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	<title>Arquivos Associados &#8226; Cultura Nordestina</title>
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	<description>Letras &#38; Artes</description>
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	<title>Arquivos Associados &#8226; Cultura Nordestina</title>
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		<title>Reflexões sobre o suicídio, por Suzana Lopes Cavalcanti</title>
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		<dc:creator><![CDATA[cultur55_wp]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 10 Sep 2025 15:19:01 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Associados]]></category>
		<category><![CDATA[Blog]]></category>
		<category><![CDATA[Divulgação]]></category>
		<category><![CDATA[prevenção ao suicídio]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Recife, 10 de setembro de 2025 No dia dedicado à Prevenção ao Suicídio venho levantar algumas reflexões a respeito do assunto. Como uma pessoa que tentou por três vezes o suicídio, venho dar o meu testemunho do quão importante é a vida para a gente querer acabar com ela. Sem culpa e encarando o problema [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Recife, 10 de setembro de 2025</p>
<p>No dia dedicado à Prevenção ao Suicídio venho levantar algumas reflexões a respeito do assunto.</p>
<p>Como uma pessoa que tentou por três vezes o suicídio, venho dar o meu testemunho do quão importante é a vida para a gente querer acabar com ela.</p>
<p>Sem culpa e encarando o problema de frente, hoje eu entendo que estava bastante doente e que, por tamanha tristeza que atravessava, acreditava que a dor sentida naquele momento só a morte aliviaria. Mas, como eu estava enganada&#8230;</p>
<p>Toda a dor que houver nesta vida deve ser vivida mesmo que, para isso, precisemos nos anestesiar com remédios e muita psicoterapia ou psicanálise.</p>
<p>Na verdade, a depressão e a ansiedade são fruto de uma vida sem limites e de muito estresse, decorrente do sistema capitalista em que vivemos, onde nos falta, além de condições de sobrevivência, o convívio com afeto, carinho, ternura, compaixão e amor. Aí a corda sempre arrebenta do lado mais fraco: no caso, as almas largas que querem subverter a ordem.</p>
<p>Restam-nos o aparato do sistema com suas casas de recuperação, que mais parecem uma prisão, e os tratamentos em consultório ou CAPS, que resolvem o problema em parte, pois a causa da dor continua existindo, por não se tratar de um problema individual, mas coletivo.</p>
<p>Na maioria dos casos, tanto as pessoas ricas quanto as empobrecidas têm o sentido da vida ocultado, por não terem a clareza do amor que as trouxe até aqui.</p>
<p>Há pais ausentes, há pais inviáveis, há pais indiferentes quando o assunto é amar.</p>
<p>Essa palavrinha mágica: amor, precisa ser uma experiência de acolhimento e cuidado com cada ser humano, pois quem chega é uma bênção e uma esperança para o planeta Terra, tão carente de propósitos transformados em propostas de paz, amor e felicidade.</p>
<p>Uma sociedade só caminha para a liberdade se proporcionar a todos os seus filhos experiências de amor e cuidados genuínos, desde a mais tenra idade até a maturidade.</p>
<p>Vamos dar condições aos pais de criarem seus filhos com condições sócio-econômicas e espirituais de existência, e que em cada lar nasçam seres únicos e iluminados para serem humanizados pela família, escola e sociedade.</p>
<p>Nascemos como uma pedra bruta a ser lapidada com o amor dos pais e de toda a família, e também da sociedade. Sem isso não se formará o ser humano que irá modificar as condições de existência na Terra e no Cosmos.</p>
<p>Mas há uma luz no fim do túnel, pois cada &#8220;louco&#8221; que se cura enche de alegria e esperança a humanidade inteira, adoecida pela insanidade do poder que pratica a guerra em nome da paz.</p>
<p>No entanto, abre-se nas trevas um cenário luminoso que irradia serenidade e leveza, dando luz aos fundamentos epistemológicos da ciência do amor, que proverá tudo o que de bom possa existir para suprir de dignidade, amor e cuidados especiais todas as crianças, para que elas cumpram a sua missão aqui na Terra.</p>
<p>Cada ser que nasce vem com um propósito a ser desenvolvido, e a família e a sociedade precisam estar preparadas para, na unidade, ser criada uma metodologia onde cada indivíduo importa para o sistema, cujo fim deve ser uma vida abundante, plena e feliz para todos.</p>
<p>Que cada talento seja provido de tudo o que é necessário para enfim germinar a nação humana com seus bens e direitos realizados pelos governantes que estão em formação para o terceiro milênio.</p>
<p>Faça-se a luz, e que ela produza frutos doces e suaves no perfume.</p>
<p>Haja ciência!</p>
<p>&nbsp;</p>
<hr />
<p>Suzana Cavalcanti nasceu no Recife-PE na maternidade do Derby, filha biológica de Elzania Lopes Ramos e Paulo Casado Cavalcanti, e filha de criação de Josefa Severina Cavalcanti e José Casado de Araújo Cavalcanti.</p>
<p>Quando tinha 10 anos, seu sonho era ser cantora, mas desistiu a conselho do avô, que lhe orientou a estudar para ter uma profissão e um marido, que seria o seu trabalho, e então, só depois de formada, partir para outras áreas como a música e as artes pois, segundo ele, o artista precisa ser também um provedor, mascate do seu sustento.</p>
<p>Aos 17 anos queria ser psicóloga, mas a família a orientou dizendo que psicólogos ganhavam pouco, e que cuidavam de “doido”, desqualificando o seu propósito.</p>
<p>Aos 18 anos fez vestibular de comunicação social e habilitou-se em Jornalismo, Publicidade e Propaganda, e Radialismo, na Universidade Federal de Pernambuco. Tornou-se Jornalista polivalente.</p>
<p>Licenciou-se em Redação, Teoria e Técnica da Comunicação e Comunicação na Universidade Federal de Pernambuco.</p>
<p>É especialista em Educação e Cultura também pela Universidade Federal de Pernambuco.</p>
<p>Em 1991, obteve primeiro lugar no concurso da Universidade de Pernambuco &#8211; UPE, como professora de Técnicas de Redação, e concluiu os seus trabalhos na Universidade como docente na disciplina de Fundamentos Históricos e Filosóficos da Educação e da Educação Física.</p>
<p>Atualmente, planeja a criação do seu blog com artigos semanais para o público de todas as idades e classes sociais abordando temas como educação, cultura, arte, política, economia, ciência, antropologia, sociologia, filosofia e teologia. A partir de agora conta com o apoio irrestrito dos seus amigos e futuros leitores.</p>
<p>Seu sonho é construir um mundo onde os egos deem passagem às almas puras para, enfim, termos um novo mundo formado por seres humanos onde o amor brota do seu coração.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Fotografe artisticamente com celular, por Rivaldo Mafra</title>
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		<dc:creator><![CDATA[cultur55_wp]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 18 Nov 2024 17:04:03 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Associados]]></category>
		<category><![CDATA[Divulgação]]></category>
		<category><![CDATA[fotografia no celular]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Roteiro imaginativo Suponha que está num local com lago artificial e presença de diversas aves. Durante algum tempo, você contemplou as aves nadando na superfície do lago. Surgiu, então, o desejo de fazer uma foto. Você tem em mente que uma foto é “luz registrada em determinado momento”. Mas, fotografar o quê? Qual a intenção? [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Roteiro imaginativo</strong></p>
<p>Suponha que está num local com lago artificial e presença de diversas aves. Durante algum tempo, você contemplou as aves nadando na superfície do lago. Surgiu, então, o desejo de fazer uma foto. Você tem em mente que uma foto é “luz registrada em determinado momento”. Mas, <strong>fotografar o quê?</strong> Qual a intenção? Logo, vislumbra um cisne negro a certa distância. Teria surgido a intenção? Fazer a foto lhe pareceu fácil. Apontou a lente da câmera fotográfica do celular na direção da ave e rapidamente capturou a imagem (Fig. 1). A presença na foto das folhas de cor verde-pálido da planta, da linha curva sinuosa do canteiro e dos reflexos na superfície do lago lhe agradaram. De imediato, compartilhou a imagem com familiares, amigos e em redes sociais. Algo, porém, fez sentir que era possível expressar de forma mais criativa sua intenção. Começou, então, a imaginar <strong>como </strong>e em qual <strong>momento </strong>poderia fazer uma foto artística da ave. Decidiu esperar um pouco.</p>
<p>O cisne nadou para um local próximo de onde você estava. A luz do Sol poente iluminava diretamente parte do corpo da ave, tornando a cor das penas de tom amarelo com algumas estrias negras. O cisne, então, resolveu beber água. Com leve movimento da cabeça, inseriu o bico na água fazendo surgir pequena sombra e ondulações na superfície. Você sentiu que era ocasião de fazer a foto. Apontou a lente da câmera fotográfica do celular na direção da ave. Logo surgiu uma imagem da cena na tela do aparelho. Você, agora, fez o e<u>nquadramento</u>, destacando o corpo do cisne e a porção ondulada da superfície d´água. Em seguida, observou se o aparelho havia f<u>ocalizado</u> os elementos da imagem. Estavam nítidos.  Olhou mais uma vez para tela. O aparelho tinha determinado a <u>Exposição “Adequada”</u>.  Isto é, a imagem presente na tela não era nem muito escura nem muito clara em relação à cena. Tocou, então, firme na tela do aparelho para fazer a e<u>xposição</u>. Isto é, fez a captura da imagem em um “momento oportuno” de registro da luz.</p>
<p>A segunda foto está feita (Fig. 2). Você, libertando-se do <strong>“automatismo fotográfico” </strong>* (prática corriqueira nas fotos com celular), criou uma imagem que agradou ao olhar e provocou uma satisfação interior. Sua foto, agora, sugere a história de um cisne negro bebendo água, com parte do corpo iluminada por luz do Sol poente. Ainda mais, para sua satisfação, alguns aspectos artísticos da imagem resultaram da percepção sobre: a característica da luz do Sol – colorindo de amarelo com estrias levemente negras as penas do pescoço do cisne -; a forma distorcida da sombra &#8211; de parte do corpo da ave &#8211; na água; e o tom azul-cinza das ondulações na superfície do lago. Tudo isto, havia sido concretizado naquele “momento oportuno” de registro da luz.</p>
<p>Lançada ao mundo, você espera que a imagem atraia olhares e provoque sentimentos diversos.</p>
<p style="text-align: center;"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-medium wp-image-13876" src="https://webapp416285.ip-173-255-206-73.cloudezapp.io/wp-content/uploads/2024/11/1-240x300.jpg" alt="" width="240" height="300" />      <img decoding="async" class="alignnone size-medium wp-image-13877" src="https://webapp416285.ip-173-255-206-73.cloudezapp.io/wp-content/uploads/2024/11/2-225x300.jpg" alt="" width="225" height="300" srcset="https://culturanordestina.com.br/wp-content/uploads/2024/11/2-225x300.jpg 225w, https://culturanordestina.com.br/wp-content/uploads/2024/11/2.jpg 596w" sizes="(max-width: 225px) 100vw, 225px" /></p>
<p style="text-align: center;">Figura 1                                                      Figura 2</p>
<p>Olinda, 10/11/2024</p>
<p>*Termo criado por Leonardo Pastor (Dissertação de Mestrado -UFBA. 2016.)</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<item>
		<title>Homenagem a Dr. José Waldo, pela passagem do seu aniversário, por Suzana Cavalcanti</title>
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		<dc:creator><![CDATA[cultur55_wp]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 07 Apr 2022 14:38:08 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Associados]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Waldo, &#160; Celebrar o seu aniversário é motivo de muita alegria. Ainda mais quando acontece num domingo de Páscoa, onde é celebrada a ressurreição de Jesus, ocorrida após sua Crucificação no Calvário, conforme o Novo Testamento. Não poderia deixar passar em branco esta data, cuja importância advém do valor que eu dou a sua pessoa [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Waldo,</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Celebrar o seu aniversário é motivo de muita alegria. Ainda mais quando acontece num domingo de Páscoa, onde é celebrada a ressurreição de Jesus, ocorrida após sua Crucificação no Calvário, conforme o Novo Testamento.</p>
<p>Não poderia deixar passar em branco esta data, cuja importância advém do valor que eu dou a sua pessoa e presença afetuosa e profissional na minha vida.</p>
<p>Meu médico por 28 anos, meu amigo num momento de transição para a vida em equilíbrio, que representa para mim a própria cura.</p>
<p>Aproveito para agradecer todo o bem que me fez ao depositar confiança em minhas verdades.</p>
<p>Obrigada por seu bem querer, a mim e a minha família.</p>
<p>Além de médico consultor – bússola (segundo a minha mãe Elzania Lopes Ramos), é o meu melhor amigo.</p>
<p>O fim de um ciclo é o início de outro coincidindo com um momento muito rico em aprendizado para mim.</p>
<p>Você é o principal responsável pela minha plena felicidade, hoje.</p>
<p>No dia do seu aniversário, além de meus parabéns eu quero lhe desejar uma boa vida com saúde, paz, harmonia, amor, alegria, felicidade, honras e glória.</p>
<p>O sentimento que traduz o que eu sinto por você é amor. Cada um de nós entende como quer.</p>
<p>Se eu pudesse falar com Deus poderia para ele eternizar você em nome da sobrevivência da humanidade.</p>
<p>Fazer da medicina psiquiátrica uma arte não é para qualquer um.</p>
<p>Sua escuta amorosa e precisa dá sinais de libertação para nós pacientes/ clientes.</p>
<p>Só não escuta quem não quer.</p>
<p>Como humano que é deve ter defeitos, mas o bem que faz às pessoas e especialmente a mim e a minha família, supera as possíveis falhas que nunca existiram.</p>
<p>Tudo que disse e fez foi para o meu bem-estar e da minha família.</p>
<p>Gratidão, Dr. José Waldo Saraiva Câmara Filho, grande homem e nobre cidadão pernambucano – libertador de grandes sonhos.</p>
<p>Com você eu sou mais!!!!</p>
<p>Feliz Aniversário!!!!</p>
<p>Feliz Páscoa!!!!</p>
<p style="text-align: center;"><img decoding="async" class="alignnone size-medium wp-image-10891" src="https://webapp416285.ip-173-255-206-73.cloudezapp.io/wp-content/uploads/2022/04/suzana-300x300.jpg" alt="" width="300" height="300" /></p>
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			</item>
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		<title>Cícero Melo, por Virgínia Leal e José Luiz Mélo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[cultur55_wp]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 19 May 2021 14:52:04 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Associados]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Cícero Melo]]></category>
		<category><![CDATA[José Luiz Mélo]]></category>
		<category><![CDATA[Virgínia Leal]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Sempre que um de nossos familiares, colegas ou amigos morre, pensamos em Alberto da Cunha Melo e no denso “Canto dos Emigrantes”: Com seus pássaros ou a lembrança de seus pássaros, com seus filhos ou a lembrança de seus filhos, com seu povo ou a lembrança de seu povo, todos emigram. Pois é, o poeta [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div class="" dir="auto">
<div class="" dir="auto">
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<div class="qzhwtbm6 knvmm38d">
<div class="o9v6fnle cxmmr5t8 oygrvhab hcukyx3x c1et5uql ii04i59q">
<div dir="auto">Sempre que um de nossos familiares, colegas ou amigos morre, pensamos em Alberto da Cunha Melo e no denso “Canto dos Emigrantes”:</div>
<div dir="auto"></div>
</div>
<div class="o9v6fnle cxmmr5t8 oygrvhab hcukyx3x c1et5uql ii04i59q">
<div dir="auto">Com seus pássaros</div>
<div dir="auto">ou a lembrança de seus pássaros,</div>
<div dir="auto">com seus filhos</div>
<div dir="auto">ou a lembrança de seus filhos,</div>
<div dir="auto">com seu povo</div>
<div dir="auto">ou a lembrança de seu povo,</div>
<div dir="auto">todos emigram.</div>
<div dir="auto"></div>
</div>
<div class="o9v6fnle cxmmr5t8 oygrvhab hcukyx3x c1et5uql ii04i59q">
<div dir="auto">Pois é, o poeta alagoano, de União dos Palmares, Cícero Melo, emigrou&#8230; Fez a sua última viagem em direção ao azul abissal e absoluto do cosmos onde encontrará outros poetas &#8211; dentre eles, o conterrâneo Jorge de Lima. Enigmático em suas escolhas estilíticas. Ia das formas metrificadas e clássicas aos versos livres (ivres?). Um resultado de uma mente inquieta e magmática. Sim, mente cheia de lavas vindas lá do berço ocidental. Na mitologia, enraizou muitos de seus versos em belíssimos sonetos que ressignificam a nossa filogênese poética, conforme observamos neste poema, publicado em 2017, na “Pequena Antologia Poética”:</div>
<div dir="auto"></div>
</div>
<div class="o9v6fnle cxmmr5t8 oygrvhab hcukyx3x c1et5uql ii04i59q">
<div dir="auto">OS CAVALOS DA ALBA</div>
</div>
<div class="o9v6fnle cxmmr5t8 oygrvhab hcukyx3x c1et5uql ii04i59q">
<div dir="auto">Eu, guerreiro de um deus aqui banido,</div>
<div dir="auto">Nesta cela de sonhos acidulada</div>
<div dir="auto">Combato os dias vãos com rubra espada,</div>
<div dir="auto">Cavalgando corcéis de aceso olvido.</div>
</div>
<div class="o9v6fnle cxmmr5t8 oygrvhab hcukyx3x c1et5uql ii04i59q">
<div dir="auto">Renasço sempre ao sul da madrugada</div>
<div dir="auto">Meus cavalos de luz de um sol partido,</div>
<div dir="auto">Quando a noite decai sem um gemido</div>
<div dir="auto">Forjando do inimigo a face alada.</div>
</div>
<div class="o9v6fnle cxmmr5t8 oygrvhab hcukyx3x c1et5uql ii04i59q">
<div dir="auto">Guerreio sempre ao claro a fera esquiva,</div>
<div dir="auto">Aquela cuja garra a morte imana</div>
<div dir="auto">Em sal e sangue, sândalo e saliva.</div>
</div>
<div class="o9v6fnle cxmmr5t8 oygrvhab hcukyx3x c1et5uql ii04i59q">
<div dir="auto">Mas é de acontecer, enquanto se ama,</div>
<div dir="auto">Que, guerreiro, me quede a adaga ativa,</div>
<div dir="auto">Quando vibrante o coração me inflama.</div>
</div>
<div class="o9v6fnle cxmmr5t8 oygrvhab hcukyx3x c1et5uql ii04i59q">
<div dir="auto">Mas não apenas de retornos mitológicos vivia. Vejam que belíssimo soneto metalinguístico, ainda na mesma publicação, “ Pequena Antologia Poética”:</div>
<div dir="auto"></div>
</div>
<div class="o9v6fnle cxmmr5t8 oygrvhab hcukyx3x c1et5uql ii04i59q">
<div dir="auto">A TERCEIRA PELE</div>
</div>
<div class="o9v6fnle cxmmr5t8 oygrvhab hcukyx3x c1et5uql ii04i59q">
<div dir="auto">Procuro a carne da palavra adusta,</div>
<div dir="auto">Aquela que insorvida se consome,</div>
<div dir="auto">Aquela cujo selo cai à fronte</div>
<div dir="auto">Das palavras irmãs e se incrusta</div>
</div>
<div class="o9v6fnle cxmmr5t8 oygrvhab hcukyx3x c1et5uql ii04i59q">
<div dir="auto">Nas pedras da razão, no verbo nômade,</div>
<div dir="auto">No dedilhar de febres e de angústias,</div>
<div dir="auto">No delírio senil da sombra rústica,</div>
<div dir="auto">Longa noite de sal e medo insone.</div>
</div>
<div class="o9v6fnle cxmmr5t8 oygrvhab hcukyx3x c1et5uql ii04i59q">
<div dir="auto">Procuro a carne da palavra augusta,</div>
<div dir="auto">Aquela que se eleve e se prolongue</div>
<div dir="auto">Em mistério sutil, sedosa e onde</div>
</div>
<div class="o9v6fnle cxmmr5t8 oygrvhab hcukyx3x c1et5uql ii04i59q">
<div dir="auto">Repouse mar, celebração e bússola.</div>
<div dir="auto">Procuro a carne da palavra morta</div>
<div dir="auto">Que se aviva, me bate e me conforta.</div>
</div>
<div class="o9v6fnle cxmmr5t8 oygrvhab hcukyx3x c1et5uql ii04i59q">
<div dir="auto">Poeta dos, bons, foi um grande aventureiro no reino das palavras e das imagens, virando-as pelo avesso:</div>
<div dir="auto"></div>
</div>
<div class="o9v6fnle cxmmr5t8 oygrvhab hcukyx3x c1et5uql ii04i59q">
<div dir="auto">LIBITINA</div>
</div>
<div class="o9v6fnle cxmmr5t8 oygrvhab hcukyx3x c1et5uql ii04i59q">
<div dir="auto">Morrer é um descanso.</div>
<div dir="auto">Sair da vida, um horror!</div>
</div>
<div class="o9v6fnle cxmmr5t8 oygrvhab hcukyx3x c1et5uql ii04i59q">
<div dir="auto">Não bastasse a generosidade de divulgar em sua página, nessa rede social, poemas de poetas que admirava, fossem famosos ou iniciantes, Cícero Melo dedicou a alguns deles poemas como este “Canção amiga”, escrito para a poeta luso-brasileira Maria de Lourdes Hortas. Aliás, uma das poetas preferidas em sua página – geralmente dividida entre postagens de cunho político, poemas de sua autoria, já publicados ou inéditos; e poemas de outros poetas, sempre possibilitando com novas imagens ilustrativas um interessante diálogo intersemiótico.</div>
<div dir="auto"></div>
<div dir="auto">Eis o poema dedicado à Maria de Lourdes Hortas:</div>
<div dir="auto"></div>
</div>
<div class="o9v6fnle cxmmr5t8 oygrvhab hcukyx3x c1et5uql ii04i59q">
<div dir="auto">CANÇÃO DA AMIGA</div>
</div>
<div class="o9v6fnle cxmmr5t8 oygrvhab hcukyx3x c1et5uql ii04i59q">
<div dir="auto">Ninguém mais.</div>
<div dir="auto">Só a tua fala.</div>
<div dir="auto">À medida que a noite</div>
<div dir="auto">vai te amando</div>
<div dir="auto">(e te ama tudo,</div>
<div dir="auto">o chapéu molhado,</div>
<div dir="auto">o gato,</div>
<div dir="auto">o verbo descalço,</div>
<div dir="auto">o sapato tosado</div>
<div dir="auto">a paisagem alada)</div>
<div dir="auto">Estou te vendo</div>
<div dir="auto">ó, Maria</div>
<div dir="auto">ó, Lourdes</div>
<div dir="auto">ó, Hortas,</div>
<div dir="auto">vestida de aldeias!</div>
<div dir="auto">(15 de março de 2021)</div>
<div dir="auto"></div>
</div>
<div class="o9v6fnle cxmmr5t8 oygrvhab hcukyx3x c1et5uql ii04i59q">
<div dir="auto">O traço de generosidade que o caracterizava enquanto poeta deve ser enaltecido, pois não é comum aos poetas divulgarem criações poéticas além de suas próprias ou, no máximo, de nomes consagrados ou já falecidos, caso de Jorge de Lima, mas também o fazia com iniciantes, menos conhecidos.</div>
</div>
<div class="o9v6fnle cxmmr5t8 oygrvhab hcukyx3x c1et5uql ii04i59q">
<div dir="auto">Diversos poemas foram levados à sua página, com propostas bem interessantes de ilustração, em geral situadas no campo da fotografia: Lourdes Nicácio, Iremar Marinho, Ângelo Monteiro, Lourdes Sarmento, Zé de Lara, João Francisco Lima Santos, Valmir Jordão&#8230;.Foram tantas e tantos que seria extenso demais enumerá-los.</div>
</div>
<div class="o9v6fnle cxmmr5t8 oygrvhab hcukyx3x c1et5uql ii04i59q">
<div dir="auto">No entanto, não poderíamos fazer esta homenagem à sua poética, ou um agradecimento ao seu coração amigo, do modo como certamente ele apreciaria, sem trazer um poema que muito diz de seu posicionamento Ético/Estético sobre o nosso país e que deve ter uma ampla divulgação:</div>
<div dir="auto"></div>
</div>
<div class="o9v6fnle cxmmr5t8 oygrvhab hcukyx3x c1et5uql ii04i59q">
<div dir="auto">ENQUANTO O BRASIL AGORA</div>
</div>
<div class="o9v6fnle cxmmr5t8 oygrvhab hcukyx3x c1et5uql ii04i59q">
<div dir="auto">O jardim do passado é sempre escuro,</div>
<div dir="auto">Mas fica verde quando lhe convém,</div>
<div dir="auto">Amarelo limo nu o linho além</div>
<div dir="auto">Ó desenhos sem cores do futuro!</div>
</div>
<div class="o9v6fnle cxmmr5t8 oygrvhab hcukyx3x c1et5uql ii04i59q">
<div dir="auto">Isto aqui é um soneto duro e vil.</div>
<div dir="auto">Surdo punhal para matar o vento.</div>
<div dir="auto">Um cavalo lambendo a noz do tempo.</div>
<div dir="auto">Pois tudo é bosta agora no Brasil.</div>
</div>
<div class="o9v6fnle cxmmr5t8 oygrvhab hcukyx3x c1et5uql ii04i59q">
<div dir="auto">Penso pegar carona no corona.</div>
<div dir="auto">Enterros estão caros, caixão raro.</div>
<div dir="auto">O podre cemitério, uma sanfona.</div>
</div>
<div class="o9v6fnle cxmmr5t8 oygrvhab hcukyx3x c1et5uql ii04i59q">
<div dir="auto">Comer agora um ovo é prato caro.</div>
<div dir="auto">E meu Brasil, meu Deus, agora é zona</div>
<div dir="auto">Do macabro bordel do Bolsonaro!</div>
<div dir="auto">{Recife, 09/04/2021}</div>
<div dir="auto"></div>
</div>
<div class="o9v6fnle cxmmr5t8 oygrvhab hcukyx3x c1et5uql ii04i59q">
<div dir="auto">Agradecemos à poeta Dione Barreto que nos enviou gentilmente estes dois poemas para que, nas palavras do poeta, roçássemos a sua visão sobre o Janus que nos acompanha tão de perto &#8211; vida e morte:</div>
<div dir="auto"></div>
</div>
<div class="o9v6fnle cxmmr5t8 oygrvhab hcukyx3x c1et5uql ii04i59q">
<div dir="auto">DECERTO NÃO MORRI</div>
</div>
<div class="o9v6fnle cxmmr5t8 oygrvhab hcukyx3x c1et5uql ii04i59q">
<div dir="auto">Decerto não morri, estou sonhando.</div>
<div dir="auto">As vozes que não ouço, são da amada,</div>
<div dir="auto">no meu leito de casa despejada,</div>
<div dir="auto">neste bordel de luz, me desenhando.</div>
</div>
<div class="o9v6fnle cxmmr5t8 oygrvhab hcukyx3x c1et5uql ii04i59q">
<div dir="auto">Decerto não morri, estou libando,</div>
<div dir="auto">o tempo que me resta despojada</div>
<div dir="auto">a vida que vivi dentro do nada</div>
<div dir="auto">e no nada que vivo vou andando.</div>
</div>
<div class="o9v6fnle cxmmr5t8 oygrvhab hcukyx3x c1et5uql ii04i59q">
<div dir="auto">Incertos passos, águas nebulosas,</div>
<div dir="auto">em pássaros de vento decaído,</div>
<div dir="auto">janelas dos sentidos e rotas rosas.</div>
</div>
<div class="o9v6fnle cxmmr5t8 oygrvhab hcukyx3x c1et5uql ii04i59q">
<div dir="auto">Não, não, eu não morri, estou sentado,</div>
<div dir="auto">neste tempo de febre dividido</div>
<div dir="auto">na textura sedosa do passado.</div>
</div>
<div class="o9v6fnle cxmmr5t8 oygrvhab hcukyx3x c1et5uql ii04i59q">
<div dir="auto">ENQUANTO O SOL DESOVA</div>
</div>
<div class="o9v6fnle cxmmr5t8 oygrvhab hcukyx3x c1et5uql ii04i59q">
<div dir="auto">Mas tudo mesmo se acaba:</div>
<div dir="auto">o tempo dentro da vida,</div>
<div dir="auto">o vinho dentro da taça.</div>
</div>
<div class="o9v6fnle cxmmr5t8 oygrvhab hcukyx3x c1et5uql ii04i59q">
<div dir="auto">É tudo assim como uma página</div>
<div dir="auto">faminta na manhã:</div>
</div>
<div class="o9v6fnle cxmmr5t8 oygrvhab hcukyx3x c1et5uql ii04i59q">
<div dir="auto">as letras devoram</div>
<div dir="auto">a traça.</div>
<div dir="auto"></div>
</div>
<div class="o9v6fnle cxmmr5t8 oygrvhab hcukyx3x c1et5uql ii04i59q">
<div dir="auto">Sem mais outros comentários, vamos ler Cícero Melo. Seus poemas estão, entre outras publicações, em &#8220;O Verbo Sitiado&#8221;, &#8220;Poemas da Escuridão&#8221; e &#8220;O Poema da Danação&#8221;. Inédito, o livro “O leitor de ossos”, com parte divulgado em sua página no facebook. Desde já sugerimos à CEPE a publicação!</div>
<div dir="auto"></div>
</div>
<div class="o9v6fnle cxmmr5t8 oygrvhab hcukyx3x c1et5uql ii04i59q">
<div dir="auto"></div>
</div>
<div class="o9v6fnle cxmmr5t8 oygrvhab hcukyx3x c1et5uql ii04i59q">
<div dir="auto">Ilustração: Death in the Sickroom. Edvard Munch</div>
</div>
</div>
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</div>
</div>
</div>
<p>O post <a href="https://culturanordestina.com.br/blog/cicero-melo-por-virginia-leal-e-jose-luiz-melo/">Cícero Melo, por Virgínia Leal e José Luiz Mélo</a> apareceu primeiro em <a href="https://culturanordestina.com.br">Cultura Nordestina</a>.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>O lugar de cada um, na Terra dos papagaios, por Salete Rêgo Barros</title>
		<link>https://culturanordestina.com.br/blog/o-lugar-de-cada-um-na-terra-dos-papagaios-por-salete-rego-barros/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=o-lugar-de-cada-um-na-terra-dos-papagaios-por-salete-rego-barros</link>
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		<dc:creator><![CDATA[cultur55_wp]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 19 Apr 2021 18:50:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Associados]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[19 de abril]]></category>
		<category><![CDATA[Cultura indígena]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Homenagem aos indígenas brasileiros, em 19 de abril de 2021 Aos guardiões das florestas Quem chega ao litoral da Bahia de Todos os Santos, no século 21, tem como referência o acarajé, o vatapá, o candomblé, a obra do casal Jorge Amado e Zélia Gattai, os compositores e intérpretes da MPB: Gil, Gal, Caetano e [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Homenagem aos indígenas brasileiros, em 19 de abril de 2021</p>
<p>Aos guardiões das florestas</p>
<p>Quem chega ao litoral da Bahia de Todos os Santos, no século 21, tem como referência o acarajé, o vatapá, o candomblé, a obra do casal Jorge Amado e Zélia Gattai, os compositores e intérpretes da MPB: Gil, Gal, Caetano e Betânia, as 365 igrejas, além do torso de seda, brinco de ouro, pano da Costa, da bata rendada e da saia engomada da baiana cantada nos anos 1939, pela inesquecível Carmen Miranda.</p>
<p>Chega a ser surreal imaginar a chegada de experientes navegadores, que se lançaram ao mar partindo de Lisboa, em 1500, em busca de acordos comerciais com as Índias, e do descobrimento de novas terras para exploração de metais preciosos, pontuados pela disputa acirrada entre Portugal e Espanha. Antes disso, navegadores a serviço da coroa de Castela já teriam avistado terras no Sul da América, sem ter noção de como estaria aquela nova paisagem, mais de 500 anos depois.</p>
<p>As 13 embarcações chegam com mantimentos suficientes para alimentar 1.400 homens durante 18 meses. O encontro com os povos Tupiniquins, que já habitavam o território brasileiro, entre 20 e 40 mil anos atrás, entre outros povos, foi caracterizado pelo estranhamento de ambas as partes – os indígenas ficaram espantados com os animais, especialmente as galinhas, e não gostaram, nem um pouco, da comida oferecida a eles. Enquanto isso, os recém-chegados não compreendiam por que os índios andavam nus e se espantaram com a quantidade de papagaios ali existente, chegando a chamar a nova terra de “Terra dos papagaios”.</p>
<p>Toda essa tentativa de aproximação amigável visava, entre outras coisas, a mão de obra indígena a ser utilizada na extração de metais preciosos, para serem enviados à Corte portuguesa, o que acabou não acontecendo, de início – a extração que se mostrava viável, na ocasião, era a do pau-brasil. Dessa forma foi consolidado o processo de colonização, que teve um caráter semelhante a outras colonizações europeias, como a espanhola, que conquistou e exterminou os povos indígenas, caracterizando o processo de extermínio e submissão – tanto por meio dos conflitos quanto pelas doenças trazidas, como gripe, tuberculose e sífilis, e da tentativa de apagamento de toda uma tradição cultural.</p>
<p>A tradição indígena de produção era sabiamente feita em função das habilidades individuais e necessidades do grupo: uns caçavam, outros pescavam, outros preparavam a terra; outros coletavam vegetais silvestres, obedecendo aos ciclos de atividades de subsistência da Floresta tropical: chuvas, enchentes, estiagem e seca. Já outros produziam ferramentas, armas, utensílios domésticos e religiosos, com o objetivo de atender às necessidades básicas do grupo, respeitando os ciclos da Natureza. Já a tradição dos europeus objetivava a acumulação de riquezas através do extrativismo, sem qualquer preocupação com a preservação da biodiversidade.</p>
<p>Os índios trabalhavam para conseguir alimento, fazer uma maloca, uma rede, uma festa; pintavam o corpo e os utensílios a partir de elementos da natureza, mas não a desenhavam, partiam do elemento natural para torná-lo geométrico; usavam diversos tipos de cocares, braceletes, cintos, brincos. Geralmente não matavam as aves para comer, usavam apenas suas penas coloridas, que guardavam enroladas em esteiras para conservar melhor. Exuberante, a arte plumária é praticamente restrita aos homens. Nas tribos, onde as mulheres usam penas, são discretas, colocadas nos tornozelos e pulsos, geralmente, em cerimônias especiais.</p>
<p>As crenças e superstições tinham um importante papel dentro da cultura indígena. Eles temiam ao mesmo tempo um Deus bom – Tupã – e um espírito maligno, tenebroso, vingativo – Anhangá, ao Sul e Jurupari, ao Norte. Outras etnias adoravam o Sol (Guaraci – mãe dos viventes) e a Lua (Jaci – nossa mãe).</p>
<p>O culto dos mortos era rudimentar. Algumas tribos incineravam seus mortos, outras os devoravam, e a maioria encerrava seus cadáveres na posição fetal, em grandes potes de barro (igaçabas), encontrados suspensos tanto nos tetos de cabanas abandonadas como no interior de sambaquis.</p>
<p>A música era praticada em festas de plantio e colheita, nos ritos da puberdade e nas cerimônias de guerra e religiosas. Os instrumentos musicais utilizados: toró (flauta de taquara), boré (flauta de osso), o mimbi (buzina) e o uaí (tambor de pele e de madeira), eram confeccionados a partir do manuseio dos materiais disponíveis nas matas.</p>
<p>O planejamento e as estratégias do homem branco encontraram forte resistência por parte dos indígenas, que os expulsaram rapidamente. No entanto, ganham força a partir de 1516, quando chegam navios ao novo território para efetivar o povoamento e a exploração. Até 1530, a ocupação portuguesa ainda era bastante tímida – somente no ano de 1531, o monarca português Dom João III enviou Martin Afonso de Souza ao Brasil, nomeando-o capitão-mor da esquadra e das terras coloniais, visando efetivar a exploração mineral e vegetal da região, e a distribuição das sesmarias (lotes de terras).</p>
<p>Muito sangue foi derramado e algumas alianças foram necessárias entre europeus e determinadas tribos indígenas, para que fosse possível a conquista e a colonização de um território que se mostrava tão hostil. As guerras e os conflitos eram práticas recorrentes entre as tribos, por conta da diversidade de culturas disputando territórios. Com a finalidade de acabar com seus inimigos, algumas delas se aliavam aos portugueses, que, dessa forma, conseguiam cooptar os indígenas com mais facilidade.</p>
<p>Sob o olhar benevolente e conivente de alguns historiadores, a questão da imposição da prática Católica é vista como interesse dos jesuítas em promover a catequização dos índios e a participação da Igreja na construção dos valores morais da sociedade colonial – como se os valores dos povos indígenas estivessem equivocados. E, dessa forma, a invasão cultural europeia vai se fortalecendo, inclusive, com a chegada dos padres educadores, que introduziram o ensino da língua portuguesa, abolindo, sob fortes ameaças, o uso das línguas nativas, assim como suas práticas religiosas. A visão que o europeu tinha a respeito dos índios era eurocêntrica. Os portugueses achavam-se superiores aos indígenas e, portanto, deveriam dominá-los e colocá-los ao seu serviço.</p>
<p>A resiliência dos povos indígenas acabou por provocar o extermínio de parte de sua população, assim como mortes naturais causadas por doenças trazidas pelos europeus, para as quais eles, ainda, não haviam adquirido imunidade.</p>
<p>Para dar prosseguimento ao projeto de exploração do território brasileiro foi estabelecido, pelos portugueses, o comércio de negros com o continente africano, prática já recorrente no berço da humanidade. Eles eram mais produtivos do que os indígenas, mais resistentes fisicamente e mais dóceis no trato.</p>
<p>O Brasil é o segundo país com a maior cobertura vegetal do mundo, ficando atrás, apenas, da Rússia. Entretanto, o desmatamento iniciado a partir do processo de colonização está reduzindo de forma drástica a cobertura vegetal no território brasileiro e ocorre, principalmente, para que seja viável a prática da atividade agropecuária e a expansão do aglomerado urbano, especialmente, no litoral. Estima-se que, apenas, 7% da Mata Atlântica original esteja preservada, e 20% do Cerrado.</p>
<p>Que este 19 de abril de 2021 – Dia do indígena brasileiro – seja uma ocasião para refletirmos filosoficamente sobre temas que levaram a cultura indígena de preservação da biodiversidade da Mãe Terra, a ser desprezada em nome da satisfação dos desejos de acumulação de bens de uma sociedade cada vez mais, desigual, onde as oportunidades são pautadas em função de gênero, raça, opção sexual e classe social.</p>
<p>Fontes: www.educacao.uol.com.br | www.brasilescola.uol.com.br</p>
<p>&nbsp;</p>
<h6 style="text-align: center;">Evento realizado em 19 de abril de 2019, no Ponto de Cultura Nordestina</h6>
<p>&nbsp;</p>

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<p style="text-align: center;">Fotografias: Rivaldo Mafra</p>
<p style="text-align: center;">Indígenas da etnia Fulni-ô (município de Águas Belas-PE)</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>O post <a href="https://culturanordestina.com.br/blog/o-lugar-de-cada-um-na-terra-dos-papagaios-por-salete-rego-barros/">O lugar de cada um, na Terra dos papagaios, por Salete Rêgo Barros</a> apareceu primeiro em <a href="https://culturanordestina.com.br">Cultura Nordestina</a>.</p>
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		<title>O sexto aniversário dos meus primeiros 15 anos, por José Luiz Mélo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[cultur55_wp]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 11 Feb 2021 17:15:03 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Associados]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>DIVULGAÇÃO DE ASSOCIADOS “Quando vim a ter esperanças, já não sabia ter esperanças. Quando vim a olhar para a vida, perdera o sentido da vida”. Álvaro de Campos, in &#8220;Poemas&#8221; O que eu posso dizer se não mais sei o que dizer, porque as palavras perderam-se das lembranças, vão ficando distantes; os dedos das palavras [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>DIVULGAÇÃO DE ASSOCIADOS</p>
<p>“Quando vim a ter esperanças, já não sabia ter esperanças.<br />
Quando vim a olhar para a vida, perdera o sentido da vida”.<br />
Álvaro de Campos, in &#8220;Poemas&#8221;</p>
<p>O que eu posso dizer se não mais sei o que dizer,<br />
porque as palavras perderam-se das lembranças,<br />
vão ficando distantes; os dedos das palavras se arrastando na memória, em suas paredes pedregosas,<br />
não dão adeuses porque ficaram sozinhos,<br />
apenas o mindinho faz uma queixa mínima<br />
para o polegar dizendo:<br />
não lhe vejo mais, apareça de vez em quando,<br />
preciso sentir minha polpa na sua bunda,<br />
latejando suas pupilas,<br />
como dois corações ralando na cozinha a raspa de coco da tapioca,<br />
a lama de coco que adocica duas almas famintas.</p>
<p>É um sentimento estranho<br />
eu me sentir perdido próximo à chegada.<br />
O portão está ali, não está fechado,<br />
não está aberto, não sei ao certo o que desejo:<br />
sair e voltar do jeito que cheguei, encabulado,<br />
dar meia volta, aproveitar os transeuntes muito ocupados<br />
e escafeder-se sem ser notado?</p>
<p>Mas, prende-me aqueles gonzos enferrujados:<br />
um mar, na beira mar e os significados<br />
de sair e chegar, sem sair do lugar,<br />
como se estivesse pregado, sem que esteja pregado.<br />
Voar, com os pigmentos azuis do meu arco-íris amarrotado,<br />
de ponta cabeça,<br />
no mosaico alabastrino daquela casa<br />
que me olha gulosamente de boca aberta, com apetite, como fosse um petisco, um pão adormecido.</p>
<p>As minhas galochas de borracha,<br />
aquele rio que refluiu de sua foz<br />
num dia tímido de outono<br />
errou o seu caminho e pelas bordas ultrapassou o látex,<br />
transbordou no seu interior<br />
como um náufrago vadio<br />
que não sabe onde fica o seu derradeiro, (e verdadeiro),<br />
o definitivo precipício.<br />
A impermeabilidade invicta de minhas galochas,<br />
logo se viu, nunca existiu, foi um ludibrio.</p>
<p>Ainda tem a umidade dos meus sobrados interiores<br />
que eu descasco nervosamente com as pontas de minhas unhas,<br />
pois me acostumei<br />
e para dizer a verdade,<br />
sinto falta disto,<br />
porque suas varandas não se debruçam para os jardins<br />
que ficam lá fora, mas,<br />
para o quintal com o pé de goiabeira de frutas bichadas,<br />
o aceiro onde seu Severino rachava a lenha para a cozinha;<br />
a cacimba, a cacimba como uma alma penada<br />
no remoinho penoso da corda algente se queixando de dor nas cruzes da coluna,<br />
as bananeiras enfileiradas na lapela do muro,<br />
do outro lado a linha férrea,<br />
os latidos do trem da tarde assoviando contente.</p>
<p>Bem, mas chegou alguém,<br />
certamente para me dar parabéns,<br />
um descendente de uma última geração<br />
que ainda não sei, mas conhecerei agora.<br />
Quando se apresentar,<br />
não mais escutarei os pretéritos patronímicos,<br />
os onomásticos conhecidos,<br />
outros nomes vêm ocupar o seu lugar numa ordem inversa de algoritmos.</p>
<p>Porém, para minha surpresa, foi um ancestral,<br />
com seu terno de casimira encorpado<br />
(certamente sentia frio)<br />
todos os patronímicos no seu nome perfilados,<br />
entreaberta a porta entrefechada a cortina, entrou,<br />
(apenas miudezas de silencio no lugar)<br />
e me disse baixinho, ao pé do ouvido:<br />
veja o horizonte, no fim do oceano,<br />
o mar vai de cá, vem de lá,<br />
em sua dança,<br />
nunca se cansa.</p>
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		<title>Aqui!, por Taciana Valença</title>
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		<dc:creator><![CDATA[cultur55_wp]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 11 Feb 2021 17:08:19 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Associados]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil de luto]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>DIVULGAÇÃO DE ASSOCIADOS Levanto a mão. Levanto as duas. Houvesse a terceira, levantaria. Levanto-me, pois, inteira, contra esta loucura, este ataque em fileira. Maldades tiradas uma a uma da prateleira. Borradas cores, formam hoje, o preto luto da nossa bandeira. Conheça a história da Cultura Nordestina</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>DIVULGAÇÃO DE ASSOCIADOS</p>
<p>Levanto a mão.<br />
Levanto as duas.<br />
Houvesse a terceira,<br />
levantaria.<br />
Levanto-me, pois,<br />
inteira,<br />
contra esta loucura,<br />
este ataque em fileira.<br />
Maldades tiradas<br />
uma a uma<br />
da prateleira.<br />
Borradas cores,<br />
formam hoje,<br />
o preto luto<br />
da nossa bandeira.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-5859 aligncenter" src="https://webapp416285.ip-173-255-206-73.cloudezapp.io/wp-content/uploads/2020/12/Taciana-Valenca.jpg" alt="" width="250" height="250" srcset="https://culturanordestina.com.br/wp-content/uploads/2020/12/Taciana-Valenca.jpg 250w, https://culturanordestina.com.br/wp-content/uploads/2020/12/Taciana-Valenca-100x100.jpg 100w, https://culturanordestina.com.br/wp-content/uploads/2020/12/Taciana-Valenca-150x150.jpg 150w" sizes="(max-width: 250px) 100vw, 250px" /></p>
<p><a href="https://webapp416285.ip-173-255-206-73.cloudezapp.io">Conheça a história da Cultura Nordestina</a></p>
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		<title>Soneto de Natal, por José Luiz Mélo</title>
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		<pubDate>Fri, 11 Dec 2020 11:59:20 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Associados]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[NATAL]]></category>
		<category><![CDATA[sonetos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>DIVULGAÇÃO DE ASSOCIADOS LETRART SONETO DO NATAL 2º. DOMINGO DO ADVENTO/2020. “Escolheu o soneto &#8230; A folha branca, pede-lhe inspiração; mas frouxa e manca, a pena não acode ao gesto seu.” Machado de Assis REFLEXÕES SOBRE UM SONETO DE NATAL “nem desiste por ser obsoleto” Por sobre a mesa a folha se incorpora na mesa, no [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div class="" dir="auto">
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<div dir="auto">DIVULGAÇÃO DE ASSOCIADOS LETRART</div>
<div dir="auto">SONETO DO NATAL</div>
<div dir="auto">2º. DOMINGO DO ADVENTO/2020.</div>
<div dir="auto">
<p><span style="font-size: 16px;"><br />
“Escolheu o soneto &#8230; A folha branca,<br />
</span><span style="font-size: 16px;">pede-lhe inspiração; mas frouxa e manca,<br />
</span><span style="font-size: 16px;">a pena não acode ao gesto seu.” </span><span style="font-size: 16px;">Machado de Assis</p>
<p></span></p>
<p><span style="font-size: 16px;">REFLEXÕES SOBRE UM SONETO DE NATAL<br />
</span><span style="font-size: 16px;">“nem desiste por ser obsoleto”</span></p>
<p><span style="font-size: 16px;">Por sobre a mesa a folha se incorpora<br />
</span><span style="font-size: 16px;">na mesa, no carvalho, no conteúdo<br />
</span><span style="font-size: 16px;">da madeira. Se agita e se estertora,<br />
</span><span style="font-size: 16px;">sem nada o que dizer, falando tudo.</span></p>
<p><span style="font-size: 16px;">Mas não o que quer ouvir. Se, desde outrora,<br />
</span><span style="font-size: 16px;">persegue no papel, sem que, contudo,<br />
</span><span style="font-size: 16px;">lhe venha às mãos o verso que ele implora,<br />
</span><span style="font-size: 16px;">mais que perfeito verso, ─ fica mudo.</span></p>
<p><span style="font-size: 16px;">Na madrugada insone o verso insiste,<br />
</span><span style="font-size: 16px;">mas não se mostra, nem sequer existe,<br />
</span><span style="font-size: 16px;">nem desiste este verso obsoleto.</span></p>
<p><span style="font-size: 16px;">O que deseja mesmo é um voo livre,<br />
</span><span style="font-size: 16px;">do Infinito cair, em queda livre,<br />
</span><span style="font-size: 16px;">no vestido de seda do soneto.</span></p>
<p><a style="font-size: 16px; background-color: #ffffff;" href="https://webapp416285.ip-173-255-206-73.cloudezapp.io">https://webapp416285.ip-173-255-206-73.cloudezapp.io</a></p>
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</div>
</div>
</div>
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</div>
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		<title>A santa, por Bruna Estima Borba</title>
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		<dc:creator><![CDATA[cultur55_wp]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 24 Nov 2020 14:53:20 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Associados]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Carolina de Jesus]]></category>
		<category><![CDATA[Consciência negra]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>PUBLICAÇÃO DE ASSOCIADOS LETRART Para Carolina de Jesus Caminhava distraída, ia à frente da igreja e a tarde caía. Porque senti um mal súbito, e bancos vazios convidavam, entrei, alheia ao que ali ocorria. Pensei estar sozinha, um equívoco inocente, como se verá brevemente. No banco em que sentei, lá em cima avistei, duas santas [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>PUBLICAÇÃO DE ASSOCIADOS LETRART</p>
<p>Para Carolina de Jesus</p>
<p style="text-align: center;">Caminhava distraída,<br />
ia à frente da igreja e a tarde caía.<br />
Porque senti um mal súbito,<br />
e bancos vazios convidavam,<br />
entrei, alheia ao que ali ocorria.<br />
Pensei estar sozinha,<br />
um equívoco inocente,<br />
como se verá brevemente.<br />
No banco em que sentei,<br />
lá em cima avistei,<br />
duas santas conversavam.<br />
Ouvi-as assombrada.<br />
As sacras senhoras divergiam<br />
sobre quem morria e vivia,<br />
quem para o céu seguia,<br />
quem ao inferno descia.<br />
Ajoelhei-me depressa.<br />
Será que as santas me viam?<br />
A conversa transcendental<br />
causou-me um susto mortal.<br />
Olhei em volta hesitante.<br />
Percebi que naquele instante,<br />
outros já estavam lá.<br />
Será que eles, as santas ouviam?<br />
Pelo jeito compungido<br />
somente eu escutava<br />
o sacrossanto colóquio.<br />
Aquele sagrado testemunho<br />
acovardou-me profundamente.<br />
Cri melhor ir-me embora<br />
desde logo, imediatamente.<br />
Mal me pus de pé, entretanto,<br />
uma delas fez-me: &#8211; Psiu!<br />
Apavorada, estanquei,<br />
esperando o vaticínio.<br />
Seria o céu ou o inferno,<br />
o prognóstico definitivo?<br />
Tinha por certo que meus erros,<br />
entre tantos praticados,<br />
conduziriam por rigor<br />
a uma espécie de limbo.<br />
O purgatório, quiçá,<br />
seria meu melhor castigo.<br />
De todo modo a um lugar,<br />
como é próprio aos humanos,<br />
onde outros como eu,<br />
ressurgiriam sem pesar.<br />
Nessa reta que é o tempo,<br />
cujos traços formam o círculo,<br />
minha alma seguiria,<br />
para cumprir seu destino.<br />
Para meu espanto, contudo,<br />
as santas, em uníssono,<br />
formularam minha sina,<br />
dizendo numa só voz:<br />
&#8211; Suba ao altar, Carolina.<br />
Siga em nossa companhia.</p>
<p style="text-align: center;">19-11-2020</p>
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]]></content:encoded>
					
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		<item>
		<title>A F(A)OGUEIRA, por José Luiz Mélo</title>
		<link>https://culturanordestina.com.br/a-faogueira-por-jose-luiz-melo/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=a-faogueira-por-jose-luiz-melo</link>
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		<dc:creator><![CDATA[cultur55_wp]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 19 Jun 2020 18:12:32 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Associados]]></category>
		<category><![CDATA[Quarentena cultural]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Recife, 20 de junho de 2020. O balão vai subindo, vem caindo a garoa. O céu é tão lindo e a noite é tão boa. São João, São João! Acende a fogueira no meu coração: Carlos Braga e Alberto Ribeiro &#160; Eu vinha à beira mar duma fogueira, onde, dentro de si, mais parecia a [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://culturanordestina.com.br/a-faogueira-por-jose-luiz-melo/">A F(A)OGUEIRA, por José Luiz Mélo</a> apareceu primeiro em <a href="https://culturanordestina.com.br">Cultura Nordestina</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Recife, 20 de junho de 2020.<br />
O balão vai subindo, vem caindo a garoa.<br />
O céu é tão lindo e a noite é tão boa.<br />
São João, São João!<span class="text_exposed_show"><br />
Acende a fogueira no meu coração: Carlos Braga e Alberto Ribeiro</span></p>
<div class="text_exposed_show">
<p>&nbsp;</p>
<p>Eu vinha à beira mar duma fogueira,<br />
onde, dentro de si, mais parecia<br />
a gema que dourando a frigideira<br />
corava, como um sol do meio-dia.</p>
<p>Perto do mar, em sua ribanceira,<br />
nos cascalhos da areia, a brasa fervia,,<br />
eu ouvia a cabeleira das palmeiras,<br />
emaranhadas pela ventania.</p>
<p>Timidamente a chama pestaneja,<br />
pisca-me os olhos áureos, lacrimeja,<br />
fagueira chama-me pra namorar.</p>
<p>Não ligo os meus cabelos já grisalhos,<br />
na praia destas brasas me agasalho:<br />
─ eu chamo a labareda e vou dançar.</p>
<p>Google imagens: Militão dos Santos, Festa de São João; Fogueira (fotografia)</p>
<p><a href="https://webapp416285.ip-173-255-206-73.cloudezapp.io">https://webapp416285.ip-173-255-206-73.cloudezapp.io</a></p>
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