezes a Clarice Lispector</title>
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		<dc:creator><![CDATA[cultur55_wp]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 11 Dec 2020 12:50:44 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[II Coletânea de memórias]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Novoestilo]]></category>
		<category><![CDATA[clarice lispector]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>II COLETÂNEA DE MEMÓRIAS &#8211; CARTAS A CLARICE LISPECTOR Poço da Panela, Recife, 27 de agosto de 2020 &#160; Estimada Clarice Apesar de termos estado muito próximas – moramos na mesma cidade –, ouvi muito falar sobre a sua obra. Esta é a primeira vez que nos falamos. Conheço muito o seu trabalho – participo [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><strong>II COLETÂNEA DE MEMÓRIAS &#8211; CARTAS A CLARICE LISPECTOR</strong></p>
<p>Poço da Panela, Recife, 27 de agosto de 2020</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Estimada Clarice</p>
<p>Apesar de termos estado muito próximas – moramos na mesma cidade –, ouvi muito falar sobre a sua obra. Esta é a primeira vez que nos falamos.</p>
<p>Conheço muito o seu trabalho – participo de uma oficina literária com seu nome, comandada por Fátima Quintas, no Ponto de Cultura Nordestina Letras &amp; Artes. Somos ambas escritoras e nos damos muito bem.</p>
<p>Mas o que eu gostaria mesmo era de levá-la até Taperoá, na Paraíba, meu ponto de chegada ao mundo. É um ugar simples, belo (quando chove) e cheio de pessoas interessantes, inteligentes e indispensáveis. Minha família é toda de lá. Quando pequena, eu e um de meus irmãos inventamos uma biblioteca em nossa casa, porque toda vez que eu ganhava um livro chorava, porque as outras crianças não tinham como ter acesso aos livros.</p>
<p>Nossa invenção deu certo (no espaço onde funcionava o lugar de passar roupas). Todo sábado as crianças vinham dos sítios, faziam fila na calçada do jardim e assinavam o livro da responsabilidade. Nunca perdemos um livro.</p>
<p>Outra coisa interessante da minha cidade é uma grande pedra que tem na Fazenda Carnaúba, onde são registrados os feitos de Ariano Suassuna, que é meu primo. Conseguimos um lavrador de pedras no Rio Grande do Norte, que trabalha muito bem. É lá na Carnaúba onde fica a casa taperoarense de Ariano, agora administrada por seu filho Dantas Suassuna. Sempre que vejo a sua casa aqui no Recife, lembro-me de sua pessoa e fico emocionada.</p>
<p>Acho que já li sua obra quase toda, Clarice, e a considero muito boa. É assim como eu a vejo e acolho em meu coração.</p>
<p>Grande abraço.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>EUGÊNIA MENEZES é e<em>scritora</em><em> com treze livros publicados, sendo cinco deles em coautoria. </em><em>É socióloga, trabalhou durante trinta anos na Fundação Joaquim Nabuco – FUNDAJ, onde dirigiu os departamentos de Sociologia, Cultura e Planejamento. É vice-presidente da Rede de Associados Letras &amp; Artes – LETRART, e membro da diretoria da União Brasileira de Escritores – UBE.</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Acesse o Edital de participação da Coletânea Cartas a Clarice Lispector</p>
<p><a href="https://webapp416285.ip-173-255-206-73.cloudezapp.io/ii-coletanea-de-memorias-cartas-a-clarice-lispector/">https://webapp416285.ip-173-255-206-73.cloudezapp.io/ii-coletanea-de-memorias-cartas-a-clarice-lispector/</a></p>
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			</item>
		<item>
		<title>Carta de Bruna Estima Borba a Clarice Lispector</title>
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		<dc:creator><![CDATA[cultur55_wp]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 20 Aug 2020 12:43:12 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[II Coletânea de memórias]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Novoestilo]]></category>
		<category><![CDATA[clarice lispector]]></category>
		<category><![CDATA[coletânea de memórias]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>II COLETÂNEA DE MEMÓRIAS &#8211; CARTAS A CLARICE LISPECTOR Querida Clarice, &#160; Diante de seus tantos atributos, eleger um deles foi o primeiro desafio. Escolhi o que mais admiro: a escrita confessional, o desvelar pensamentos, o extrair de si o que todos escondemos. Parto de &#8220;viver afinal não passava de se aproximar cada vez mais [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h6>II COLETÂNEA DE MEMÓRIAS &#8211; CARTAS A CLARICE LISPECTOR</h6>
<h6></h6>
<h6>Querida Clarice,</h6>
<p>&nbsp;</p>
<p>Diante de seus tantos atributos, eleger um deles foi o primeiro desafio. Escolhi o que mais admiro: a escrita confessional, o desvelar pensamentos, o extrair de si o que todos escondemos. Parto de &#8220;<em>viver afinal não passava de se aproximar cada vez mais da morte</em>&#8220;. Quem não teme a própria finitude? Quem nunca pensou que cada dia que se vive é um dia a menos a se viver?</p>
<p>Sigo citando &#8220;<em>o problema moral em relação aos outros consiste em agir como se deveria agir, e o problema moral consigo mesmo é conseguir sentir o que se deveria sentir</em>&#8220;. Quem não freia instintos? Quem nunca percebeu a distância entre intenção e gesto?</p>
<p>Nada me restando além da boa vontade, pensei em homenageá-la inscrevendo nesta carta alguns títulos seus. Espero que agrade ou, ao menos, que se divirta imaginando quem será essa fã maluca. Eis então:</p>
<p>Como um selvagem afastava-me de quaisquer sentimentos, fantasias e amores, marcado que fora pela tragédia da morte de minha mãe, Laura.</p>
<p>Um dia, ainda não era noite, caminhava pela calçada &#8211; sigo sempre idêntico trajeto, como se vivesse em uma cidade sitiada em que é preciso evitar perigos &#8211; quando um lustre caiu perto de mim. Rápido como um sopro de vida, o objeto se espatifou na calçada a poucos centímetros. Um estilhaço feriu minha mão.  Estanquei o sangue com um lenço e olhei para cima. Estava escuro, era a hora das estrelas.  Consegui ver uma mão que se recolhia fugitiva na janela do terceiro e último andar do prédio decadente daquela rua.  Abaixei-me por curiosidade e apanhei o pedaço que me atingira. O vidro brilhante e grosso mantivera o formato, uma imitação de rosa. Embrulhei-o no lenço e coloquei no bolso.</p>
<p>Prossegui, certo de que chegaria em casa exatamente às dezoito e trinta, como sempre. Seguia a trilha conhecida e não levava mais de trinta minutos entre o escritório e o apartamento. Consultei o relógio. O pequeno acidente havia me atrasado três minutos. Subi as escadas. No terceiro andar procurei a chave. No bolso só havia os restos do lustre em formato de rosa. Teria caído na calçada? Desci para procurar.</p>
<p>Voltei e não encontrei vestígios, nem da chave, nem do lustre. Olhei novamente para o terceiro andar daquele prédio e, para minha surpresa, a mão feminina surgiu. Balançava o chaveiro &#8211; era o meu, não tive dúvidas &#8211; acenando para mim.</p>
<p>Uma legião de espíritos me impulsionava para a entrada daquele edifício. Embora o interior não fosse melhor que sua aparência externa subi as escadas saltando os degraus de dois em dois. Para meu corpo a subida se assemelhava a uma via crucis. Mas meu pensamento me impelia para cima. Pensei ter reconhecido aquela mão. Além disso, o pedaço de vidro em forma de rosa lembrava o pequeno abajur que pertencera a minha mãe. Ficava em sua cabeceira, em seu leito de morte. Empurrado por esses laços de família, cheguei ao último andar, encontrei a porta entreaberta e entrei. Ao contrário do que se poderia esperar a pequena sala escura e úmida cheirava a rosas e o perfume adocicava o ambiente. Tudo me pareceu familiar. Aos poucos fui me adaptando à escuridão e vi a mulher sentada em uma cadeira de balanço de madeira e palhinha, de costas para mim, à frente da janela que permanecera aberta. Ela murmurou algo muito baixo, mas o timbre da voz chegou a mim: feliz aniversário. Uma onda de saudade e prazer percorreu meu corpo. Havia esquecido, fazia quarenta anos naquele dia.</p>
<p>Aproximei-me, seria Laura, minha mãe? Desde seu assassinato há vinte anos a tragédia me queimava como uma água viva. O caso nunca fora esclarecido, talvez latrocínio, talvez crime passional. A imprensa, insensível, publicara que a mulher era conhecida por despertar paixões e felicidades clandestinas.</p>
<p>Senti no bolso o pedaço de vidro ainda embrulhado no lenço e segurei-o em minha mão. Rodeei a cadeira e me postei à sua frente. Não a reconheci de imediato, mas sabia que era ela, muito mais pelas marcas deixadas em torno do pescoço estrangulado que pelos traços envelhecidos. Mãe, vim lhe buscar, disse mostrando o caco de vidro em forma de flor que restara do lustre que ela fizera cair para me avisar de sua presença.</p>
<p>Para meu horror ela gargalhou e levantando-se empurrou-me pela janela. Ia cair, mas consegui me sustentar no peitoril. A mulher se aproximou para mais uma vez me impulsionar para fora. Nesse instante enfiei a flor vitrificada, afiada como uma lâmina, em seu pescoço. O sangue jorrou sobre mim e ela tombou na cadeira. Vi meu chaveiro caído no chão, apanhei-o e corri para a porta. Fugi em desespero e já no térreo percebi que estava sujo de sangue. Limpei com o lenço o rosto e o pescoço.</p>
<p>Retornei ao meu apartamento. Ao chegar corri para o banheiro, minhas mãos estavam sujas e notei que a ferida do estilhaço novamente minava sangue. Caminhei para o lavatório, abri a torneira, ia lavar as mãos e o lenço quando de frente para o espelho uma visão me aterrorizou. Meu pescoço marcava os mesmos dedos com que eu havia asfixiado minha mãe.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><em>BRUNA ESTIMA BORBA é Professora universitária com doutorado em Direito, autora de contos e das novelas “Tempo”, “Vivendo as circunstâncias&#8221; e “O Edifício Estrela”. Premiada pela Academia Pernambucana de Letras.</em></p>
<p><em> </em><em>Instagram: @bruna_estima_borba</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Acesse o Edital de participação da Coletânea Cartas a Clarice Lispector</p>
<p><a href="https://webapp416285.ip-173-255-206-73.cloudezapp.io/ii-coletanea-de-memorias-cartas-a-clarice-lispector/">https://webapp416285.ip-173-255-206-73.cloudezapp.io/ii-coletanea-de-memorias-cartas-a-clarice-lispector/</a></p>
<p>https://webapp416285.ip-173-255-206-73.cloudezapp.io/ii-coletanea-de-memorias-cartas-a-clarice-lispector/</p>
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		<title>Carta de Ivanilde Morais de Gusmão a Clarice Lispector</title>
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		<dc:creator><![CDATA[cultur55_wp]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 28 Jul 2020 14:07:29 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[II Coletânea de memórias]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Novoestilo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>II COLETÂNEA DE MEMÓRIAS: CARTAS A CLARICE LISPECTOR Recife, julho de 2020 Estimada escritora Clarice &#160; Aproveitando esse momento de reclusão, de recolhimento obrigatório para todos, forma de sobreviver ao caos que se espalhou mundo afora, escrevo para te dizer o quanto a releitura dos teus escritos está ajudando a sobreviver a esse tempo partido de [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>II COLETÂNEA DE MEMÓRIAS: CARTAS A CLARICE LISPECTOR</p>
<p>Recife, julho de 2020</p>
<p>Estimada escritora Clarice</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Aproveitando esse momento de reclusão, de recolhimento obrigatório para todos, forma de sobreviver ao caos que se espalhou mundo afora, escrevo para te dizer o quanto a releitura dos teus escritos está ajudando a sobreviver a esse tempo partido de seres humanos perdidos. Foi, exatamente, nos teus escritos que encontrei uma reflexão que me deixou perplexa e curiosa, quando afirma que “achar-se é um perder-se a si próprio”, e que o mistério do destino do humano é que “somos fatais, mas temos a liberdade de cumprir ou não o que o destino nos reserva”. Só tem um detalhe importante, de acordo com a minha compreensão da vida, o de que depende apenas de nós mesmos realizarmos ou não esse destino. É a partir daí que abordo algumas questões e te coloco a par do que ocorre neste mundo.</p>
<p>Vive-se neste momento num mundo que parecia ter respostas para todas as questões e tudo estava aí para ser realizado, mas, qual o quê, é a mesma sociedade que atingiu um grau tão alto de desenvolvimento que vem a cada dia se desalmando e perdendo cada vez mais o sentimento de humanidade. Vivendo essa realidade, tentando compreender como se chegou a essa situação, fui buscar nos livros aqueles que ajudassem a entender a angústia e o sofrimento que está tomando conta de todos. Foi então que lembrei os  teus escritos, a partir dos quais me veio a ideia de que é possível encontrar alguns indícios de respostas para sobreviver a essa pandemia, não só virótica, mas de destruição da alma.</p>
<p>O caminho mais fácil de chegar a ti foi através de carta; por isso aqui estou para dizer o que preciso para compreender o sentimento que hoje tomou conta de todos nós humanos e, como sabias analisar com profundidade os problemas que emergiam dos conflitos que  enfrentamos diante de uma sociedade que vem se deteriorando ao longo do tempo, é a teus escritos que recorro em busca de algum entendimento.</p>
<p>Tentemos explicar o que ocorre. Enfrentamos  nesses  meses uma grande epidemia que se transformou numa pandemia. A solução imediata era o recolhimento, o confinamento para que não se espalhasse.  O mais grave é que estamos vivendo num  silêncio, mesmo que durante toda a vida tenhamos adiado o silêncio. Agora, diante do desprezo pela palavra, diante de tantos discursos vazios e falsos, é preciso começar a falar; só que diante de tantos véus, meios de manipulação, ninguém ousa falar ou provocar acontecimentos que esclareçam a situação na qual o mundo se encontra. Daí esse silêncio sobre a verdade se alarga, e informações falsas tomam conta do sistema de comunicação. Para não se deixar enganar é necessário ficar atento às várias falas, aos diversos discursos enganosos.</p>
<p>O silêncio,  antes dessa miséria que atingiu o mundo, indica que todos se deixaram enganar pelo brilho falso de uma realidade em que tudo se torna mercadoria. O silêncio da verdade é usado como instrumento de poder para ninguém ter acesso ao funcionamento e à essência de uma lógica cuja busca é o ter, e não o ser; uma vez que os indivíduos são consumidores de inverdades e se preocupam apenas consigo mesmos. O meu silêncio até determinado momento não sabia e talvez nunca saiba na essência o que significa a realidade. Às vezes, olhando o instante que se observa tanto na praia quanto numa festa, percebo com leve apreensão irônica aqueles que num rosto sorridente e escurecido revelam o ódio à humanidade, enquanto os outros ficam em silêncio. Um silêncio e um destino que parecem escapar, como o fragmento de um hieróglifo representando uma sociedade que precisa ser  morta, eliminada, que sobreviva apenas quem conseguiu produzir para o bem da humanidade.</p>
<p>A surpresa me toma de leve diante dessa pandemia que nos assusta, só agora estou sabendo que era uma surpresa, nos bastidores do poder já era sabido, mas era preciso subestimar o que emergia e  tomava de assalto o mundo que, num primeiro momento, não sabia o que fazer e como enfrentar algo nunca antes visto. É que os olhos assustados de alguns viventes não conseguiam compreender porque havia um silêncio como só se via nos anos de repressão. E como só se  ouvia o silêncio, que assustava a todos, alguns conseguiam ver e ouvir a partir de um sussurro ou de um simples comentário.</p>
<p>Nunca, até então, ninguém  havia  de pensar que um dia iria ao encontro de um silêncio num tempo partido no qual os que partem não têm sequer um réquiem.</p>
<p>Agora, já é possível ouvir um ruído neutro de coisa. Era o que fazia a matéria de seu silêncio invisível, quase intocável. E assim esse ser silencioso e sorrateiro se espalha tranquilo, hospedando-se nos corpos, o que gera uma compacta raiva e leva o seu hospedeiro ao sopro final em busca de ar. Esse ser que busca hospedagem é representante de um silêncio ao qual se pergunta: Esse silêncio é mesmo um silêncio ou uma voz alta e muda por trás do silêncio imóvel que agora se movimenta nos meios de comunicação e que, como toda escuridão, é desconhecimento da essência da realidade? Uma sociedade  que já teve seu período áureo, que superou o servilismo e lutou, junto com os produtores da riqueza, pela destruição de uma ordem à qual todos estavam presos, por um mundo em que a liberdade ia ser construída. É em meio a esse movimento de separação que surge a necessidade do Estado enquanto instituição que administra a sociedade.</p>
<p>O mais importante disso tudo é saber que há pessoas, em diversos ramos de  atividades, que precisam agora estar no front para ajudar essa sociedade a sobreviver, principalmente os médicos, aliás, todos os profissionais da área de saúde, de abastecimento, de comunicação e distribuição. Estes são verdadeiros “anjos” do apocalipse que, com seu compromisso com a humanidade, arriscam suas vidas para que os demais possam sobreviver. Na realidade, se pararmos um pouco para tentar compreender o porquê do surgimento desse inimigo que sai “devorando” as pessoas, os seres humanos que vivem, tem-se a impressão de que é como um “castigo” da Natureza Mãe pela forma como tem sido tratada, violentada, queimada, destruída. Todo ecossistema comprometido com uma variedade de formas de poluição impossível de se imaginar. Uma das questões mais importantes nesse momento de tempo partido, de recolhimento, é como se comportar; como suportar a ausência dos entes queridos; como não se dar conta de que tudo está em transformação? E se a previsão tivesse sido de que o ano de 2020 iria começar com uma violenta e assustadora catástrofe como se um apocalipse viesse para destruir a Terra?  Então, como uma vingança ou punição dirigida pela Natureza, em decorrência da forma como vêm sendo utilizados seus recursos, esta é sua maneira de impedir que seja destruída por uma catástrofe inimaginável e, nesse acontecimento, a espécie humana também desapareça.</p>
<p>A catástrofe se instalou por meio de um vírus invisível, mas de um poder destrutivo inimaginável, com força avassaladora tal qual um terrível furacão. Nesse tipo de catástrofe, uma das primeiras medidas é o isolamento social, que se tornou uma realidade em todos os países para impedir que os danos sejam maiores. E na medida em que as pessoas são obrigadas ao confinamento por muito tempo, em alguns lugares já passa de sessenta dias, a situação vai se tornando insuportável, principalmente nos países mais carentes e nas periferias das cidades onde família inteiras vivem em pequenos cubículos. A  questão se torna mais grave porque as pessoas não têm acesso aos sistemas de esgotamento sanitário, de abastecimento de água e condições materiais para manter um  padrão razoável de higiene, evitando que a epidemia se alastre ainda mais. Todo esse quadro pode gerar situações  insuportáveis. Daí o questionamento, como enfrentar essa situação e impedir que o mal se espalhe por toda a sociedade gerando uma situação de pânico?</p>
<p>A sociedade capitalista vem passando por várias e profundas crises e, para sobreviver, tem cada vez mais concentrado a riqueza e aumentado com espantosa gravidade a exclusão de grandes parcelas da população. Esta, por sua vez, levada ao nível de miserabilidade, requer que o sistema seja superado urgentemente por uma organização social mais humana ou haverá um retorno à barbárie. Não como no tempo em que os seres viviam nas cavernas, seu habitat natural, pois, com o avanço sofrido pelas forças produtivas, estamos mais próximos a uma  “lepra civilizada”. A partir do momento em que uma parte da humanidade se apropria de toda a riqueza material e espiritual criada pela sociedade, e destitui a outra parte dessa riqueza, põe-se a necessidade de desencadear um processo de transformação da realidade. A riqueza material e espiritual é o mundo efetivado pelo homem; portanto, aquele que está desprovido de quaisquer riquezas e, mais ainda, sem nenhuma chance de usufruir dos benefícios gerados nesse processo, encontra-se destituído da morada mesmo do homem. Num mundo de riquezas, aquele que está privado desses benefícios [&#8230;] retorna à caverna, mas regressa a ela sob uma figura estranhada, hostil. O selvagem na sua caverna – esse pitoresco elemento natural que se oferece para fruição e abrigo – não se sente estranho, sente-se, antes, como em casa, como o peixe na água. Mas o porão dos pobres é uma habitação hostil.</p>
<p>A humanidade enfrentou duas grandes guerras, grandes conflitos localizados em várias partes do mundo, mas estamos sendo afetados não como fomos na I e na II guerras, ou como se houvesse alienígenas, ou mesmo uma III Guerra Mundial. Trata-se de um inimigo que não se conhece, invisível, somente identificável por alto grau de conhecimento científico. A gravidade está não apenas na mortandade, mas também nas consequências graves em termos de economia, de geração de renda e emprego nesse modelo de organização social. Aqui no Brasil, muito antes do Coronavírus chegar, a  Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou que um vírus se espalharia por todo o planeta, e que a imediata posição era de isolamento completo para que a <em>pandemia</em> não causasse tanto prejuízo social, político e econômico. A situação de <em>quarentena</em> tem que ser enfrentada com medida obrigatória de isolamento, fato que vai gerar consequências não só quanto ao  <a href="https://www.vittude.com/blog/isolamento-social/">isolamento social</a>, mas sobretudo na economia, comércio e, principalmente, nos pequenos e médios negócios. Essa situação pode gerar sérios problemas envolvendo saúde, sobretudo mental, quando, por razões óbvias, as pessoas que já tinham problemas de saúde, sem poder sair, circular, podem passar a ter problemas de <a href="https://www.vittude.com/blog/ansiedade/">ansiedade</a>, pela incerteza sobre quando a situação vai ser controlada e tudo vai voltar ao normal; claro, não como antes, mas a recuperação do cotidiano.</p>
<p>Diante do quadro que a sociedade tem enfrentado, é preciso saber como cuidar da saúde das pessoas, não só daquelas atacadas diretamente pelo vírus. Estas têm que ter um sistema de atendimento emergencial para que a <em>Pandemia</em> seja controlada. Precisam ser levados em conta os problemas de relações, de conflitos que ocorrem em situações de risco e de aglomeração, principalmente entre as populações carentes. O fato é que a situação favorece o fenômeno da violência, sobretudo, a violência doméstica. Daí a importância de implementação de medidas no período de <em>quarentena</em>, de atendimento não só material, mas mental e de sobrevivência, para que seja possível a superação e o resgate de uma sociedade que não mais será a mesma. É preciso, então, que se esteja preparado para um novo mundo, uma outra forma de sociedade que não seja a da exploração e exclusão, mas a da união.</p>
<p>É importante e urgente uma reflexão não só sobre a emergência do isolamento, mas também sobre como cuidar de uma população cujas atividades de trabalho, estudo, lazer e cultura foram retiradas de um golpe do seu mundo cotidiano. A preocupação é que que passado esse tempo partido, no qual as pessoas estão como perdidas, elas consigam  retomar a sua vida normal. Sabe-se que as relações sociais, de trabalho e a economia não serão as mesmas, porque a sociedade deverá passar por uma grande transformação. É preciso, então, identificar quais seriam as propostas a serem colocadas em prática;  nenhuma questão a esse respeito foi colocada até o momento. Essa <em>pandemi</em>a tem se tornado muito mais grave na realidade brasileira, uma vez que a sociedade tem de enfrentar não só o inimigo mortal para o qual não se preparou &#8211; dado que nenhuma medida preventiva foi tomada, ao contrário, o próprio fenômeno foi subestimado pelas autoridades -, mas também a crise causada pela pandemia, junto à crise política e econômica vigente no país.</p>
<p>Ao se analisar na História as transformações sociais, políticas e econômicas decorrentes da passagem da ordem feudal à sociedade burguesa, verifica-se que geraram  uma  revolução política, na qual foram estabelecidos os direitos dos indivíduos, não como privilégios, tal qual no antigo regime, mas como direitos humanos.  É preciso ressaltar que em determinado “<em>estágio de desenvolvimento, as forças produtivas materiais da sociedade entram em contradição com as relações de produção existentes ou, o que é sua expressão jurídica, com as relações de propriedade no seio das quais se tinham movido até então.” </em>Assim sendo ocorre que<em>  “de formas de desenvolvimento das forças produtivas, estas relações transformam-se no seu entrave. Surge então uma época de revolução social”</em>.</p>
<p>Na realidade as transformações econômicas  de base material vão alterar também <em>as formas jurídicas, políticas, religiosas, artísticas ou filosóficas; ou seja, as formas ideológicas por meio das quais os homens tomam consciência&#8230; deste conflito</em>”. No atual momento, o inimigo com que a sociedade embate é invisível e até  então não identificado completamente. Nem a ciência, com todo seu desenvolvimento, conseguiu identificar a sua origem e espécie, muito menos a arma para combatê-lo diretamente. O mais seguro e rápido para evitar a extinção da própria espécie é decretar o isolamento completo, <em>a quarentena</em>; utilizada em outros momentos históricos semelhantes. Em meio a essa circunstância, cada episódio gera grandes transformações nas relações sociais. Portanto, a coisa  que gerou esse quadro de miséria, e isso que começa acontecer, é  uma coisa que tenta encontrar uma saída. Nesse momento de miséria é preciso construir uma outra vida, uma outra forma de viver. Na forma de organização atual, no caminhar em busca da solução, perdeu-se muita coisa, inclusive  o que era essencial.</p>
<p>E na medida em que se constata a ausência de proposta de resgate da caminhada humana ao seu destino, humanizar-se cada vez mais, a falta e/ou ausência de conhecimento da própria realidade assusta, e o mais grave é que não se observa nenhuma indicação que  aponte para uma perspectiva de superação dessa realidade, mesmo após esse tempo partido em que se vive. Não há previsão de mudança quando as pessoas voltarem às atividades normais. Em alguns países, essa volta está sendo gradativa, mas aqui no Brasil as informações são controversas, e como se publica muita inverdade com o objetivo de confundir a população para que ela não veja claramente onde a miséria política, econômica e social está nos levando. O aumento gradativo das pessoas contaminadas por esse vírus que invadiu todas as nações é assustador, o quadro de mortandade exibido diariamente nos meios de comunicação, sem que se apresente proposta de solução.</p>
<p>Portanto, todo esse quadro nos aterroriza. Daí fui buscar na tua escrita tão reflexiva, mesmo que não trate diretamente dos problemas político-econômicos, a relação entre o humano e a humanidade, especificamente do indivíduo nessa organização social na qual as relações se tornaram mercantis. A tua escrita é de uma clareza e profundidade que nos leva a procurar compreender o sofrimento, e como é possível criar caminhos para continuar a construção da humanização que, como destacas em teu livro, é sempre um aprendizado.</p>
<p>Para finalizar, pedindo desculpas pela extensão desta missiva, trago aqui uma frase bíblica que muito me agrada e me toca:</p>
<p>“Não atires pérolas aos cães&#8230;”</p>
<p>Abraço fraterno e o agradecimento por ter tido a oportunidade de chegar aos teus escritos e neles mergulhar para sobreviver, compreendendo um pouco mais o que é viver numa sociedade que destrói o homem;  a batalha primeira é encontrar o caminho para resgatar  os sentimentos de humanidade que foram gerados ao longo do processo histórico.</p>
<p>Com meu abraço fraterno.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>IVANILDE MORAIS DE GUSMÃO é <em>advogada, professora, autora de vários títulos publicados no Brasil e exterior, organizadora da coletânea Tempo partido &#8211; 2020: resgatando sentimentos de humanidade, editada pela Novoestilo Edições do Autor em 2020. É estudiosa da obra do filósofo Karl Marx e coordenadora do Núcleo de Filosofia da Rede de Associados Letras &amp; Artes &#8211; LETRART.</em></p>
<p><a href="http://www.ivanildemorais.com">http://www.ivanildemorais.com</a></p>
<p><a href="mailto:morais.ivanilde@gmail.com">morais.ivanilde@gmail.com</a></p>
<p><strong> </strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="https://webapp416285.ip-173-255-206-73.cloudezapp.io">https://webapp416285.ip-173-255-206-73.cloudezapp.io</a></p>
<p>Clique no Edital de participação da II COLETÂNEA DE MEMÓRIAS</p>
<p><a href="https://webapp416285.ip-173-255-206-73.cloudezapp.io/ii-coletanea-de-memorias-cartas-a-clarice-lispector/">https://drive.google.com/file/d/1B1fj2FKG6pBUcWdA1q2f8VOaq-avPx96/view</a></p>
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		<title>II Coletânea de Memórias Cartas a Clarice Lispector</title>
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		<pubDate>Wed, 22 Apr 2020 11:32:56 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>&#8220;Perdi muito tempo até aprender que não se guarda as palavras: ou você as fala ou as escreve ou elas te sufocam.&#8221; Clarice Lispector Baixar Edital</p>
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		<title>Tempo partido: 2020 &#8211; Resgatando sentimentos de humanidade</title>
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		<pubDate>Wed, 22 Apr 2020 11:28:28 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Coletânea organizada por Ivanilde Morais de Gusmão A professora, advogada, escritora e estudiosa da Literatura Geral e do filósofo Karl Marx, Ivanilde Morais de Gusmão, convida os interessados a participar da Coletânea a ser editada e publicada pela Novoestilo Edições do Autor, custeada pela organizadora, como forma de realização de seu projeto de socialização da [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Coletânea organizada por Ivanilde Morais de Gusmão</strong></p>
<p>A professora, advogada, escritora e estudiosa da Literatura Geral e do filósofo Karl Marx, Ivanilde Morais de Gusmão, convida os interessados a participar da Coletânea a ser editada e publicada pela Novoestilo Edições do Autor, custeada pela organizadora, como forma de realização de seu projeto de socialização da escrita em busca da construção da sociedade humana.</p>
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		<title>Carta de Salete Rêgo Barros a Clarice Lispector</title>
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		<pubDate>Sun, 29 Mar 2020 15:29:38 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[II Coletânea de memórias]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Novoestilo]]></category>
		<category><![CDATA[cartas]]></category>
		<category><![CDATA[clarice lispector]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>II COLETÂNEA DE MEMÓRIAS &#8211; CARTAS A CLARICE LISPECTOR Madrugada insone de 29 de março de 2020 Casa Forte, Recife, Pernambuco Querida escritora, &#160; Sinto que, agora, estás bem. Começo com um pedido: clareia, Clarice, com a tua luz, a escuridão dos que sofrem as consequências da notícia avassaladora que tenho para te dar. Imagino [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<h6>II COLETÂNEA DE MEMÓRIAS &#8211; CARTAS A CLARICE LISPECTOR</h6>
<h6></h6>
<h6><em>Madrugada insone de 29 de março de 2020</em></h6>
<p>Casa Forte, Recife, Pernambuco</p>
<p>Querida escritora,</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Sinto que, agora, estás bem. Começo com um pedido: clareia, Clarice, com a tua luz, a escuridão dos que sofrem as consequências da notícia avassaladora que tenho para te dar. Imagino o que dirás quando souberes que, de repente, a Terra foi obrigada a parar sem estar preparada para enfrentar a nova realidade. Independentemente de classe social, cor e raça, milhares de mortos já são contados nas grandes metrópoles sem que, pelo menos, tenham tido o direito de se despedir dos familiares.</p>
<p>Confinados, os vivos se deparam com a urgência de buscar novas alternativas que os mantenham saudáveis física e mentalmente, enquanto outros tantos não conseguem, ainda, acreditar no que está acontecendo, expondo-se e expondo todos à contaminação pelo novo coronavírus. As dificuldades que temos em enxergar realidades que abalam as nossas certezas são grandes; maiores ainda são as de mudarmos o roteiro ao qual estamos radicalmente apegados.</p>
<p>Uma visita ao passado, talvez necessária para nos fazer enxergar que o caminho escolhido estava errado, diz: &#8220;Para, olha à tua volta, escuta tua intuição, presta atenção: para que essa corrida desenfreada em busca de fazedores de mentira – dinheiro e poder? Fica em casa, conversa mais com tua família, te preocupa com as condições em que vive teu semelhante, te alimenta melhor, para de produzir lixo e de deixar a tua sujeira para o outro limpar&#8221;.</p>
<p>Passado o primeiro impacto, Clarice, começamos a fazer uma grande reflexão e a escutar boas músicas, ler bons livros, assistir bons filmes e programas; fazer serenatas nas varandas, aplaudir os profissionais que arriscam suas vidas, todos os dias, para nos abastecer de alimentos e cuidados, e a entender as fragilidades, agora expostas, de acordo com as características culturais, sociais e ambientais de cada canto do planeta. Afinal, acordamos. Saímos do torpor que nos impedia de interagir uns com os outros de forma mais humana.</p>
<p>Na maioria das grandes cidades da América do Sul acrescente-se à falta de planejamento urbano adequado, a concentração de renda geradora da desigualdade social; a falta de uma educação de qualidade, que permitisse à população a escolha de bons representantes para comandar o país e oferecer ao cidadão o que ele precisa para atender, pelo menos, às suas necessidades básicas de sobrevivência, com decência. Mas o espólio da colonização, por aqui, ainda pulsa forte em forma de dominação e poder. A receita de enganar tolos é: fantasie-se de honesto e pronuncie palavras que todos gostariam de ouvir.</p>
<p>Não sei como estão as coisas na Ucrânia, tua terra natal – de lá, pouco ou quase nada sabemos, a não ser através de conhecidos. No Recife, local ao qual tu te referias com tanta ternura, dizendo que foi o local onde passastes os anos mais felizes de tua infância, o pior da pandemia se aproxima. O novo vírus surpreende cientistas no mundo inteiro, sofre mutações e se adapta facilmente às características dos locais por onde passa.</p>
<p>Tenho a impressão de que a diferença entre estar vivo ou morto é essa: de repente nos vemos mergulhados numa realidade nova, alheia, totalmente alheia à nossa vontade, mas ligada umbilicalmente às escolhas que fazemos e que trazem consequências boas ou más, a depender de como interagimos com a engrenagem reguladora da vida. Costumamos usar diminutivos para amenizar os impactos do nosso comportamento: não tem problema somente um lixinho jogado nas galerias; uma arvorezinha derrubada para negociar; um gadinho pastando acolá, para exportar; umas comprinhas no shopping, para distrair.</p>
<p>Em pleno século XXI assistimos ao mundo paralisado, a economia destroçada sob o comando de um vírus que causa um resfriadinho de nada, surgido inicialmente no país que tem a maior população do planeta – mais de um bilhão de habitantes a produzir e consumir em excesso, a maioria, supérfluos que dão prazer imediato, mas que, na verdade, não possuem qualquer significado, já que, em seguida, são descartados em detrimento de outros e outros e outros mais.</p>
<p>Ah, Clarice, como eu gostaria de acordar e ver que tudo não passou de um pesadelo! Agora, o Sol já está bem distante do horizonte, no Brasil, e ele não me trouxe essa certeza. Mas trouxe outra: a de que o momento é propício para nos apropriarmos do legado das artes, que será sempre, haja o que houver, a nossa salvação, mesmo depois de sermos atirados de vez ao passado, atingidos por um vírus tecnológico que poderá eliminar o “www” e nos  levar à valorização da solidariedade e do livro de papel, infelizmente, não por opção, mas por imposição.</p>
<p>Nem sei como falar, agora, da importância da tua obra, assunto principal desta carta, mas que acabei me distanciando dele. Como isso teria de ser feito de uma forma tão especial, tão profunda, tão introspectiva, que estivesse à altura da tua criação, deparei-me com a impossibilidade, simplesmente, porque és única. Inigualável até para os que se dedicam há anos, ao seu estudo. Conhecer a tua obra é um processo permanente que dura uma vida inteira.</p>
<p>A habilidade com que expressas os sentimentos não dá para ser compreendida se atrelada a uma forma ou gênero literário específico, porque, nela, ficção e realidade se confundem nas profundezas da alma humana. Dá somente para ser sentida na eternidade de uma escrita que dispensa o diálogo, a discordância, a censura; que abre frestas, janelas e portas em paredes antes fechadas, não havendo mais nada a ser acrescentado, a ser dito.</p>
<p>Pensando bem, agora entendo porque dediquei tantos parágrafos ao assunto que fez o mundo parar, ao invés de entoar hinos de louvor à escritora e sua escrita.</p>
<p>Sinta a admiração e o respeito que tenho por ti, Haia-Clarice Lispector, e pela tua obra – pão e vinho; necessidade e prazer; cura e fortalecimento para a alma dos confinados nas incertezas do amanhã.</p>
<p>Salete Rêgo Barros, cidadã do mundo</p>
<p>P.S. Aguardo notícias sobre a repercussão da chegada dos que não conseguiram vencer o vírus, por aí. Será que essa volta forçada ao passado permitirá o conserto dos nossos erros? Se for do jeito que estou imaginando, o bem vencerá e vivermos todos irmanados em torno de um objetivo comum: a felicidade.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>SALETE RÊGO BARROS é <em>arquiteta (UFPE), parapsicóloga (IPPP), editora (Novoestilo Edições do Autor), produtora cultural executiva (Ponto de Cultura Nordestina), presidente da Rede de Associados Letras &amp; Artes (LETRART). Membro de várias entidades literárias. Organizadora de diversas coletâneas. Autora de artigos de opinião, prefácios, editoriais e orelhas de livros. Idealizadora dos projetos: Agenda do poeta, Abril de Monteiro Lobato, O fio da meada – artes e ofícios, Semear letras &amp; artes e FELIPPA – Feira de Literatura do Poço da Panela (a executar). Autora de cinco livros, todos publicados pela Novoestilo Edições do Autor. O mais recente, Fiat lux, publicado em 2020.</em></p>
<p>&nbsp;</p>
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<p>Acesse o Edital de participação da Coletânea Cartas a Clarice Lispector</p>
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