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	<title>Arquivos Coletânea A luta pela verdade: um ato de amor e coragem &#8226; Cultura Nordestina</title>
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	<description>Letras &#38; Artes</description>
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	<title>Arquivos Coletânea A luta pela verdade: um ato de amor e coragem &#8226; Cultura Nordestina</title>
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		<title>Matem o mensageiro!  ou  Me engana que eu gosto, por Alexandre Henrique Santos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[culturanordestina]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 05 Oct 2026 22:56:19 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Alexandre Henrique Santos]]></category>
		<category><![CDATA[Coletânea A luta pela verdade: um ato de amor e coragem]]></category>
		<category><![CDATA[Coletâneas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>“A dor é uma experiência inevitável. O sofrimento é uma escolha.” Bert Hellinguer Era meado de 2017 e há pouco eu me mudara com a família para Madri. Ao fazer um reconhecimento de Moratalaz, onde nos estabelecemos, percebi cartazes que alertavam a vizinhança para um golpe que estava sendo aplicado nos moradores do bairro. Aproveitando [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>“A dor é uma experiência inevitável.</p>
<p>O sofrimento é uma escolha.”</p>
<p style="padding-left: 200px;">Bert Hellinguer</p>
<p>Era meado de 2017 e há pouco eu me mudara com a família para Madri. Ao fazer um reconhecimento de Moratalaz, onde nos estabelecemos, percebi cartazes que alertavam a vizinhança para um golpe que estava sendo aplicado nos moradores do bairro. Aproveitando o fato de que a Prefeitura promovia mudanças no fornecimento de energia elétrica, membros de uma quadrilha se faziam passar por funcionários públicos, entravam nas residências, aplicavam um questionário sobre o uso de eletrodomésticos e depois roubavam. Pois bem, certo dia, voltando de uma caminhada matinal, abro a porta e com o que me deparo?! Minha mulher e sogra estavam sentadas no sofá da sala ao lado de um desconhecido. Tomavam cafezinho e pareciam envolvidas num papo animado, respondendo perguntas sobre consumo de energia.</p>
<p>Acendi o sinal de alerta na hora. Falei abertamente dos cartazes vistos nos pontos de ônibus, nas padarias etc. O homem ficou desconcertado; contudo, as anfitriãs apenas sorriram e reforçaram o comportamento acolhedor. Não consideraram nem por um segundo a possibilidade de que o visitante pudesse ser um falsário. Preferiram achar que o sujeito que acabavam de conhecer era mesmo um eletricitário&#8230; Para resumir, o vigarista acelerou o preenchimento do formulário, encerrou de forma abrupta sua permanência conosco, em nenhum momento me olhou nos olhos e praticamente fugiu.</p>
<p>O relato acima sugere que a gente nem sempre tem consciência de que pode escolher no que acreditar. Se há suspeitas em situações presenciais, que dizer dos cenários virtuais, onde a inteligência artificial realiza prodígios e nos faz duvidar se o que vemos e ouvimos é ou não real&#8230; Está cada vez mais difícil separar o joio do trigo. E tudo piora com as pessoas de mentalidade binária – como costumam ser os analfabetos funcionais –, que têm dificuldades para perceber nuances.</p>
<p>Lembro que nos anos 80 uma vizinha chamada Mira era absolutamente fã e eleitora do ex-governador de São Paulo, Paulo Maluf. Os leitores jovens se livraram de conhecê-lo; foi um símbolo nacional do político corrupto. Hoje com 93 anos, envelheceu rico, em prisão domiciliar e com uma tornozeleira eletrônica na canela. Diziam dele um chavão tristemente famoso: “Rouba, mas faz!” Nada do que eu tentei para abrir os olhos de Mira resultou em sucesso. Levei dezenas de reportagens sobre os crimes do referido meliante. Para ela, era tudo mentira, fantasia, intriga da oposição&#8230; Considerava mesmo que Maluf era um santo!</p>
<p>O certo é que a escolha de recusar conhecer a realidade, de negar a veracidade das investigações e até dos fatos comprovados; escolha de acreditar no que até Deus duvida, essas escolhas, são legítimas. Lamentáveis, sim, mas tão antigas quanto a humanidade. No passado os Reis tinham o hábito de mandar matar os mensageiros de más notícias – como se a culpa de infortúnios e tragédias deles fosse. Nos dias de hoje seria como se eu assassinasse o carteiro que me trouxe uma intimação judicial. Parece loucura, mas não é. Há uma pandemia de burrice, de ignorância e de preguiça de pensar que assola o planeta. Não se está falando aqui de fidelidade ideológica, partidária e nem de verdade única. Ao contrário. Falamos de pensar, ruminar; refletir sobre as informações que nos chegam. Isso costuma dar trabalho. Quero dizer, pensar exige algum esforço; e o que não falta é gente que odeia tirar o cérebro do “modo preguiça”!</p>
<p>Acompanhei uma situação recente que foi, em minha opinião, mais uma prova cabal desse tipo de ignorância e primitivismo que assola o país. Uma cliente ficou muito impressionada com o sério e exaustivo trabalho da jornalista Juliana Dal Piva sobre como o ex-presidente e agora presidiário Jair Bolsonaro construiu sua fortuna. Daí, desejou ajudar (sic) uma prima a abrir os olhos. Com a melhor das intenções, tal como eu com a amiga Mira décadas atrás. Comprou o livro O Negócio do Jair e o presenteou no aniversário da parente; inclusive tendo a delicadeza de um detalhe: grampeou no pacote um cartão com direito a troca da mercadoria – se por acaso não desejasse ler, bastava ir à loja trocá-lo. Mas pasmem, leitores, apaixonada por Bolsonaro, a aniversariante surtou, deu um chilique, desmanchou-se em lágrimas, considerou o regalo uma ofensa pessoal, não abriu o livro, decretou: Matem o mensageiro! – e deixou de falar com a prima.</p>
<p>Minha surpresa ao ler o editorial do Estadão do dia 23 de setembro próximo passado me relembrou essas histórias. Reproduzo abaixo o trecho com as palavras exatas da direção da empresa; elas resumem a ideia central da mensagem veiculada. Vejamos:</p>
<p>“Cada eleitor tem a liberdade assegurada pela Constituição para dar seu voto a qualquer candidato regularmente registrado na Justiça Eleitoral. Mas que todos estejam cientes de que, dado o histórico, a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro embute o risco da ascensão das milícias ao topo do poder da República.”</p>
<p>Talvez só analfabetos funcionais não entendam o que está dito no artigo de opinião do principal diário conservador do país: Flávio Bolsonaro tem íntimas, velhas e comprovadas ligações com milicianos; elegê-lo, portanto, é um grave risco. Para mim, autor dessas linhas e seguidor da política nacional, a informação nada tem de nova ou de original. O que me surpreende é constatar as pessoas que evitam pensar, que se fazem de bobinhas e replicam a técnica do avestruz: enfiam a cabeça num buraco – ou simplesmente fecham os olhos – e acham que o problema acabou, sumiu!</p>
<p>Honestidade e retidão não têm preferência ideológica. Em qualquer agremiação partidária pode haver e talvez haja corruptos, bandidos e vilões. Daí que qualquer cidadão(ã) suspeito(a) de cometer um crime, deva ser rápida, devida e exaustivamente investigado(a). Mas não devemos ser levianos e julgar alguém antes de que se esgotem todos os cabíveis recursos da defesa.</p>
<p>Finalizo reforçando a epígrafe do artigo: a dor é inevitável porque faz parte da experiência da vida; já o sofrimento é uma escolha.</p>
<p>Isso vale para pessoas e para nações. O sofrimento aparece quando repetimos e/ou nos apegamos aos motivos que nos causaram dor. É assustador ver, em 2026, o país que há quatro anos esteve às portas do golpe de estado e da guerra civil, conferir aos representantes do bolsonarismo uma inegável montanha de votos. Esse resultado estatístico soa como um gigantesco jogral gritando em uníssono: “Matem o mensageiro! Não se atrevam a nos mostrar o que não queremos ver. Nós decidimos experimentar o sofrimento!”</p>
<p>&nbsp;</p>
<blockquote><p>Alexandre Henrique Santos é escritor, psicoterapeuta e cantautor (Alê Santos). Publicou pela Editora Vozes os livros “Planejamento Pessoal” e “O Poder de uma Boa Conversa”. Após décadas vivendo em diferentes cidades e países, hoje mora onde nasceu, na Ilha do Leite, no delta do Recife. Veja www.quereres.com &amp; ale.santosoficial.</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>A luta pela Verdade: um ato de amor e coragem, por Samira Camargo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[culturanordestina]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 05 Oct 2026 19:20:47 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Coletânea A luta pela verdade: um ato de amor e coragem]]></category>
		<category><![CDATA[Coletâneas]]></category>
		<category><![CDATA[A luta pela verdade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Lutar pela Verdade é o que sempre deveríamos fazer, pois traria para todo o Planeta Terra, amor e fraternidade. É difícil! Muitas vezes lutamos pela nossa verdade e trazemos tristeza e desalento. Como fazer então? Só vamos conseguir lutar pela Verdade se conseguirmos olhar para toda a natureza e para todos os seres vivos com [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Lutar pela Verdade é o que sempre deveríamos fazer, pois traria para todo o Planeta Terra, amor e fraternidade.</p>
<p>É difícil!</p>
<p>Muitas vezes lutamos pela nossa verdade e trazemos tristeza e desalento.</p>
<p>Como fazer então?</p>
<p>Só vamos conseguir lutar pela Verdade se conseguirmos olhar para toda a natureza e para todos os seres vivos com uma vontade muito forte de decidir viver em paz conosco mesmo e com todos ao nosso redor.</p>
<p>Se pararmos para refletir temos o suficiente para que todos tenham o necessário, porém a luta pela Verdade nos confude e acumulamos mais do que realmente precisamos.</p>
<p>Ao analisar o título desta Antologia lembrei do Rei Davi, que poderia ter pedido o que quisesse ao bondoso Deus, porém pediu Sabedoria.</p>
<p>Penso que este seria o pedido que faria neste momento da minha vida.</p>
<p>Só mesmo com muita Fé conseguiremos lutar pela Verdade.</p>
<p>&nbsp;</p>
<blockquote><p>Samira Aparecida de Camargo, nasceu no dia 13 de fevereiro de 1955, na cidade de São José do Rio Preto/ São Paulo &#8211; Brasil.</p>
<p>Filha de Luzia Aparecida de Lima Rodrigues e de Armando Rodrigues.</p>
<p>É mãe do Gustavo, Rodrigo e Maria Cecília.</p>
<p>Tem 4 netos: João, Victor, Alice e Benjamin.</p>
<p>Ama a vida e a cada dia pede ao Senhor Deus, Sabedoria para ter a coragem de viver e lutar pela Verdade.</p>
<p>Tem certeza que se conseguir olhar para para o Mundo deste jeito estará fazendo um ato de amor e coragem.</p></blockquote>
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		<title>Um breve ensaio sobre a palavra brasileira como travessia e ética, por Luiza Saraiva</title>
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		<dc:creator><![CDATA[culturanordestina]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 01 Oct 2026 17:30:32 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Coletânea A luta pela verdade: um ato de amor e coragem]]></category>
		<category><![CDATA[Coletâneas]]></category>
		<category><![CDATA[Luiza Saraiva]]></category>
		<category><![CDATA[A luta pela verdade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Há uma linhagem secreta que atravessa a literatura e a arte brasileiras: a convicção de que dizer a verdade nunca é gesto neutro. É sempre risco, sempre entrega, sempre uma forma de amor que se recusa à mentira confortável. Esta tese propõe que, no pensamento e na criação, a verdade não é conquistada pela [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>&nbsp;</p>
<p>Há uma linhagem secreta que atravessa a literatura e a arte brasileiras: a convicção de que dizer a verdade nunca é gesto neutro. É sempre risco, sempre entrega, sempre uma forma de amor que se recusa à mentira confortável. Esta tese propõe que, no pensamento e na criação, a verdade não é conquistada pela frieza da razão isolada, mas por um duplo movimento — o rigor de quem não aceita ilusões e a ternura de quem não desiste do outro. Verdade, aqui, é ato relacional: só se busca a verdade porque se ama alguém, um povo, uma paisagem, uma língua o bastante para não querer enganá-los.</p>
<p>O rigor como forma de amor: <strong>João Cabral de Melo Neto</strong></p>
<p>Poucos poetas levaram tão a sério a ideia de que a precisão da linguagem é uma responsabilidade ética quanto João Cabral de Melo Neto. Sua recusa ao sentimentalismo fácil, sua arquitetura seca e exata, não nascem de indiferença, mas do oposto: da crença de que só a forma justa pode fazer justiça ao real. Nisso ele dialoga, à distância, com a exigência de clareza de Paul Valéry e com a fenomenologia husserliana — a ideia de voltar &#8220;às coisas mesmas&#8221;, despindo o objeto de véus impostos pela subjetividade complacente. Há também um eco do Wittgenstein que insiste em que os limites da linguagem são os limites do mundo: para Cabral, dizer bem é uma obrigação moral, porque a linguagem frouxa trai o real que ela deveria revelar. A dureza cabralina, portanto, é uma forma paradoxal de amor: amar bastante a coisa nomeada para recusar-lhe o adorno mentiroso.</p>
<p>A travessia como coragem: <strong>Guimarães Rosa</strong></p>
<p>Se Cabral ensina o rigor, Guimarães Rosa ensina a travessia. Em Grande Sertão: Veredas” Riobaldo narra sua vida inteira como uma tentativa de compreender se existe o demo, se existe Deus, se o amor por Diadorim foi verdadeiro, e essa narração é, ela mesma, um ato de coragem: contar é arriscar-se a descobrir o que não se quer saber sobre si. &#8220;Viver é muito perigoso&#8221;, e a frase se tornou emblema porque nomeia algo essencial: a verdade não se encontra em repouso, mas em movimento, em travessia, em risco assumido. Rosa recusa verdades prontas — nem o sertão é simplesmente atraso, nem o amor é simplesmente pureza — e essa recusa é um gesto de amor pela complexidade humana, um recusar-se a trair a vida com respostas fáceis.</p>
<p>A verdade nua: <strong>Graciliano Ramos e Euclides da Cunha</strong></p>
<p>Há uma linha de verdade que dói. Em “Vidas Secas”, Graciliano Ramos despe a prosa de adjetivos, imitando na própria sintaxe a aridez da vida de Fabiano e sua família — e essa economia radical é um ato de solidariedade: não decorar o sofrimento alheio é uma forma de respeitá-lo. Antes dele, Euclides da Cunha, em “Os Sertões”, tentou compreender Canudos sem os clichês do litoral sobre o sertão, e sua obra é atravessada pela tensão entre o cientificismo da época e um espanto crescente diante da dignidade sertaneja — o livro muda de tom porque o autor, ao se aproximar da verdade dos fatos, é obrigado a reconhecer sua própria injustiça inicial. Em ambos, dizer a verdade exige coragem porque implica revisão de si.</p>
<p>A verdade interior: <strong>Clarice Lispector</strong></p>
<p>Clarice Lispector desloca a busca da verdade para dentro do sujeito. Em “A Paixão Segundo G.H.”, a protagonista atravessa uma crise que a leva a confrontar o que há de mais primitivo e menos domesticado em si mesma. A escrita clariciana avança por hesitações, correções, silêncios — porque para ela a verdade não é uma frase que se possa simplesmente declarar, é algo que se aproxima por tentativas, quase por pudor. Essa hesitação não é fraqueza: é a forma mais honesta de coragem, a de quem não finge saber antes de ter, de fato, atravessado a experiência.</p>
<p>O amor como prática política: <strong>Paulo Freire</strong></p>
<p>Paulo Freire torna explícito o que em muitos escritores permanece implícito: a verdade pedagógica e política exige amor. Para ele, o diálogo genuíno entre educador e educando — condição para que ambos alcancem uma leitura mais verdadeira do mundo, é impossível sem amorosidade, sem humildade e sem fé no outro. Ensinar a ler o mundo criticamente, na perspectiva freiriana, não é neutro: é um ato de amor que se recusa a deixar o outro na ignorância confortável imposta por quem domina. Nesse sentido, Freire radicaliza a tese: “a verdade que não nasce do amor pelo outro tende a se tornar apenas instrumento de poder.”</p>
<p>A verdade como devoração criadora: <strong>Oswald de Andrade e o Modernismo</strong></p>
<p>O Modernismo brasileiro, com Oswald de Andrade à frente, propôs outra forma de coragem: a de recusar a verdade importada e pronta, &#8220;devorando&#8221; as influências estrangeiras para produzir algo genuinamente brasileiro. A Antropofagia é, em essência, uma declaração de que a verdade cultural de um povo não se recebe passivamente — constrói-se com irreverência e risco. Tarsila do Amaral, na pintura, faz o mesmo gesto: distorce proporções, inventa cores impossíveis, para revelar um Brasil que a representação acadêmica europeia não conseguia ver. Também Cândido Portinari, em murais como os de Guerra e Paz, usa a arte para dizer verdades sobre o sofrimento coletivo que os discursos oficiais preferiam calar.</p>
<p><strong>Machado de Assis:</strong> a verdade sob a máscara da ironia</p>
<p>Machado de Assis ensina que, em uma sociedade avessa a confrontos diretos, a verdade às vezes só pode ser dita de esguelha. A ironia machadiana em obras como “Memórias Póstumas de Brás Cubas” desnuda a hipocrisia da elite brasileira sem jamais elevar a voz — e essa é também uma forma de coragem: a de quem vê com clareza implacável e escolhe expor, através do humor, aquilo que os poderosos preferem esconder de si mesmos.</p>
<p><strong>Conclusão</strong>:</p>
<p>A verdade como ética do cuidado, é o que une Cabral e Rosa, Clarice e Graciliano, Freire e Oswald, Machado e Portinari, é a recusa comum a duas tentações: a mentira que protege e a verdade que fere sem necessidade. Entre esses dois extremos, a tradição brasileira aqui reunida ensina algo raro, que dizer a verdade bem dita, no tempo certo, com a forma justa, é uma das expressões mais altas do amor. Não há verdade genuína que não implique risco: risco de errar, de se expor, de perder a segurança da ambiguidade confortável. E não há amor verdadeiro que se sustente sobre mentiras protetoras. A luta pela verdade, portanto, não é combate frio de argumentos: é travessia, é cuidado, é a recusa corajosa de trair, com palavras fáceis, aquilo ou aquele, que se ama.</p>
<blockquote>
<pre>Maria Luiza Saraiva de Morais
Pedagoga, escritora e advogada

</pre>
</blockquote>
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		<title>Crônica de vida e sentimento &#8211; vista do vazio entre o sonho e a realidade, por Cláudia Guerra</title>
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		<dc:creator><![CDATA[culturanordestina]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 30 Sep 2026 18:42:47 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cláudia Guerra]]></category>
		<category><![CDATA[Coletânea A luta pela verdade: um ato de amor e coragem]]></category>
		<category><![CDATA[Coletâneas]]></category>
		<category><![CDATA[A luta pela verdade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Era um cenário lúgubre. Um terraço estreito, longo e mal iluminado, com poltronas e sofás antigos com estofados de tecido estampado e triste.  Parecia que as luzes não tinham forças para iluminar e, conformadas, limitavam-se a sombrear o caminho.  Havia cadeiras empalhadas e encardidas, com almofadas deformadas e seus forros amarelados,  que escondiam histórias ouvidas [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Era<span style="font-weight: 400;"> um cenário lúgubre. Um terraço estreito, longo e mal iluminado, com poltronas e sofás antigos com estofados de tecido estampado e triste. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Parecia que as luzes não tinham forças para iluminar e, conformadas, limitavam-se a sombrear o caminho. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Havia cadeiras empalhadas e encardidas, com almofadas deformadas e seus forros amarelados,  que escondiam histórias ouvidas e continham silêncios entre seus braços.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os móveis, pesados, inertes e escuros nos olhavam desconfiados. Pareciam conformados com o lugar que ocupavam há muito tempo desde que foram colocados ali condenados a fazerem parte desse ambiente para sempre.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Atravessando o corredor sempre do mesmo jeito, no fundo, chegávamos a um um sofá, almofadado, pesado, enraizado, cuja madeira já acinzentada, entregava sem querer a sua antiguidade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Convidados a sentar, após os cumprimentos iniciais, começava então a enfadonha conversa.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Somente ela, a criança, tal como os móveis, calada, observava os olhares, sorrisos sem graça e dos assuntos que não lhe interessavam, pouco entendia. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sabia apenas que era o último dia de suas férias escolares e que sua mãe estava com ela, e logo iriam se separar, pois, no dia seguinte viajaria para o interior onde morava, até as próximas férias em que se encontrariam novamente.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ela não conseguia compreender o por que de todas as vezes, às vésperas de se despedir da sua mãezinha, tinha que ir a esse lugar, passar por aqueles móveis, naquela penumbra e ver essas pessoas estranhas das conversas sem graça.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Depois, a despedida e a realidade. Era sempre assim.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Terminada a visita em que pouco falara, e que achava até nem ter sido vista, se despediam e  voltavam pra casa. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Como entender aquilo tudo, e por que tinha que estar ali, sem deixar de sentir um frio estranho na barriga, a sensação de vazio e o desejo de fugir daquele lugar estranho e desagradável. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Até que um dia, sem qualquer explicação, como acordando de um pesadelo,  a menina não mais esteve  naquele lugar, com aquelas pessoas estranhas, restando apenas em sua lembrança, a sensação, por vezes, daquele vazio que sentia. </span></p>
<p>&nbsp;</p>
<blockquote><p><b>CLÁUDIA GUERRA</b><span style="font-weight: 400;"> é natural de Campina Grande e radicada em Recife desde 1975. Foi aluna do Colégio das Damas de 1964 a 1977, onde concluiu o curso médio de Desenhista de Arquitetura. Advogada, mestre e doutora em Engenharia Civil pela UFPE, foi empregada por 38 anos da CBTU &#8211; metrô do Recife. Mediadora lusófona, pelo ICFML em 2019. Poeta e escritora pós-graduada em Escrita Criativa pela Unicap/PUCRGS/2023. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Autora do livro de contos e poemas ilustrados “Aquih&amp;Acolah, pelo qual ganhou em 2022, o prêmio do Canal Arte Agora de Melhor Poetisa estreante no âmbito da FLIPPO. Autora do livro “Foi um dia… uma história… uma vez… com causos, fábulas e contos do Metrô do Recife” lançado na Bienal em Recife/2023. Autora do Livro Iluminações com Cláudia Guerra, lançado na bienal/2025. Coautora em dez coletâneas literárias, membro da Sobrames/PE e da União Brasileira de Escritores &#8211; UBE/PE. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É artista plástica, pintora, idealizadora e apresentadora do Programa Iluminações com Cláudia Guerra, no Canal Arte Agora no Youtube, cuja estreia se deu em outubro/2024 e foi eleito pela Câmara Brasileira de Cultura na categoria de Melhor Programa de arte de 2025 Idealizadora e mediadora no Projeto Literário (RE)Contando Histórias para Adultos do Programa 60+ de Cultura Nordestina Letras e Artes, em parceria com a Editora Ser Poeta.</span></p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Para participar da nossa Coletânea, <a href="https://webapp416285.ip-173-255-206-73.cloudezapp.io/blog/edital-coletanea-a-luta-pela-verdade/">clique aqui, leia o edital</a> e <a href="https://webapp416285.ip-173-255-206-73.cloudezapp.io/blog/edital-coletanea-a-luta-pela-verdade/#inscricoes">inscreva-se</a> <span class="">até </span><span class="">30 de setembro de 2026</span></strong></p>
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		<title>Universidade Federal de Pernambuco: 199 anos, por Flávio Brayner</title>
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		<dc:creator><![CDATA[culturanordestina]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 29 Sep 2026 14:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Coletânea A luta pela verdade: um ato de amor e coragem]]></category>
		<category><![CDATA[Coletâneas]]></category>
		<category><![CDATA[Flávio Brayner]]></category>
		<category><![CDATA[A luta pela verdade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A Universidade Federal de Pernambuco deu início, no dia 11 de agosto, às comemorações dos 199 anos do Curso Jurídico de Olinda (1827), posterior Faculdade de Direito do Recife (FDR), momento em que é fundado o primeiro curso jurídico do Brasil, sob a pena de Dom Pedro I. Uma rápida digressão histórica talvez seja necessária [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A Universidade Federal de Pernambuco deu início, no dia 11 de agosto, às comemorações dos 199 anos do Curso Jurídico de Olinda (1827), posterior Faculdade de Direito do Recife (FDR), momento em que é fundado o primeiro curso jurídico do Brasil, sob a pena de Dom Pedro I.</p>
<p>Uma rápida digressão histórica talvez seja necessária para compreender e oferecer sentido a este ato inaugural, situado na fronteira de nossas intenções de fundar um Estado Nacional, depois de 322 anos de permanência do sistema colonial português entre nós.</p>
<p>Em 1800 foi fundado, também em Olinda, o Seminário dos Jesuítas sob os auspícios do Bispo Azeredo Coutinho e tendo o Frei Miguelinho como orador da aula inaugural. Trata-se de um momento, ao mesmo tempo, fundador e insólito, na medida em que estavam sendo introduzidos ali, os ideais do Iluminismo francês pela Igreja &#8211; instituição participante do Pacto Colonial &#8211; defendendo as ideias de liberdade civil, de resistência à tirania, de igualdade entre os homens e de uma Vontade Geral expressa no conceito da Lei universal e positiva. Esse espírito também estará presente, algum tempo depois, na inauguração da universidade moderna, a de Berlim (1810), dando início a um modelo de Universidade que deveria se livrar de duas tutelas: a do Estado e a da Igreja, e aceitar apenas a da Ciência.</p>
<p>Já em 1820, eclode na cidade do Porto a chamada Revolução Liberal, um importante levante que culminará com a derrubada do absolutismo português e trará consequências para o Brasil. Com a instalação das Cortes de Lisboa, o Brasil vê a possibilidade histórica de enviar representantes com poder de decisão sobre os destinos do Brasil como estado nacional livre e, finalmente, assegurar o início de cursos superiores até então proibidos. Muniz Tavares, que terá forte atuação em 1824 na Confederação do Equador, e também deputado naquelas Cortes, propõe, então, a criação dos cursos jurídicos de Olinda, que Dom Pedro I instituirá em 11 de agosto de 1827, conjuntamente com a do Largo de São Francisco (São Paulo).</p>
<p>O que estará em jogo na institucionalidade de uma formação jurídica entre nós é a questão da formação do Estado Nacional, sobretudo após D. Pedro I ter dissolvido a Assembleia Constituinte de 1823 (Noite das Garrafadas) e outorgado uma Constituição. Assim, nosso primeiro marco de ordenamento jurídico foi resultado de um ato arbitrário e golpista!</p>
<p>No entanto, nossa primeira Universidade nasce em Olinda, ainda sob o signo de três fortes injunções coloniais: a ESCRAVIDÃO, O LATIFÚNDIO E A ECONOMIA VOLTADA PARA O MERCADO EXTERNO. Vejam a grave contradição que inaugura nosso primeiro balbucio de Estado Nacional: querer aliar pressupostos liberais e iluministas com a permanência da mais vil e ignominiosa relação social: a escravidão!</p>
<p>Nossas elites agrárias e escravistas conseguiram a “quadratura do círculo” e adotaram um liberalismo de inspiração lockeana: John Locke considerava que a propriedade antecedia a liberdade. Assim, como o escravizado era propriedade de um Senhor, seu direito à liberdade ficava suprimido por um direito anterior e preponderante, o da propriedade!</p>
<p>Inaugurada em 1827 e instalada no Mosteiro de São Bento (Olinda), nossa Universidade ainda demorará para livrar-se daquelas tutelas que a Universidade de Berlim exigia em seu memorando inaugural. E, assim, as formas jurídicas de contestação da herança colonial e de adequação à sociedade propriamente “moderna”, ainda tardarão.</p>
<p>Essas ideias também terão forte influência na chamada <strong>Escola do Recife</strong> (1870), onde nomes como Tobias Barreto, Sílvio Romero, Clóvis Beviláqua, Tito Rosas, Castro Alves e Rui Brabosa deixaram suas marcas na, agora, <strong>Faculdade de Direito do Recife</strong>. Fica clara a influência do Positivismo e do Spencerianismo nas ideias da Escola: um princípio de evolucionismo social que fará com que Sílvio Romero defenda o “branqueamento da raça brasileira”. Ou seja: ao mesmo tempo abolicionista e descrente na capacidade dos negros de promoverem processos civilizatórios. Uma instituição universitária banhada nas contradições culturais e ideológicas de sua época.</p>
<p>*   *   *</p>
<p>Em 1911, o edifício de estilo eclético com influência do neoclássico, projetado pelo arquiteto francês Gustave Varin, ficou pronto e abriga até hoje a instituição que aniversaria. Foi ali, nesse novo prédio, que um eminente membro da Escola do Recife, o professor Clóvis Beviláquia, foi um dos responsáveis pela elaboração de nosso primeiro Código Civil (1916) e a <strong>FDR</strong> (como a chamamos carinhosamente!) vai participar de todos os grandes momentos da vida política, institucional e jurídica de nossa história republicana: dos grandes embates políticos que marcaram o fim da Primeira República (1930), os conflitos com o estado de exceção varguista (1937-1945), a decisiva participação estudantil no processo de redemocratização, que levou à morte do líder estudantil Demócrito de Souza Filho (1921-1945), assassinado num comício na Pracinha do Diário.</p>
<p>Em 1946, as diversas Escolas, Faculdades e Institutos são reunidos na antiga <strong>Universidade do Recife</strong>, federalizada em 1965. Por aquela Universidade do Recife passaram nomes da mais alta importância em nossas Letras, Ciências Humanas e Exatas, Educação, Medicina que, sob o risco de cometer uma imensa injustiça, lembro alguns, incontornáveis: Manoel Correia de Andrade, Tânia Bacelar, José Antônio Gonsalves de Melo, Pelópidas da Silveira, Ariano Suassuna, Hermilo Borba Filho, Paulo Freire, Sérgio Rezende, Socorro Ferraz, Silke Weber, Manoel Caetano, Amaro Quintas, Arnaldo Marques, Naide Teodósio, Germano Coelho, Elyanna Caldas, Myrtha Carvalho, Milton Bacarelli, Jayme Diniz, Maria do Carmo Tavares de Miranda, Nilo Pereira&#8230;, nomes que marcaram sua época pela erudição, pelo empenho formativo e pela dedicação à instituição, inclusive na criação de novos cursos.</p>
<p>Não poderia, como professor que sou, deixar de falar do Patrono da Educação Nacional, <strong>Paulo Freire</strong>. O grande educador pernambucano formou-se pela <strong>FDR</strong> em 1947, mas nunca exerceu a profissão e dedicou-se à missão que o tornou mundialmente conhecido: a ação e a reflexão sobre a prática educativa. Em 1959, a pedido do então Reitor da Universidade do Recife,<strong> João Alfredo da Costa Lima</strong>, Freire criou o <strong>Serviço de Extensão Cultural</strong> que inaugurou a ideia de <strong>Extensão Universitária</strong> no Brasil e colocou a ciência e o saber produzidos pela Universidade pública ao alcance da sociedade e, sobretudo, dos mais necessitados. Em 1964, após o golpe civil-militar, Freire, e toda a equipe dirigente da antiga Universidade do Recife, foram cassados, expulsos, presos ou exilados.</p>
<p>Em 1965, os militares federalizam a Universidade do Recife, criando a <strong>Universidade Federal de Pernambuco (UFPE)</strong>, cujas escolas, institutos e faculdades estavam espalhados pelo centro da cidade. Com as agitações estudantis que marcaram o ano de 1968, quando os estudantes ocupavam a cidade em embates violentos com a polícia do então governador Nilo Coelho &#8211; depois membro desta Casa Legislativa &#8211; os militares decidiram agrupar todas as unidades, situadas no Centro da cidade, no então longínquo bairro do Engenho do Meio, onde encontram-se até hoje.</p>
<p>O aniversário de 199 anos da <strong>FDR</strong> significa, na verdade, o ato inicial criador de nossa <strong>UFPE</strong>, situada hoje entre as seis melhores universidades federais brasileiras, e a primeira do Norte e Nordeste. Sob o governo do Presidente Lula, a UFPE conheceu um amplo processo de expansão territorial e social: novos <em>campi</em> foram abertos no interior do Estado (expansão territorial) e suas portas foram abertas para aqueles segmentos sociais que se viram, ao longo de nossa história, preteridos e excluídos da vida e da experiência universitária (expansão social).</p>
<p>Sob o reitorado atual do Professor Alfredo Macedo Gomes, a <strong>UFPE</strong> hoje conta com 29 polos de apoio presencial em todo o estado, inclusive em Fernando de Noronha, sob a forma EaD. Anualmente ingressam mais de 7 mil alunos nos cursos presenciais, mil alunos nos cursos de pós-graduação e mais de 1.300 nos cursos à distância. Conta com 114 cursos de graduação, sob a coordenação de 87 Departamentos. Dispondo de um excelente parque tecnológico, interiorizado suas ações, ampliado o conceito de “diversidade” para receber e atender a pluralidade de expectativas e demandas sociais e culturais da região (quilombolas, povos indígenas, assentados do MST), a UFPE pode com orgulho ostentar seu dístico atual: <strong>EXCELÊNCIA NA DIVERSIDADE</strong>.</p>
<p>No momento em que as instituições da Cultura e da Educação estão sendo metódica e sistematicamente agredidas, e em especial as de ensino superior, precisamos da Universidade como garantia e âncora de uma vida nacional soberana e livre.</p>
<p>Caminhando para a conclusão desse panegírico comemorativo dos 199 anos de nossa Universidade, gostaria de dizer que uma Universidade é um dos poucos e privilegiados lugares onde uma Nação <strong>PENSA</strong> sobre si mesma e seu futuro: a metódica reflexão sobre seus destinos, os critérios que permitem escolher caminhos políticos e sociais, sua capacidade de orientar políticas públicas para a tomada de decisões baseadas nos princípios da <strong>AUTONOMIA, </strong>da<strong> DEMOCRACIA </strong>e da<strong> SOBERANIA</strong>, e formar quadros que garantirão a continuidade de um processo civilizatório: é nela onde tais princípios são praticados, ensinados e difundidos.</p>
<p>Uma <strong>UNIVERSIDADE</strong> é um <strong>MODO DE VIDA</strong>, que garante que nossos antepassados não passaram, estão “entre nós” e que formaremos homens e mulheres preocupados em dar continuidade a uma <strong>memória</strong> e a uma <strong>esperança</strong>.</p>
<p><strong>UMA UNIVERSIDADE É O LUGAR ONDE DECIDIMOS SE AMAMOS SUFICIENTEMENTE O MUNDO PARA PERMITIR A SUA CONTINUIDADE</strong>!</p>
<p>&nbsp;</p>
<blockquote><p>Flávio Henrique Albert Brayner é doutor e pós-doutor pela Sorbonne (Paris V), professor emérito da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e ex-professor convidado da Universidade de Montpellier (França).</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Brumadinho e Minha origem clama, por Conceição Patrício</title>
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		<dc:creator><![CDATA[culturanordestina]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 22 Sep 2026 14:10:18 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Coletânea A luta pela verdade: um ato de amor e coragem]]></category>
		<category><![CDATA[Coletâneas]]></category>
		<category><![CDATA[Conceição Patrício]]></category>
		<category><![CDATA[A luta pela verdade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>BRUMADINHO Compelida a não pensar, Em vida morro! Lobotomia da besta fera que era. Que era? Ainda o sou. Tanta vida, amor e dor. Esse ontem me custou caro: Milhões, euros, dólares, ienes, libras&#8230; No passado, a minha moeda brasil: cruzeiros, cruzados, cruzados novos, reais!!! Indo tudo pelo ralo&#8230; Ah, rejeitos do que foi precioso [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>BRUMADINHO</p>
<p>Compelida a não pensar,</p>
<p>Em vida morro!</p>
<p>Lobotomia da besta fera</p>
<p>que era.</p>
<p>Que era? Ainda o sou.</p>
<p>Tanta vida, amor e dor.</p>
<p>Esse ontem me custou caro:</p>
<p>Milhões, euros, dólares,</p>
<p>ienes, libras&#8230;</p>
<p>No passado, a minha</p>
<p>moeda brasil:</p>
<p>cruzeiros, cruzados,</p>
<p>cruzados novos, reais!!!</p>
<p>Indo tudo pelo ralo&#8230;</p>
<p>Ah, rejeitos</p>
<p>do que foi precioso em mim,</p>
<p>Nunca será mar,</p>
<p>Nunca se tornará,</p>
<p>mar de lama!!!</p>
<p>Da lá ô lama&#8230;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Viver, viver, viver.</p>
<p>Gratidão. Namastê.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>MINHA ORIGEM CLAMA</p>
<p>Guardo meus filhos,</p>
<p>Permeio o universo.</p>
<p>Flui com força a natureza,</p>
<p>sou extensão dos elementos</p>
<p>Água, fogo, terra e ar.</p>
<p>Abraço com meu corpo</p>
<p>o que resta da devastação.</p>
<p>Eu, te chamo, mãe-terra,</p>
<p>diante dos obscuros fenômenos,</p>
<p>Indecifráveis sujeitos</p>
<p>que na espreita&#8230;</p>
<p>Riscam um fósforo,</p>
<p>e as grandes máquinas</p>
<p>Devoram a Terra.</p>
<p>Buscam preciosidades.</p>
<p>Deusa mãe, reges grande sintonia,</p>
<p>E no silêncio da noite,</p>
<p>te ouvimos&#8230;</p>
<p>O canto dos povos originários</p>
<p>pela subsistência,</p>
<p>cantos preciosos e persistentes</p>
<p>de um povo sem</p>
<p>suas águas,</p>
<p>suas casas,</p>
<p>suas caças,</p>
<p>querendo chão&#8230;</p>
<p>Os seus rios, água, vida,</p>
<p>invadidos por uma espuma branca,</p>
<p>um líquido vermelho químico&#8230;</p>
<p>Exterminam a saúde, dignidade e</p>
<p>peixes boiam&#8230;</p>
<p>Cobrem toda a superfície do rio.</p>
<p>Sem oxigênio,</p>
<p>não existe retro-alimentação.</p>
<p>Veneno para o peixe,</p>
<p>fome sem o pão.</p>
<p>&nbsp;</p>
<blockquote><p><strong>Conceição Patrício</strong></p>
<p>Poeta, Artista Plástica e Arte Educadora, de Recife-PE, Nordeste do Brasil. Contemplo a arte com a poesia, pedagogia e artes plásticas numa abordagem imagética do cotidiano, onde a poesia é o desenho das letras, dando cor para ela com minha emoção. Me integro e me entrego ao que escrevo, sou terra, água, fogo e ar. Amo todas as expressões artísticas e às contemplo com minha verve poética, pois poesia para mim é o meu respiro, onde aspiro e me inspiro, louvando a criação com icônicos elementos.</p>
<p>Premiada com o Oscar Literário pela COMPOSE Edições Literárias na categoria Poesia Pernambucana de 2024</p>
<p>Homenageada pelo Sarau Diversos como poeta e artista plástica</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
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		<item>
		<title>Em busca da verdade, por Remilton José de Melo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[culturanordestina]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 17 Sep 2026 18:16:01 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Coletânea A luta pela verdade: um ato de amor e coragem]]></category>
		<category><![CDATA[Coletâneas]]></category>
		<category><![CDATA[Remilton José de Melo]]></category>
		<category><![CDATA[A luta pela verdade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Buscar a verdade talvez seja uma das tarefas mais antigas e, ao mesmo tempo, mais inacabadas do ser humano. Há algo de paradoxal nessa busca: desejamos encontrar uma resposta definitiva, mas cada resposta séria parece abrir uma nova pergunta. A verdade, quando tratada com rigor, não encerra o pensamento. Obriga-o a continuar. Platão já distinguia [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Buscar a verdade talvez seja uma das tarefas mais antigas e, ao mesmo tempo, mais inacabadas do ser humano. Há algo de paradoxal nessa busca: desejamos encontrar uma resposta definitiva, mas cada resposta séria parece abrir uma nova pergunta. A verdade, quando tratada com rigor, não encerra o pensamento. Obriga-o a continuar.</p>
<p>Platão já distinguia os modos pelos quais nos aproximamos do conhecimento. Entre eles, a dianoia ocupa um lugar que me interessa particularmente: o pensamento discursivo, aquele que avança por hipóteses, relações e demonstrações. Não é ainda a contemplação absoluta da verdade, mas também não é mera opinião. É caminho. Talvez seja exatamente nesse espaço intermediário que vivamos: entre aquilo que acreditamos saber e aquilo que ainda precisamos demonstrar.</p>
<p>Sócrates transformou a consciência da própria ignorância em força intelectual. Descartes, muitos séculos depois, fez da dúvida um método. Duvidar, nesse sentido, não significa desistir da verdade, mas recusar a facilidade da certeza. O “penso, logo existo” procura um ponto que resista à demolição de todas as crenças anteriores. Entretanto, mesmo a certeza cartesiana não encerrou o problema. Ao contrário: abriu novas questões sobre o sujeito, o corpo, a consciência e os limites da razão.</p>
<p>Freud deslocou novamente esse sujeito ao mostrar que não somos inteiramente transparentes para nós mesmos. Se parte importante de nossa vida psíquica escapa à consciência, a busca da verdade precisa também desconfiar daquele que busca. Nietzsche levou a suspeita ainda mais longe ao interrogar os valores, os interesses e as perspectivas escondidas atrás das afirmações que se apresentam como definitivas. Schopenhauer, por sua vez, recorda-nos que a razão não reina sozinha: desejo e vontade participam profundamente da maneira como existimos e interpretamos o mundo.</p>
<p>A ciência acrescentou outra exigência: nenhuma explicação deve ser protegida contra a possibilidade de ser corrigida. O conhecimento científico cresce justamente porque aceita a provisoriedade. Uma hipótese ganha força não porque desejamos que seja verdadeira, mas porque resiste, enquanto puder, à observação, ao confronto e à crítica. Quando novos dados aparecem, a honestidade intelectual exige revisão.</p>
<p>A neurociência torna essa questão ainda mais fascinante. Aquilo que chamamos percepção não é uma fotografia neutra do mundo. O cérebro seleciona, organiza e interpreta sinais; a memória reconstrói; experiências anteriores interferem no presente. Isso não significa que toda verdade seja impossível ou que tudo seja apenas opinião. Significa que precisamos conhecer também os instrumentos com os quais procuramos conhecer. O observador faz parte do problema.</p>
<p>Por isso, não considero a verdade uma propriedade pessoal. Ninguém a possui como quem guarda um objeto. Podemos aproximar-nos dela por argumentos melhores, evidências mais fortes e perguntas mais precisas. Podemos também afastar-nos quando confundimos convicção com demonstração, autoridade com prova ou repetição com conhecimento.</p>
<p>Há, portanto, uma ética na busca da verdade. Ela exige coragem para defender uma ideia, mas exige coragem ainda maior para abandoná-la quando os fatos a contradizem. Exige humildade para dizer “não sei” sem transformar a ignorância em vergonha. Exige também resistência diante das certezas confortáveis, sobretudo quando elas nos favorecem.</p>
<p>Talvez a verdade seja menos um lugar de chegada do que um horizonte. Caminhamos em sua direção sabendo que nossa condição humana é limitada, histórica e falível. Isso não torna a caminhada inútil. Torna-a necessária. Se não posso possuir a verdade absoluta, posso ao menos recusar conscientemente a mentira, examinar minhas certezas e corrigir meus erros.</p>
<p>Depois de tantos filósofos, cientistas e perguntas, continuo sem uma fórmula final. E talvez essa ausência seja parte da resposta. A busca da verdade permanece viva enquanto nenhuma resposta estiver autorizada a proibir a próxima pergunta. Hoje estou mais próximo dela do que ontem, porque ainda sou capaz de perguntar.</p>
<p>&nbsp;</p>
<blockquote><p><strong>Remilton José de Melo</strong> é psicanalista clínico, professor de Educação Física e psicomotricista. Licenciado em Educação Física pela Universidade de Pernambuco, possui pós-graduação em Psicomotricidade e mestrado em Psicanálise. Dedica-se ao estudo das relações entre psicanálise, filosofia, neurociência e consciência, campos que também orientam sua produção ensaística e literária.</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Verdade, coragem e amor, por Josete Cavalcanti</title>
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		<dc:creator><![CDATA[culturanordestina]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 17 Sep 2026 18:03:31 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Coletânea A luta pela verdade: um ato de amor e coragem]]></category>
		<category><![CDATA[Coletâneas]]></category>
		<category><![CDATA[Josete Cavalcanti]]></category>
		<category><![CDATA[A luta pela verdade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Os pensadores e filósofos, desde a pré-história, buscavam respostas para suas interrogações e, muitas vezes, não alcançavam seus objetivos. As ideias eram contraditórias ou seguiam em diferentes direções, enriquecendo, com isso, o aprendizado sobre os mais diversos assuntos. Ao longo do tempo, a busca pela verdade percorreu os mais variados caminhos. Em alguns momentos, porém, [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Os pensadores e filósofos, desde a pré-história, buscavam respostas para suas interrogações e, muitas vezes, não alcançavam seus objetivos. As ideias eram contraditórias ou seguiam em diferentes direções, enriquecendo, com isso, o aprendizado sobre os mais diversos assuntos.</p>
<p>Ao longo do tempo, a busca pela verdade percorreu os mais variados caminhos. Em alguns momentos, porém, foi influenciada pela disputa de egos e pelo desejo de poder, distorcendo e prejudicando o verdadeiro objetivo das pesquisas.</p>
<p>Por outro lado, esse movimento também fortaleceu aqueles que não sentiam a necessidade de ter suas vaidades exaltadas. Com humildade e a simplicidade própria dos sábios, recomeçavam suas pesquisas sem busca de novos resultados. Assim, promoviam a ampliação do conhecimento e contribuíam para tornar o ser humano cada vez mais evoluído.</p>
<p>É interessante perceber como a verdade interfere profundamente no comportamento humano.</p>
<p>Por trás da defesa da verdade, pode existir um sentimento de soberba: “Eu estou certo, você está errado”. A partir daí, surge uma gama de artifícios utilizados por aqueles que defendem, com unhas e dentes, suas convicções, mesmo quando elas nem sempre são coerentes com a realidade dos fatos.</p>
<p>Será que calar não seria, em alguns momentos, o comportamento mais sensato de quem não está interessado em provar nada, mas apenas em preservar seu ponto de vista? O silêncio pode incomodar aquele que insiste em dar a última palavra à discussão, como se isso fosse uma questão de honra. Essa inflexibilidade pode fazer com que se perca muito ao longo da vida, principalmente porque o ser humano é dinâmico e está em constante transformação.</p>
<p>É preciso manter o centro do nosso ser para não perdermos a coerência com nossas convicções. No entanto, ser fiel aos nossos valores não significa fechar os olhos para novas possibilidades. Fugir da verdade não nos fortalece. Muitas vezes, são os nossos medos — inclusive o medo de desagradar aqueles que estão ao nosso lado — que dificultam a descoberta de novos paradigmas e a ressignificação de antigos padrões.</p>
<p>Em relação à ciência, esse movimento de busca pela verdade promoveu a evolução do ser humano e ampliou uma fonte imensurável de conhecimentos. A partir dessa busca, surgiram respostas para necessidades diversas, desde os avanços da medicina e da tecnologia até a descoberta de novos parâmetros para a preservação da espécie.</p>
<p>A tranquilidade é conquistada pela paz. É ela que nos permite recuar quando necessário, adiar decisões e conter nossos impulsos, sem que isso signifique abandonar nossas convicções. Ao mesmo tempo, precisamos estar dispostos a quebrar paradigmas, porque somente assim poderemos construir nosso caminho de maneira segura e corajosa.</p>
<p>Para professar nossa verdade interior de maneira clara, é necessário desenvolver coragem. Uma coragem alicerçada nos mais sólidos valores adquiridos durante uma vida de idas e vindas, derrotas e conquistas — experiências que tornam cada ser humano único.</p>
<p>E qual seria, então, o papel do amor para completar essa trilogia: verdade, coragem e amor?</p>
<p>Talvez esteja na leveza da aceitação, que nos permite enfrentar as disputas de poder sem nos sentirmos humilhados. Está na capacidade de compreender o outro com ternura e, a partir dessa compreensão, descobrir a importância e o verdadeiro valor de amar e ser amado.</p>
<p>Buscar a verdade exige coragem, mas é o amor que pode nos ensinar a vivê-la sem ferir o outro. É ele que traz leveza à verdade e serenidade à coragem.</p>
<p>Assim, podemos ser seres de luz, iluminando caminhos e irradiando a paz.</p>
<p>&nbsp;</p>
<blockquote><p><strong>Josete Cavalcanti</strong></p>
<p>Nascida em fevereiro de 1952, no Recife. Exerce a profissão de psicóloga há várias décadas, e tem como seu maior compromisso procurar entender a alma humana. Seu grande sonho é que as crianças descubram o valor da leitura e com isso alimentem seus sonhos.</p>
<p>Publicações e participações:</p>
<p>“Um raio de Sol, um pouco de Luz pra Você”. Editora Bagaço. 2001. Pela Novoestilo Edições do Autor: Tanto Faz Não! Para mim só o Melhor. 2004; A Desculpa de Eva e a sua libertação. 2005; Ilha de Itamaracá &#8211; Histórias e Lendas. 1ª, 2ª e 3ª edições: 2013; Cadeira Vazia – Sente-se e viva 1ª, 2ª e 3ª edições: 2020; Floresta: Gerações em busca de paz. 2021; Raio de Sol, um pouco de luz para você – Edição comemorativa 25 anos.</p>
<p>Coletâneas: “Seleções do Século XXI – Contos e Crônicas”. Org. Salete Rêgo Barros e “Um Grito pelo Capibaribe”. Organização: Salete Rêgo Barros e Geraldo Ferraz; Antologia do Natal – Noite Feliz; Antologia do São João &#8211; Olha Pro Céu Meu Amor e Antologia do Carnaval &#8211; Oh! Quarta feira Ingrata. Organizadores: Telma Brilhante e Cássio Cavalcante. Antologia dos X Mandamentos (2019) Participação VIII Mandamento e Bate-papo Literal. Organizador: Cássio Cavalcante.</p>
<p>Coletâneas da Novoestilo Edições do Autor. Org. Salete Rêgo Barros: Cartas a Monteiro Lobato (2019). Destaque Artístico-literário da Cultura Nordestina (2021-2022); Fome de Quê? (2023); Gaia: a deusa mãe (2024); Consciência: para que te quero? (2025). Agenda do Poeta &#8211; várias edições.</p>
<p>HOMENAGEM</p>
<p>Prêmio em 2011 Mulheres que Mudaram a História de Pernambuco, 7ª Edição Pernambuco / 2011 – org. Carlos Bezerra Cavalcanti; Jardim das Letras UBE PE. Coordenadora: Jair Fonseca Martins.</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Verdade, amor e liberdade: o tripé que salva, por Eva Salustiano</title>
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		<dc:creator><![CDATA[culturanordestina]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 17 Sep 2026 14:27:09 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Coletânea A luta pela verdade: um ato de amor e coragem]]></category>
		<category><![CDATA[Coletâneas]]></category>
		<category><![CDATA[Eva Salustiano]]></category>
		<category><![CDATA[A luta pela verdade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A luta pela verdade nunca é por ódio, mas em nome do amor. É preciso coragem para amar a verdade, porque ela nem sempre agrada, não grita, ilumina. E iluminar dói nos olhos acostumados com o escuro. Falar a verdade é um ato de amor por quem veio antes e foi silenciado, e por aquele [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A luta pela verdade nunca é por ódio, mas em nome do amor. É preciso coragem para amar a verdade, porque ela nem sempre agrada, não grita, ilumina. E iluminar dói nos olhos acostumados com o escuro.</p>
<p>Falar a verdade é um ato de amor por quem veio antes e foi silenciado, e por aquele que surge depois e merece um chão limpo para pisar. É amor por essa terra seca e bonita, que mesmo rachada, não mente sobre o que é.</p>
<p>Vivemos tempos barulhentos, de pressa e distração. Uma cultura apressada, depressiva e incapaz de encontrar sentido. Muitos preferem o conforto da mentira cômoda ao compromisso da verdade que liberta. Não conseguem fazer silêncio, nem dão conta de pensar sobre si mesmas e sentem dificuldade em olhar nos olhos dos demais.</p>
<p>Todavia, o amor jamais é solitário nem vive distante da verdade. Quem ama com sinceridade não passa pano, não esconde, não se vende.</p>
<p>A liberdade não cai do céu. Conquista-se com suor, voz e coragem. É semente que se planta mesmo em terra seca acreditando na água que mora na profundeza. É o grito que não cala apesar de envolto medo.</p>
<p>Lutar pela liberdade é dizer “não” às correntes; é abrir janela onde só tinha muro; é ensinar o filho andar de cabeça erguida; é lembrar que ninguém nasceu para cabresto.</p>
<p>Liberdade não é fazer o que se deseja. É ter o direito de ser quem se é. É poder plantar, colher, rezar, falar e sonhar sem pedir permissão ao medo.</p>
<p>A liberdade dói, porque exige escolha e responsabilidade. Porém, a escravidão dói mais, pois mata a alma da vida. Na história da humanidade, a arte de escravizar o outro é antiga. Os Impérios de uma época precisavam de gente para ampliar seus exércitos e para o trabalho de construção. Um povo vence e subjuga o vencedor. Há situações também de compra e venda de pessoas para os diversos trabalhos e situações de escravidão. Até hoje, ainda existem situações de tráfico de pessoas para o trabalho, o prazer e para a venda de órgãos. É uma tragédia que movimenta muito dinheiro e extermina o dom da vida de muita gente.</p>
<p>Por isso, toda verdade dita com amor é liberdade. E toda liberdade conquistada com coragem é amor. Amor não tem preço, nem peso, nem cor; somente ele salva a humanidade. Não é preciso ser rico, ter bens preciosos para poder doar ou ser branco para ser humano de verdade. Doar não é se liberar de sobras, mas deve ser um ato de amor.</p>
<p>Ter coragem de dizer a verdade é ficar de pé quando seria mais fácil se ajoelhar. É estender a mão mesmo quando o outro só oferece o punho. A vida nem sempre nos brinda com situações fáceis. As adversidades nos provocam e exigem de nós atitudes novas. O poema de Drummond (1928) “No meio do caminho” fala de um obstáculo, a pedra, que nunca sai da frente, não some, o caminho nunca fica livre.</p>
<p>Vivemos experiências fragmentadas que nos impedem de ver a beleza da vida, da oração e da ação, do compromisso e da empatia com o sofrimento alheio. Mas quem encontra sentido de viver, vai sempre lutar pela vida, em qualquer circunstância. As pessoas resilientes, mesmo em situações de dor e sofrimento, reagem às dificuldades de forma construtiva, buscando soluções e tirando lições das experiências. Que a nossa luta não seja só por nós, mas pelos que vieram antes e não puderam, e pelos que virão e merecem um mundo mais leve. Porque o mundo precisa de voz que fala de gratidão e de liberdade.</p>
<p>&nbsp;</p>
<blockquote><p><strong>EVA</strong> Medeiros de Matos <strong>SALUSTIANO</strong> é natural de Currais Novos/RN. Graduada em Letras e Especialista em Literatura Luso-brasileira pela UFRN, é Professora de Língua Portuguesa, poetisa, escritora, biógrafa, cordelista, trovadora, pesquisadora e outros. Publicou vários folhetos de cordéis; além de livros solo, é coautora de antologias nacionais e internacionais; Membra da Associação Literária e Artística de Mulheres Potiguares – ALAMP; Casa do Cordel/Natal; Cordel das Rosas/PB; União Brasileira dos Escritores do Rio Grande do Norte – UBE; Academia Currais-novense de Artes e Letras – ACAL; Academia de Artes Ciências e Letras do Brasil – ACILBRAS; Academia Feminina Sul-mineira de Letras – AFESMIL; Institut Cultive Suisse Brésil.</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
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		<item>
		<title>Falsas verdades e O que pode ser verdadeiro, por Bernadete Bruto</title>
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		<dc:creator><![CDATA[cultur55_wp]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 14 Sep 2026 18:47:25 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Bernadete Bruto]]></category>
		<category><![CDATA[Coletânea A luta pela verdade: um ato de amor e coragem]]></category>
		<category><![CDATA[Coletâneas]]></category>
		<category><![CDATA[A luta pela verdade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>FALSAS VERDADES Estou cheia das verdades alheias muros que cercam um único modo de ser de viver de ver o mundo. Estou cheia dessas verdades que fecham portas rejeitam outros caminhos dessas bandeiras agitadas ao vento muitas vezes escondidas por trás do manto de Deus um amor que tem dono uma fé construindo montanhas......... E [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><strong>FALSAS VERDADES</strong></p>
<p>Estou cheia<br />
das verdades alheias<br />
muros que cercam<br />
um único modo de ser<br />
de viver<br />
de ver o mundo.</p>
<p>Estou cheia<br />
dessas verdades<br />
que fecham portas<br />
rejeitam outros caminhos<br />
dessas bandeiras<br />
agitadas ao vento<br />
muitas vezes escondidas<br />
por trás do manto de Deus<br />
um amor que tem dono<br />
uma fé</p>
<pre>construindo montanhas......... E eu ainda sonho
                                              com espaços sem                                                                                                                                                                                                                                                 <span style="color: #ffffff;">donos da verdade</span>                 donos da verdade
                                              com o amor verdadeiro
                                              abrindo janelas
                                              com um tempo
                                              para escutar o outro
                                              para caminhar lado a lado
                                              para conviver
                                              pacífica Mente
                                              rios diferentes
                                             se encontrando no verde mar
                                             do meu país.</pre>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>O QUE PODE SER VERDADEIRO</strong></p>
<p>Ah mentirinha deslavada! Passou por aqui correndo como uma criança trelosa de pernas curtas inventando um monte de histórias! Bichinha perigosa e inconsequente! Quando se espalha, fica quase impossível desmenti-la&#8230; Vai terminar indo de cara com a senhora verdade, aquela mulher rígida com dedo em riste traçando um fio reto no mapa para apontar um único caminho, uma verdade e uma vida.. Deus que me livre de encontrar com essas criaturas sinistras pelo caminho! Já vou mudando de pensamento, de vibração.</p>
<p>Quero estar longe dessa mentira que passa ligeira inventando realidades paralelas. Depois do estrago feito, resta uma mentira cabeluda crescendo no boca-a-boca, como as longas tranças de Rapunzel. Quem foi caluniado(a) passa a vida inteira precisando justificar sua conduta… E não me venha com essa carinha falsa se fingindo de inocente! A mentirosa intenção envenenou a opinião pública e poucos conseguem se libertar desta situação.</p>
<p>Há muito tempo me ensinaram que a verdade é uma só. Que mais cedo ou mais tarde ela há de aparecer. Poucos casos são bem resolvidos, por conta de uma única mentira. Mas a senhora verdade lá no alto da sua certeza irrevogável é outra entidade perigosa!</p>
<p>Quero distância dessa verdade dura, que não arrisca uma mentirinha leve, que não tem piedade do que expõe. Que não pondera diante de outras opiniões. Lá do alto do seu púlpito pode decidir sobre a vida de outrem, pelo seu mal, sem ponderações. <em>Eu estou certa e você está errado.</em> Como no tempo de Moisés. Naquele tempo, uma palavra proferida poderia ser a sentença de morte para outrem. Ainda hoje pode ser assim. Depois de largada uma verdade absoluta sobre alguém, sobre um fato, um ato, como um martelo batido pelo juiz, foi selada uma verdade.</p>
<p>Na verdade, se me permite falar assim, nem sempre é o que parece… verdade e mentira estão circulando pelo ambiente, e um fio tênue as separa. Cabe a nós compreender que ninguém é dono da verdade. Penso ser um caminho que percorremos, entre dúvidas, certezas e diferentes maneiras de enxergar o mundo.</p>
<p>&nbsp;</p>
<blockquote><p>Bernadete Bruto é Metroviária, Especialista em RH, Escrita Criativa e Mestre em Design. Tem oito livros publicados, participação em diversas coletâneas, além de várias apresentações performáticas em eventos culturais e vídeos. É produtora do Podcast Salve Palavra, apresentadora do programa Palco Iluminado no Canal Arte Agora e facilitadora da oficina de expressão poética no Curso de Escrita Criativa Social organizado por Patrícia Tenório.</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
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