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	<title>Arquivos Salete Rêgo Barros &#8226; Cultura Nordestina</title>
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	<description>Letras &#38; Artes</description>
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	<title>Arquivos Salete Rêgo Barros &#8226; Cultura Nordestina</title>
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		<title>Apresentação da coletânea: A luta pela verdade: um ato de amor e coragem &#8211; Salete Rêgo Barros</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Suporte Recify]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 31 Aug 2026 17:17:01 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Coletânea A luta pela verdade: um ato de amor e coragem]]></category>
		<category><![CDATA[Coletâneas]]></category>
		<category><![CDATA[Salete Rêgo Barros]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Pelo quarto ano consecutivo, a Novoestilo Edições do Autor dá publicidade, em prosa e verso, ao pensamento crítico de autoras e autores reunidos em coletâneas cujos temas trazem ao debate questionamentos que se impõem como indispensáveis à compreensão da natureza moral do comportamento humano no século XXI. Temas: 2003: Fome de quê?; 2004: Gaia: a [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p class="ds-markdown-paragraph"><span class="">Pelo quarto ano consecutivo, a Novoestilo Edições do Autor dá publicidade, em prosa e verso, ao pensamento crítico de autoras e autores reunidos em coletâneas cujos temas trazem ao debate questionamentos que se impõem como indispensáveis à compreensão da natureza moral do comportamento humano no século XXI.</span></p>
<p class="ds-markdown-paragraph"><span class="">Temas:</span></p>
<ul>
<li class="ds-markdown-paragraph"><span class="">2003: Fome de quê?;</span></li>
<li class="ds-markdown-paragraph"><span class="">2004: Gaia: a deusa-mãe;</span></li>
<li class="ds-markdown-paragraph"><span class="">2005: Consciência: para que te quero?;</span></li>
<li class="ds-markdown-paragraph"><span class="">2006: A luta pela verdade: um ato de amor e coragem.</span></li>
</ul>
<p class="ds-markdown-paragraph"><span class="">Pela primeira vez na história da humanidade, está ocorrendo um retrocesso no processo civilizatório, que anda na contramão dos avanços tecnológicos. Em tempos de redes sociais, os véus da miséria moral são rasgados mostrando os disfarces da mentira, assim como do ressentimento e do ódio, afetos que passam a ser banalizados, mas que também deixam o caminho livre para o confronto pacífico e esclarecedor.</span></p>
<p class="ds-markdown-paragraph"><span class="">No século passado, surgiu um movimento contra o preconceito racial na África do Sul e, posteriormente, de resistência civil pela independência da Índia do jugo britânico, liderado por Mahatma Gandhi (1869 &#8211; 1948), advogado e líder espiritual indiano. A junção de duas palavras sânscritas – Satya (verdade) e Agraha (firmeza) deu origem ao termo Satyagraha, significando &#8220;A força da verdade&#8221;, que se tornou o lema do movimento que pregava a filosofia da resistência civil e da não-violência, inspiradora de outros movimentos de libertação com repercussão mundial.</span></p>
<p class="ds-markdown-paragraph"><span class="">O movimento pacífico produziu resultados históricos, como a independência da Índia, em 1947, com a mobilização de pessoas que antes se sentiam impotentes diante de governos autoritários. A motivação vinha da ideia de que violência gera mais violência, e que mudanças duradouras não podem vir da força, mas sim do despertar da consciência opressora.</span></p>
<p class="ds-markdown-paragraph"><span class="">A persuasão pela razão e pelo sofrimento simbólico (greve de fome); a retirada de apoio ao sistema injusto, assim como a aceitação da punição legal diante da infração de leis injustas, além da construção de alternativas positivas promotoras da autossuficiência e disseminação da Educação, eram ações afirmativas da resistência civil através da não-violência, utilizada por Gandhi. No entanto, forças políticas que insistiam em manter o povo subjugado, calaram a grande liderança, causando uma comoção popular sem precedentes na história da Índia. Mahatma Gandhi foi assassinado com três tiros no peito em 1948, em Nova Deli, enquanto caminhava acompanhado por seguidores, voltando de uma reunião de oração. O atirador era um nacionalista hindu radical, membro do partido de direita Mahasabaha. Godse foi preso, julgado e condenado à morte por enforcamento. Nos últimos anos, o matador de Gandhi tem sido louvado como patriota por grupos direitistas hindus, e celebrado abertamente por grupos extremistas de direita em várias partes do mundo.</span></p>
<p class="ds-markdown-paragraph"><span class="">O crescimento da extrema-direita está vinculado ao crescimento econômico escalar, tido como o modelo ideal a ser implantado em várias partes do mundo. Mas para que isso aconteça, é preciso que a escalada de destruição dos recursos naturais prossiga, apesar dos constantes alertas de sua iminente exaustão. E para que essa escalada prospere, é necessário que o sistema de desinformação seja cada vez mais eficaz; que a ciência seja negada por formadores de opinião; que o Estado seja mínimo, e que o pensamento crítico seja sequestrado, torturado e, finalmente, morto. A violência não precisa mais de armas, mas de crença na retórica do ódio, plantada e reproduzida na velocidade da luz, cujo resultado dificilmente poderá ser contestado em tempo hábil.</span></p>
<p class="ds-markdown-paragraph"><span class="">A manutenção do funcionamento da engrenagem capitalista prescinde do pensamento crítico; ela necessita, sim, de cabeças ocas, simples replicadoras de desejos nunca satisfeitos. Para alguém ser parte integrante do sistema e gozar de seus privilégios, é preciso agir crendo que os recursos naturais indispensáveis à produção da riqueza são infinitos, e pensando como se não houvesse amanhã; é preciso que os que produzem a riqueza sejam induzidos a endeusar e aceitar os donos dos meios de produção como herdeiros naturais da maior fatia da riqueza produzida. A conivência do explorado com o sistema explorador é fundamental para a continuidade do processo destruidor dos recursos naturais.</span></p>
<p class="ds-markdown-paragraph"><span class="">No universo digital tudo pode ser resolvido na ponta dos dedos. Agindo freneticamente diante de opções prontas e infinitas, a frequência natural do cérebro analógico sucumbe ao comportamento esquizofrênico digital. Compras, serviços e atendimentos de qualquer natureza; composições artísticas, de textos simples ou acadêmicos, nada disso mais carece de criatividade e trabalho humano, mas sim da escolha do &#8220;usuário&#8221; entre inúmeras opções oferecidas pelo &#8220;servidor&#8221; – opções prontas, dirigidas com objetivos moldados pela inteligência humana, indutora da manutenção do sistema predador da Natureza, que está levando seres que sabem o que fazem à exaustão dos recursos naturais, ao adoecimento, à precarização da criatividade, do trabalho e da vida, rumo à autodestruição.</span></p>
<p class="ds-markdown-paragraph"><span class="">Existe ambivalência no ambiente digital, e cada vez mais suas ferramentas são utilizadas com finalidades que podem ser antidemocráticas, mas também podem e devem ser instrumentalizadas a favor do pensamento crítico e de sua aplicação prática na tecnologia, na ciência, na educação, na saúde, nas artes e demais áreas do conhecimento, inclusive, no monitoramento em tempo real dos danos intencionalmente causados à Natureza. Um dos usos benéficos da tecnologia da informação são os alertas do sistema de monitoramento climático, que podem evitar mortes causadas por desastres naturais, cada vez mais frequentes e intensos, resultantes da interferência desastrosa do ser humano na Natureza.</span></p>
<p class="ds-markdown-paragraph"><span class="">A verdade é a Natureza e a Natureza é a verdade; a realidade é o relacionamento perene entre os seres e a Natureza. Apesar de dotados de criatividade e inteligência, os humanos tornaram-se seres oportunistas e, por isso, arcarão com as consequências de suas escolhas. O seu afastamento da Natureza implica no descaso com a grande mãe e, consequentemente, no desprezo pela verdade, no apego aos bens materiais e aos delírios de poder. No meio urbano, as células humanas sofrem o desgaste provocado pelo seu distanciamento do habitat natural; reagem tentando se defender e acabam exaurindo as suas reservas estratégicas. O adoecimento do corpo e da mente acontece e é real.</span></p>
<p class="ds-markdown-paragraph"><span class="">Lutar pela verdade é um ato de amor e coragem – amor pela vida e coragem para enfrentar a complexidade do mundo contemporâneo, desafiando as narrativas hegemônicas que tentam nos fazer crer que não há alternativa ao modelo atual de desenvolvimento. É com esse espírito que convidamos autoras e autores a compor este quarto volume, dando voz àquilo que resiste à desinformação e ao esquecimento.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<hr />
<p><strong><br />
Para participar da nossa Coletânea, <a href="https://webapp416285.ip-173-255-206-73.cloudezapp.io/blog/edital-coletanea-a-luta-pela-verdade/">clique aqui e leia o edital</a> e <a href="https://webapp416285.ip-173-255-206-73.cloudezapp.io/blog/edital-coletanea-a-luta-pela-verdade/#inscricoes">inscreva-se</a> <span class="">até </span><span class="">30 de setembro de 2026</span>.</strong></p>
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		<title>Uma maneira (talvez didática) de sensibilizar a estupidez, por Salete Rêgo Barros</title>
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		<dc:creator><![CDATA[cultur55_wp]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 22 Jul 2025 15:26:54 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Coletânea Consciência: para que te quero?]]></category>
		<category><![CDATA[Salete Rêgo Barros]]></category>
		<category><![CDATA[Coletânea Consciência para que te quero]]></category>
		<category><![CDATA[novoestilo edições do autor]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O velho tocando fogo num gato, para vê-lo girar em um círculo em chamas, até morrer, era a cena que mais arrancava risos e aplausos dos que se reuniam para ouvir histórias macabras, sentados na calçada do cemitério de uma cidade do Sertão nordestino. Algumas crianças, no entanto, não achavam qualquer graça naquilo e, por [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O velho tocando fogo num gato, para vê-lo girar em um círculo em chamas, até morrer, era a cena que mais arrancava risos e aplausos dos que se reuniam para ouvir histórias macabras, sentados na calçada do cemitério de uma cidade do Sertão nordestino. Algumas crianças, no entanto, não achavam qualquer graça naquilo e, por isso, eram excluídas das brincadeiras do grupo. Havia outras que ficavam com dó do gato, mas fingiam se divertir com a história, só para serem aceitas e participar das brincadeiras.</p>
<p>Certo dia, uma das crianças que se divertia pra valer com as malvadezas de que o velho tanto se orgulhava, munida de um bodoque, à caça de pássaros no alto das árvores, encontrou um bebê passarinho se debatendo no chão e, entre as possibilidades de colocá-lo de volta no ninho ou jogá-lo na poça de lama mais próxima, a criança escolheu a segunda opção. O amigo que o acompanhava questionou aquela atitude, mas o menino se justificou dizendo que tinha feito aquilo para poder contar a peripécia ao grupo, logo mais à tardinha.</p>
<p>Os encontros tinham hora marcada para acontecer. O velho contador de histórias criou fama entre as crianças, e o grupo foi crescendo. Existia um acordo tácito entre elas &#8211; quem não desse boas risadas e batesse palmas estaria fora do próximo encontro. Aquele homem precisava de aprovação, e quanto mais detalhada fosse a malvadeza, mais emoção, mais aplausos e mais repercussão haveria dentro e fora do grupo. Tratava-se de uma espécie de sociedade secreta, onde ninguém revelava o teor da brincadeira. O local era ideal: pouco frequentado, longe da vista de pais e avós.</p>
<p>O tempo passou, o velho morreu, e as crianças se tornaram adultos que carregam a estupidez nas entranhas. Com frequência, as suas escolhas apontam para a banalização da vida. Uns se tornaram pessoas insensíveis, intolerantes e autoritárias &#8211; perfil adequado a cargos de liderança, conjugados ao poder e à opressão. Este tipo de gente desenvolve a ganância para alcançar objetivos que atendem aos seus próprios interesses, sendo capazes de obstruir oportunidades, de praticar tortura física e psicológica, de manipular, mentir, enganar e até matar. São avessos ao diálogo e, para dominar a conversa, se valem da prepotência para intimidar os interlocutores. Essas pessoas têm alto poder de convencimento e utilizam o absurdo como forma de intimidação dos ingênuos ou desavisados.</p>
<p>As crianças que, mesmo sentindo dó do gato, preferiam continuar a fazer parte do grupo, tornaram-se adultos admiradores de púlpitos e palanques. Ali, eles se veem representados e, no meio do grupo, sentem-se acolhidos e protegidos pelo líder. As figuras do pastor e do politiqueiro remetem à figura do velho contador de histórias, presente em suas memórias afetivas.</p>
<p>Existe um consenso entre os estudiosos do comportamento humano, de que o melhor antídoto para a estupidez é o conhecimento e o diálogo. Crianças expulsas do grupo por não acharem graça nas histórias macabras do velho, desenvolveram o senso crítico a partir de sua exclusão e de seu contato com novos grupos; tornaram-se adultos capazes de mudar os rumos da história da estupidez, que está levando a humanidade à autodestruição. Desenvolveram o espírito de empatia, solidariedade, e do cuidado com o outro e a Natureza &#8211; valores consolidados, inquestionáveis e universais, de preservação da vida, dos quais não abrem mão.</p>
<p>Emoções trazidas pelo instinto animal, de que o ser humano é, também, dotado, precisam ser constantemente domesticadas desde a primeira infância &#8211; em casa, na escola, no trabalho e no espaço público. Quando os limites da boa convivência são extrapolados, a Lei &#8211; instrumento de controle aceito pela sociedade &#8211; precisa ser aplicada. A razão deve prevalecer como forma de preservação da vida, das relações pessoais, sociais e institucionais. Ao longo da vida, conhecemos o bem e o mal, e somos livres para fazer escolhas. No entanto, é o ambiente em que nos desenvolvemos e as oportunidades que nos são apresentadas, que irão determiná-las. E é lá na infância que a nossa personalidade é formada ou deformada de acordo com os estímulos recebidos.</p>
<p>Os avanços tecnológicos permitem a todos o acesso ao ambiente virtual, onde facilmente é encontrada a informação e o conhecimento. No entanto, ali também existem emoções violentas que induzem à banalização da vida e à valorização do supérfluo, e a desinformação. Somos a única espécie que conspira a favor da própria extinção utilizando os meios de comunicação. Essa questão, quando tratada com responsabilidade, é vista como fator determinante para moldar personalidades em formação.</p>
<p>De forma geral, a manipulação do pensamento, dado o poder de convencimento que agora se amplia no mundo virtual, é transmitida por influenciadores que utilizam púlpitos e palanques, e do sistema de desinformação, feito para distorcer valores, estimular o consumo desenfreado, o preconceito, a intolerância, a desvalorização da vida, a devastação da Natureza e a desigualdade social. É uma arma utilizada por estúpidos com propósitos igualmente estúpidos, investidos de cargos de poder e liderança, concedidos pelas próprias vítimas de sua estupidez.</p>
<p>No século passado, o pós-guerra trouxe reflexões de vários pensadores, sobre os motivos que levaram o povo a aderir aos discursos de ordem inflamados, proferidos por lideranças políticas que facilitaram a ascensão do fascismo e do nazismo na Europa. Nesses estudos podem ser destacadas duas teorias relevantes que continuam atuais: a Teoria do esclarecimento, da Escola de Frankfurt, na Alemanha, e a Teoria da estupidez, do teólogo e pastor luterano, alemão, Dietrich Bonhoeffer, assassinado num campo de concentração em 1945. Ambas demonstram como a manipulação para deformar o pensamento humano é feita com o objetivo de atingir determinados fins que, para a razão, não faz sentido, mas sob determinados tipos de emoção ela se transforma em uma perigosa arma de destruição dos valores éticos e morais da sociedade. Entre essas emoções pode-se destacar palavras de ordem que reforçam sentimentos religiosos, nacionalistas e afetivos, e a estética de poder utilizada em desfiles militares e aparições públicas de lideranças com o objetivo de causar impacto e demonstrar força. As pautas morais de conotação sexual, também são bastante exploradas neste contexto manipulador.</p>
<p>Com o advento da Internet, a manipulação assume o caráter de pandemia, e somente o conhecimento é capaz de reverter este quadro, reformando consciências através do esclarecimento e da razão. A informação responsável é encontrada em estudos e pesquisas científicas, registrados nos meios físicos e também virtuais, oriundos de fontes confiáveis e verificáveis. Já a desinformação prefere circular nos meios fluidos, que podem ser eliminados com apenas um clique, por ser revestida de caráter fútil, mentiroso e ameaçador, podendo ser facilmente identificada como farsa, quando criticamente analisada.</p>
<p>É inegável que a Internet se tornou um meio eficaz de conhecimento para diversas atividades humanas. No passado, só tinha poder quem tivesse conhecimento, o que era raro, dadas as dificuldades de sua propagação. Atualmente, o conhecimento chega à palma da mão dos internautas, e conhecimento é poder. E, não raro, o poder pode se tornar perigoso, como é a face da Internet utilizada para servir aos interesses de homogeneização do comportamento, o que se mostra inadequado para o progresso civilizatório da humanidade, que avança na pluralidade de ideias, na diversidade e no debate responsável do contraditório. Por isso, há urgência na sua regulamentação, para combater a estupidez e impor limites aos instintos mal controlados no mundo virtual, diferentemente do que ocorre no mundo real, que está sujeito ao ordenamento jurídico consensual com sanções e proibições que permitem a convivência pacífica e respeitosa entre todas as pessoas.</p>
<p>&nbsp;</p>
<hr />
<p><strong>Salete Rêgo Barros</strong> é pernambucana, arquiteta, parapsicóloga, editora e produtora cultural executiva do Ponto de Cultura Nordestina Letras &amp; Artes. Escreve preferencialmente nos gêneros conto, crônica e artigo de opinião, embora já tenha transitado pela poesia e autobioficção. É autora de nove livros solo, organizadora e participante de várias coletâneas em 30 anos de produção literária. Está consciente do poder da escrita como ferramenta de transformação social no processo civilizatório da humanidade.</p>
<p>As informações para participar desta coletânea estão no link:</p>
<blockquote class="wp-embedded-content" data-secret="2iCc8BZ8Yi"><p><a href="https://culturanordestina.com.br/coletanea/consciencia/">Coletânea Consciência: para que te quero? &#8211; Edital</a></p></blockquote>
<p><iframe class="wp-embedded-content" sandbox="allow-scripts" security="restricted"  title="“Coletânea Consciência: para que te quero? – Edital” — Cultura Nordestina" src="https://culturanordestina.com.br/coletanea/consciencia/embed/#?secret=GcQ5s7JEwD#?secret=2iCc8BZ8Yi" data-secret="2iCc8BZ8Yi" width="600" height="338" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no"></iframe></p>
<pre></pre>
<p>O post <a href="https://culturanordestina.com.br/blog/uma-maneira-talvez-didatica-de-sensibilizar-a-estupidez-por-salete-rego-barros/">Uma maneira (talvez didática) de sensibilizar a estupidez, por Salete Rêgo Barros</a> apareceu primeiro em <a href="https://culturanordestina.com.br">Cultura Nordestina</a>.</p>
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		<title>Celebrando os treze anos da Cultura Nordestina Letras &#038; Artes, por Salete Rêgo Barros</title>
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		<dc:creator><![CDATA[cultur55_wp]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 04 Jul 2025 15:01:34 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[13 anos]]></category>
		<category><![CDATA[CulturaNordestina]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A ideia da criação de um espaço cultural surgiu a partir da participação da Novoestilo Edições do Autor (1995) em festivais de literatura, feiras de livros e bienais, e da organização de coletâneas em grupos literários. A necessidade de se ter um espaço para lançamentos de livros, apresentações performáticas, saraus e capacitações para escritores e [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A ideia da criação de um espaço cultural surgiu a partir da participação da Novoestilo Edições do Autor (1995) em festivais de literatura, feiras de livros e bienais, e da organização de coletâneas em grupos literários. A necessidade de se ter um espaço para lançamentos de livros, apresentações performáticas, saraus e capacitações para escritores e poetas, crescia a cada dia.</p>
<p>Em 5 de julho de 2012, inauguramos um café localizado à rua Sérgio Magalhães, 54, nas Graças, juntamente com a comemoração do aniversário e lançamento do livro de Lúcia Cardoso, uma das autoras editadas pela Novoestilo.</p>
<p>Logo, o espaço se mostrou pequeno para acolher artistas de diversos segmentos que ali encontravam a oportunidade de mostrar o seu talento. Após quatro anos, nos mudamos para o Poço da Panela, bairro bucólico e reduto tradicional de artistas e escritores. Uma casa espaçosa com quintal e jardim era tudo o que precisávamos para expandir as nossas atividades e realizar os nossos projetos.</p>
<p>As dificuldades financeiras para manter o espaço sempre foram enfrentadas com coragem e o apoio de pessoas especiais, entre elas, a psicóloga Krystiane Nunes, atualmente morando em São Paulo, que estabeleceu uma parceria fundamental para a mudança em 2016, época em que o espaço foi reconhecido pelo Ministério da Cultura como Ponto de Cultura.</p>
<p>As dificuldades foram acentuadas no período da pandemia, fato que atingiu vários setores, especialmente, o setor cultural prejudicado duplamente, também, pelo descaso do governo federal com a Cultura. No entanto, graças ao apoio de pessoas que acreditaram em nossos projetos, no momento, estamos em pleno desenvolvimento de vários projetos, entre eles, o Território das Artes &#8211; TEAR, e o Programa 60+.</p>
<p>O Ponto de Cultura Nordestina Letras &amp; Artes festeja, nesta data,13 anos de importantes conquistas, de valorização da Arte, da Educação e da Cultura, e de ter se tornado um espaço cultural de referência em acolhimento, trocas, oportunidades e realizações artísticas e culturais.</p>
<p>Neste 5 de julho de 2025, o apoio de amigos e associados que sempre estiveram presentes contribuindo para a continuidade do nosso Ponto de Cultura, cada um à sua maneira, é reconhecido. Prestamos uma homenagem póstuma aos escritores Ivanilde Morais de Gusmão, Myriam Brindeiro, José Luiz Mélo e Djanira Silva, que nos deixaram fisicamente, mas que estarão sempre presentes em nossa memória e em nossos corações.</p>
<p>Inúmeras pessoas já passaram por este espaço de arte e cultura; algumas já se foram, algumas permanecem, e todas elas são muito importantes e queridas. Neste momento, três pessoas estão prestando um trabalho voluntário inestimável ao Ponto de Cultura: Marli Ferreira, amiga de longa data, na organização do acervo de livros e objetos; Rosana Biserra, artista plástica, na organização dos eventos musicais e da Loja colaborativa, e Edson Marques, artista plástico, na recuperação do mini-teatro, que passa a ser, também, uma oficina de artes.</p>
<p>Um caso de amor especial por: Eugênia Menezes, Colly Holanda, Adriano Cabral, Bernadete Bruto, Taciana Valença e Vera Nóbrega &#8211; Trupe da Cultura -, sempre presente em inúmeras apresentações: Abril de Monteiro Lobato, O livro encena, O fio da meada &#8211; artes e ofícios, entre outras; Sarau lítero-musical, durante 8 anos realizado por Cassius Cavalcanti, e coordenado por Colly Holanda; Suzana Cavalcanti com contatos importantes, ideias e apoio institucional; Grupo do Teatro lido e Oficina Clarice Lispector &#8211; coordenados pela acadêmica e escritora Fátima Quintas; Turma do piano: Barbara Kreuzig, Lysia Inojosa e Graça Vasconcelos; expositores das ExpoTear, em sua XII edição; Rivaldo Mafra &#8211; professor e fotógrafo &#8211; registro dos eventos; Vocal da Cultura regido por Ruby Jean; Conceição Rodrigues, Flávia Suassuna e Alessandra Loyo &#8211; colaboradoras do projeto Semear.</p>
<p>A nossa gratidão pelo apoio financeiro dos atuais associados à LETRART &#8211; Bruna e Fernanda Estima Borba, Colly Holanda, Flávio Brayner, Paulo Caldas, Rivaldo Mafra, Marli Ferreira, Leniée e Augusta, e pela presença constante de amigos apoiadores de todas as horas: Zélia Monte, escritora; Dulce Albert &#8211; cantora; Josete Cavalcanti &#8211; escritora; Getúlio Cavalcanti &#8211; músico; Rosita &#8211; artesã e recepcionista; Lane e Jeane &#8211; preparação dos bufês.</p>
<p>Os inúmeros autores que confiaram os seus escritos à Novoestilo Edições do Autor são o motivo principal da criação deste espaço cultural, assim como a participação da editora em eventos literários &#8211; Festival A letra e a voz da Cidade do Recife; Fliporto; Bienal Internacional do Livro de Pernambuco, entre outros.</p>
<p>#culturanordestina13anos</p>
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		<title>Edições Pirata 45 anos: do Mangueirão às telas do cinema, por Salete Rêgo Barros</title>
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		<pubDate>Wed, 14 Aug 2024 16:47:29 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Blog]]></category>
		<category><![CDATA[Divulgação]]></category>
		<category><![CDATA[Edições Pirata]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A Edições Pirata surge no Recife, no final da década de 70 do século passado, como um movimento libertário pelas letras e artes numa conjuntura política repressora, com a adesão de poetas e escritores oriundos de outros movimentos artísticos em Pernambuco, entre eles a Geração 65. Editar livros à margem do processo usual de editoração [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A Edições Pirata surge no Recife, no final da década de 70 do século passado, como um movimento libertário pelas letras e artes numa conjuntura política repressora, com a adesão de poetas e escritores oriundos de outros movimentos artísticos em Pernambuco, entre eles a Geração 65. Editar livros à margem do processo usual de editoração era o objetivo do grupo, e o primeiro livro editado foi<em> “Pomar”</em>, de Arnaldo Tobias, rodado nas máquinas do IJNPS – Instituto Joaquim Nabuco, em Apipucos. O fato de o livro ter sido produzido às escondidas deu nome ao movimento. Em seguida, foi feito um empréstimo bancário para a compra de um mimeógrafo de segunda mão e, para viabilizar as publicações, os autores participavam da vaquinha para a compra de material, e do roda-roda dos livros, muitos contando com ajuda de familiares.</p>
<p>Ao todo, 319 livros foram publicados de forma artesanal em espaços improvisados cedidos por simpatizantes do movimento, contando com a ajuda de um grupo crescente e entusiasmado em promover a democratização da expressão artístico-literária, dirigido por Eugênia Menezes, Myriam Brindeiro, Alberto da Cunha Melo e Jaci Bezerra, funcionários do extinto IJNPS, atual FUNDAJ, que se reuniam no bar próximo “O Mangueirão”, para traçar as metas e ações do movimento.</p>
<p>Neste contexto foram realizadas exposições de artes, shows musicais, espetáculos de teatro e recitais poéticos, envolvendo instituições culturais, públicas e privadas. A contrapartida era o apoio de artistas que cediam suas ilustrações, desenhavam capas e prestigiavam os lançamentos, apresentando-se sem cachê. O êxito do movimento Pirata deve-se, também, ao apoio da imprensa local, tornando-se não apenas um movimento editorial, mas um animador cultural da cidade do Recife, numa época em que a liberdade de expressão estava sendo colocada à prova.</p>
<p>Foram realizados quinze lançamentos individuais, doze coletivos, três deles no Recife e no Rio de Janeiro. Três foram os lançamentos infantis que constituíram a coleção Piratinha. O movimento apoiou dez pré-lançamentos ou relançamentos realizados por iniciativa dos autores. Editou três catálogos, em 1981, 82 e 84; em 1982, os números 4, 5, 6 e 7 do Jornal <em>Cultura e Tempo,</em> e a edição comemorativa do I Festival Nacional de Mulheres nas Artes, intitulado <em>Maria Poesia</em>. Colaborou com um evento científico da FUNDAJ, apresentando uma seleção de poemas relativos ao meio ambiente, selecionadas por Myriam Brindeiro em livros publicados pela Pirata; três números da revista <em>Pirata Edições</em>, em 1984 e 85, cujo conteúdo foi bem recebido pela crítica.</p>
<p>Na concepção da revista se incorporaram ao grupo Lúcia Menezes, Zuleide Duarte, Carlos Daconti e Maria de Lourdes Hortas, autores que colaboraram com o departamento de intercâmbio cultural, através do qual a Pirata chegou a ter correspondentes em Niterói, Rio de Janeiro, São Paulo, Goiás, Paraíba, Sergipe, Argentina e Estados Unidos, na Universidade do Colorado.</p>
<p>Em 1985 o movimento foi extinto, e seus integrantes foram se incorporando a entidades congêneres, como a União Brasileira de Escritores &#8211; UBE, e a União Brasileira de Trovadores &#8211; UBT. Uma editora com o mesmo perfil alternativo surgiu em Olinda, dez anos depois &#8211; a Novoestilo Edições do Autor, atualmente com sede no Ponto de Cultura Nordestina, no Poço da Panela onde, em 2019, por ocasião de uma das reuniões da comissão organizadora da festa em comemoração aos 40 anos de fundação da Pirata, formada por Eugênia Menezes, Myriam Brindeiro, Juareiz Correya e Salete Rêgo Barros, o cineasta Paulo Lins e a produtora Cintia Paiva, da Afa Filmes Produções Cinematográficas, em conversa com a editora, fundadora da Novoestilo e produtora cultural Salete Rêgo Barros, entenderam que a produção de um documentário sobre a Edições Pirata seria fundamental à preservação do movimento para o seu reconhecimento pelas gerações futuras.</p>
<p>O fato de duas fundadoras e vários integrantes do movimento Pirata estarem atuantes e ansiosos por contar a história, também pesou na difícil decisão de seus idealizadores em encarar os desafios da produção de um filme sem recursos financeiros suficientes.</p>
<p>A solução veio com a promoção de um curso de cinema, pela Afa Filmes, e as inscrições dos alunos financiaram as gravações do documentário, inseridas em sua carga horária. As aulas teóricas foram realizadas nas dependências da unidade Derby da Fundação Joaquim Nabuco, instituição onde havia surgido a ideia do movimento há 40 anos.</p>
<p>Poucos meses após o início do curso veio a pandemia da COVID-19, e as gravações foram concluídas apesar da série de dificuldades provocadas pelo isolamento social. A escassez de recursos para a finalização da edição foi  sanada recentemente através da aprovação de projetos financiados pela lei Paulo Gustavo, e o documentário Edições Pirata, o Filme fará a sua estreia no cinema da Fundaj na unidade Derby, no dia 26 de agosto de 2024, às 19h, em comemoração aos 45 anos de fundação da Edições Pirata, completados no dia 17 de agosto. Infelizmente, durante esses 5 anos de espera, nos deixaram a compositora Myriam Brindeiro e o livreiro Tarcísio Pereira, da livraria Livro 7, local onde foram realizados vários lançamentos dos autores publicados pelo movimento.</p>
<p>Ficaram eternizados no documentário, através de depoimentos históricos: Myriam Brindeiro e Tarcisio Pereira (em memória), Eugênia Menezes, Andréa Mota, Luzilá Gonçalves, Maria de Lourdes Hortas, Marco Polo, Jomar Muniz de Brito, Cida Pedrosa, Cláudia Cordeiro e Raimundo Carrero. Fazem parte do documentário vídeos recuperados de lançamentos de livros com a presença dos poetas já falecidos Alberto da Cunha Melo e Celina de Holanda, e da atriz Geninha da Rosa Borges, entre outros.</p>
<p>Apesar de não ter participado ativamente do movimento Pirata, o roteirista e diretor Paulo Lins foi capaz de apreender o espírito do movimento, transformá-lo em cenas memoráveis e trazê-lo com maestria para as telas do cinema onde, certamente, transmitirá aos espectadores as emoções vividas por aqueles intelectuais que acreditavam na literatura como forma de transformar a realidade que permaneceu por 21 anos assombrando os ideais libertários do povo brasileiro.</p>
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		<title>Para que e para quem escrever</title>
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		<pubDate>Fri, 02 Aug 2024 16:21:51 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Estar no mundo implica em participação, cooperação e integração &#8211; tudo e todos interagindo o tempo todo. Essa percepção é fundamental para que a vida aconteça em toda a sua plenitude. &#160; A lista de prioridades das necessidades básicas do ser humano a serem satisfeitas começa pela alimentação, sem a qual nenhum ser vivo poderá [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Estar no mundo implica em participação, cooperação e integração &#8211; tudo e todos interagindo o tempo todo. Essa percepção é fundamental para que a vida aconteça em toda a sua plenitude.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>A lista de prioridades das necessidades básicas do ser humano a serem satisfeitas começa pela alimentação, sem a qual nenhum ser vivo poderá sobreviver em qualquer etapa de seu desenvolvimento. Em seguida vem o cuidado, que implica na existência e no bem-estar do outro.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>A importância dos itens &#8211; alimentação e cuidado &#8211; parece óbvia. No entanto, para muitas pessoas, por incrível que possa parecer, não é, até que um deles venha a lhes faltar. Entre as poucas certezas que se pode ter, uma delas é que a falta desses dois itens básicos na vida de qualquer ser humano é insuportável.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Como é óbvio que da existência do outro depende o direito de existir de cada um de nós, seria natural que todos se empenhassem permanentemente para que todos tivessem as mesmas oportunidades e condições de acessar os itens essenciais da lista, pois precisamos uns dos outros para garantir a nossa própria existência, tendo em vista que o que afeta as partes interferem no equilíbrio do todo.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Com o passar do tempo, os humanos foram perdendo a conexão com o todo; as descobertas e as novas possibilidades de expansão territorial desviaram a sua atenção do essencial para a espetacularização do supérfluo. E o que de mais básico existe para a sobrevivência da espécie &#8211; alimentação e cuidado &#8211; tornou-se invisível para os não-afetados pelas carências provocadas pela insegurança alimentar e falta de oportunidades. O entretenimento se encarregou de obnubilar o óbvio e dispensar as pessoas de enxergá-lo, terceirizando essa tarefa para os que, de alguma forma, são tocados pelo sofrimento alheio.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Uma das maneiras de trazer à tona o óbvio é o seu desnudamento através das linguagens artísticas &#8211; a palavra, as imagens, as formas, os gestos, que são atemporais, trazem em si mesmo a verdade absoluta e despertam no(a) observador(a) a contemplação, o alumbramento, a inquietação e também sentimentos de indignação e revolta, essenciais à realização de atitudes proativas, imprescindíveis para que as mudanças aconteçam.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Perguntar para que e para quem escrever é vital para quem encara a escrita como missão e faz da palavra um relicário. Escrever de si para si pode ser terapêutico, mas é um movimento solitário que não dialoga com o outro nem tampouco com o mundo. O ato de escrever para o outro prescinde de sentimentos intensos de humanidade.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>A indignação perante as injustiças cometidas contra os desprovidos do cuidado necessário ao seu direito de existir, precisam sair das gavetas e ganhar o mundo. Cuidar do outro é cuidar de si mesmo, visto que cada indivíduo em estado de carência interfere negativamente no desenvolvimento pleno da sociedade.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Segue-se à satisfação da necessidade do alimento, a do cuidado, que inclui a Educação, sem a qual as pessoas ficam impossibilitadas de formar o espírito crítico necessário à sua libertação e emancipação. A escrita tem o potencial de informar, denunciar, esclarecer, gerar conhecimento, ferir interesses, entreter, conscientizar, emancipar. A comunicação escrita permite que nos coloquemos como agentes pacificadores da mudança necessária à construção de um mundo igualitário, onde as oportunidades sejam para todos e não apenas para alguns.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>As expressões “desigualdade social” e “oportunidades para todos” são o terror dos grupos que se sentem ameaçados pelo fantasma das perdas e dos impedimentos. Este sentimento é o gatilho acionado contra o imaginário da igualdade em detrimento das benesses. As oportunidades transformaram um nordestino pobre em presidente do Brasil em três mandatos; meninas negras em medalhistas olímpicas na França, e podem transformar uma mulher imigrante negra em presidenta dos Estados Unidos.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>É preciso que a Educação emancipatória e libertadora chegue a todos os cantos e recantos, pois só ela é capaz de prestar esclarecimentos suficientes para desmistificar o discurso propagado a favor dos interesses daqueles que querem manter as pessoas no cativeiro de seus delírios de poder e mando.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Formar cidadãos conscientes, capazes de fazer uma leitura de mundo de forma adequada às suas necessidades é tarefa das mais difíceis, que enfrenta o corporativismo dos setores interessados na manutenção do analfabetismo funcional, da fome e da miséria humana, aos quais serão negados todos os indultos.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Para que e para quem escrever, se poucos têm a capacidade de entender o que está escrito? Ser compreendido(a) apenas pelos seus pares é importante, porém não suficiente. Mas a luta continua, a esperança vive e o futuro promete dias melhores.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Salete Rêgo Barros</p>
<p>Produtora cultural</p>
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		<title>O ser Mulher, por Salete Rêgo Barros</title>
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		<dc:creator><![CDATA[cultur55_wp]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 08 Mar 2024 18:44:45 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Liberdade de expressão em debate]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[dia da mulher]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Assistimos ultimamente ao discurso patriarcal “Deus, pátria, família e liberdade” como sendo um combo de credibilidade de pensamentos, palavras e obras dos interessados diretamente nesta propaganda de bons sentimentos: fé; patriotismo; garantia; recompensa. A chegada do mês de março lembra o passado de luta das mulheres pelo direito ao voto, por condições dignas de trabalho, [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Assistimos ultimamente ao discurso patriarcal “Deus, pátria, família e liberdade” como sendo um combo de credibilidade de pensamentos, palavras e obras dos interessados diretamente nesta propaganda de bons sentimentos: fé; patriotismo; garantia; recompensa.</p>
<p>A chegada do mês de março lembra o passado de luta das mulheres pelo direito ao voto, por condições dignas de trabalho, e equiparação salarial de gênero. Essa celebração nos leva a uma reflexão a respeito do papel da mulher na família e na sociedade, assim como à necessidade de constante atualização do embate pela transformação: agora, principalmente, contra a violência doméstica, o feminicídio, o preconceito de cor e gênero, e a falta de representatividade em cargos de poder. A luta das mulheres é antiga, possui raízes históricas profundas, e está em constante movimento.</p>
<p>Hoje, 8 de março de 2024, a França se torna o primeiro país a colocar o direito ao aborto em sua Constituição, atendendo às reivindicações das ativistas francesas. No Brasil, o aborto é permitido por Lei em casos de gravidez decorrente de estupro, risco à vida da gestante ou anencefalia do feto – situações em que o procedimento deve ser oferecido gratuitamente pelo SUS. Em casos não-permitidos, o aborto é feito na clandestinidade, especialmente por mulheres de baixa renda, desesperadas com a possibilidade de ter mais um filho para sustentar, muitas delas vítimas de relacionamentos abusivos.</p>
<p>O maior número de mortes ocorre nos casos de &#8220;falha na tentativa de aborto&#8221; – são abortos incompletos, em que a internação ocorreu para finalização do procedimento. Nesses casos, a cada 28 internações, uma paciente morre e o risco de morte é 140 vezes maior do que em todas as outras categorias juntas. Segundo especialistas, trata-se, pois, de mais um problema de saúde pública a ser enfrentado pelo Estado com programas de prevenção e redução da gravidez não intencional.</p>
<p>A celebração do Dia internacional da mulher, em 8 de março, instituída em 1975 pela ONU, faz lembrar os acontecimentos que se intensificaram durante a revolução industrial, quando as mulheres entraram no mercado de trabalho em condições precárias, cumprindo longas jornadas de até 16h por dia, 6 dias por semana, incluindo o domingo, quase sempre necessário.</p>
<p>Trabalhadoras russas mobilizaram cerca de 50 mil pessoas numa campanha inserida no movimento socialista, por melhores condições de trabalho. As ativistas reunidas em passeatas contra a fome e a guerra, deram o pontapé inicial na Revolução russa de 1917.</p>
<p>A família, como é hoje constituída, surge no final do século 19 / início do século 20, decorrente da necessidade de uma mão-de-obra mais produtiva, de atendimento às demandas do sistema em pleno desenvolvimento, já que a capacidade de trabalho da mulher é reduzida durante o ciclo menstrual, a gravidez e a amamentação. E para que isso fosse possível era necessário retirá-las do chão das fábricas e aumentar o salário dos homens o suficiente, para que eles pudessem sustentar a família enquanto a mulher não trabalhava. Elas deveriam, “apenas”, cuidar da prole, dos afazeres domésticos, e de satisfazê-los sexualmente, para parir os filhos que Deus mandasse, já que os métodos contraceptivos eram criminalizados pela sociedade e condenados pela Igreja, para que a demanda futura da mão-de-obra trabalhadora estivesse garantida.</p>
<p>Torna-se então, a Família, a instituição garantidora da reprodução da força de trabalho. E o trabalho doméstico não-remunerado, realizado pela “Rainha do lar-doce-lar”, passava a ser um dos pilares de sustentação da sociedade, uma vez que é o produto mais precioso do mercado, omitido como parte determinante do ciclo de produção – a geração futura da mão-de-obra trabalhadora.</p>
<p>No aconchego do lar, mulheres de classes mais abastadas passaram a ter direito a uma mesada dos maridos, para que pudessem comprar batons e bibelôs nas horas vagas – as que não tinham a mesma sorte eram obrigadas a receber presentes, em datas especiais, nem sempre de seu agrado. Ainda havia outra categoria – as que se submetiam à reclusão, para que não fossem abordadas por outros homens, quando desacompanhadas. Sem ter como se manter respeitada, fora do casamento, a maioria optava por uma relação dominadora e frustrante, compensada pela estabilidade social e financeira proporcionada pelo homem. Daí a corrida dos pais por um “bom-partido” para suas filhas.</p>
<p>Jovens solteiras e meninas, negras, eram requisitadas para auxiliar nas tarefas domésticas da classe alta e média, e enfrentavam uma carga horária de trabalho, exaustiva, que ia das primeiras horas da manhã às altas horas da noite, quase sempre em troca de casa, comida e proteção – quando muito, era incluída a alfabetização. A recompensa era ser apresentada às visitas “como se fosse um membro da família”, não uma empregada. Muitas envelheciam servindo a várias gerações da mesma família, renunciando à própria vida de forma abnegada.</p>
<p>Já a mulher mais ousada enfrentava a fúria do marido e a condenação da família, da sociedade e da Igreja – criava asas e ganhava o mundo. A compositora, pianista e regente, Chiquinha Gonzaga, foi uma entre outras que optaram por enfrentar a sociedade extremamente machista e conservadora, pagando o preço alto da liberdade, em uma época em que as mulheres não tinham o direito de pensar e agir por si mesmas. No entanto, a musicista não se intimidou com as afrontas dos críticos de seu tempo.</p>
<p>A música também foi determinante para a realização da cantora Elza Soares, que apanhava do pai, foi obrigada a casar-se aos 11 anos com o seu abusador, e aos 13 já era mãe. Certa vez, ao chegar ao palco do show de calouros de Ari Barroso, na Rádio Tupi, pesando 35 quilos, vestida numa roupa chique emprestada da mãe, que pesava 65, foi perguntada: <em>De que planeta você veio, minha filha?</em> E ela respondeu: <em>Venho do mesmo planeta que o senhor, Seu Ari: do planeta fome.</em></p>
<p>Ainda hoje, o patriarcado continua atuante nas famílias, no trabalho, na escola e nos demais setores de uma sociedade que não conseguiu se libertar de conceitos e preconceitos mofados, estabelecidos para manter o domínio de um sistema que transforma tudo em mercadoria, inclusive os signos da fé cristã.</p>
<p>Houve avanços significativos nas relações de trabalho da mulher branca e negra, porém, ainda falta muito para que elas cheguem em pé de igualdade para concorrer com o homem branco. Basta que se observe a fotografia do corpo docente das instituições de ensino superior, do espaço político, da indústria, do comércio e demais setores que ainda priorizam a contratação do homem branco como representante da competência, civilidade e europeização, elementos necessários ao sucesso em cargos de importância relevante para a sociedade capitalista.</p>
<p>Para o modelo de sociedade vigente é conveniente que a estrutura patriarcal seja mantida, pois dela depende a subordinação da sociedade aos caprichos do conservadorismo – “Deus, pátria, família e liberdade”.</p>
<p><em>“Por um mundo onde sejamos socialmente iguais, humanamente diferentes e totalmente livres”.</em> Rosa de Luxemburgo.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Salete Rêgo Barros</p>
<p>Produtora cultural</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>O velho projeto Brasil &#8211; Salete Rêgo Barros</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Suporte Recify]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 12 Oct 2020 11:28:17 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Artigo dedicado às crianças Ao contrário de um bom vinho, com o tempo, o projeto Brasil fica cada vez mais ácido em sua plena maturação. Após 500 anos de colonialismo, monarquia e império, e de uma nova república de bananas, arraigada aos vícios imperiais sob a falsa égide da democracia, a nação contabilizava algumas conquistas [&#8230;]</p>
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<p>Artigo dedicado às crianças</p>
<hr />
<div class="o9v6fnle cxmmr5t8 oygrvhab hcukyx3x c1et5uql ii04i59q">
<div dir="auto">Ao contrário de um bom vinho, com o tempo, o projeto Brasil fica cada vez mais ácido em sua plena maturação. Após 500 anos de colonialismo, monarquia e império, e de uma nova república de bananas, arraigada aos vícios imperiais sob a falsa égide da democracia, a nação contabilizava algumas conquistas importantes até 2018, à custa de muita luta em prol da eliminação do fascismo caracterizado pelo racismo estrutural, preconceito, machismo, misoginia e homofobia, que deságuam na desigualdade social. No entanto, na última disputa eleitoral, manipulada por serviços de (des)informação, o povo escolhe um perfil de governo vira-latas para representá-lo, o que gera um retrocesso em todos os setores. Agora, o país avança a passos largos em direção ao abismo que serve de receptáculo à riqueza produzida pela nação, com a conivência do próprio povo que, vítima da falta de educação, segue anestesiado pela falácia de interesses do sistema financeiro, sem se aperceber da manipulação maior que envolve todas as áreas estratégicas da sociedade, principalmente, a Educação, e os setores artístico e cultural, sempre perseguidos e caluniados pelos que temem o conhecimento.</div>
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<div class="o9v6fnle cxmmr5t8 oygrvhab hcukyx3x c1et5uql ii04i59q">
<div dir="auto">Para chegarmos a este entendimento basta que seja degustada a narrativa reflexiva contida nos clássicos da literatura brasileira, escritos ao longo das diversas fases estabelecidas pelos críticos (destaque-se aqui a importância das obras de Machado de Assis, Euclides da Cunha, Guimarães Rosa, Monteiro Lobato, Érico Veríssimo e Ariano Suassuna, entre outras grandes). A expressão artística ali contida, assim como em outras linguagens, nos fornecerão subsídios para tal avaliação, aliados aos meios de comunicação alternativos, à tradição oral e à história não-oficial.</div>
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<div class="o9v6fnle cxmmr5t8 oygrvhab hcukyx3x c1et5uql ii04i59q">
<div dir="auto">As antigas fofocas, agora, são produzidas pelas máquinas de ódio, em larga escala – aquelas que se dão à boca miúda com interesses escusos de desqualificar, comprometer e induzir o povo a agir sem pensar, a todo instante. Nada mudou. Tudo continua perverso como sempre esteve, apenas, com duas grandes diferenças: a velocidade de transmissão das notícias falsas, impulsionadas pela tecnologia, e a parada geral em 2020, quando o novo coronavírus chega para levantar questões que se encontravam “deitadas eternamente em berço esplêndido, ao som do mar e à luz de um céu profundo”.</div>
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<div class="o9v6fnle cxmmr5t8 oygrvhab hcukyx3x c1et5uql ii04i59q">
<div dir="auto">Sobre a informação tecnológica é bom que se atente para os males provocados pela velocidade e superficialidade com que ela acontece – prescinde de análise, pesquisa e avaliação de fontes, o que a torna rasa e passível de deturpações, prejudicando a formação de crianças e jovens, se não bem orientada, induzindo ao erro analfabetos políticos e funcionais.</div>
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<div class="o9v6fnle cxmmr5t8 oygrvhab hcukyx3x c1et5uql ii04i59q">
<div dir="auto">Pessoas nascem, crescem e morrem enquanto o projeto ambicioso, desenhado há séculos no além-mar, continua em vigor sendo executado numa cadeia interminável de idas e vindas. Dolorosas, as fissuras aparecem sempre que o assunto é levantado por vozes que se erguem no meio da multidão. Vozes que são invariavelmente silenciadas. No entanto, “apesar de você, amanhã há de ser outro dia”. E a arte resiste e persiste e insiste como instrumento de reflexão, sem perder a dimensão lírica que lhe é peculiar. A criação artística é o poder popular, porém, menor que o econômico, que ultrapassa todos, inclusive o político.</div>
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<div class="o9v6fnle cxmmr5t8 oygrvhab hcukyx3x c1et5uql ii04i59q">
<div dir="auto">Para que a realidade seja assimilada, basta que furemos a bolha em que fomos metidos. É como se estivéssemos às margens de um rio, apenas, observando a catrevagem vinda ninguém sabe de onde, arrastada pela correnteza, a exemplo do que aconteceu com o senhor encarregado de gerenciar a economia brasileira no período 2019-2022. De repente, ele se dá conta de que existem milhões de invisíveis – os não-cadastrados no CPF, sem endereço, sem perspectivas de um trabalho que lhes dê uma vida digna mínima. É claro que esses aí não interessam à continuidade do projeto, já que não ajudam a manter a engrenagem funcionando e abastecendo os cofres particulares do sistema financeiro. “Os invisíveis só geram despesa ao Estado”, segundo a (des)informação oficial, que não computa a sonegação de impostos das grandes empresas, a não-taxação das grandes fortunas, as rachadinhas, os altos salários dos servidores públicos de elite com todos os seus penduricalhos, e o roubo que acontece em todas as esferas da administração pública, disfarçado de “desvio de dinheiro público”.</div>
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<div class="o9v6fnle cxmmr5t8 oygrvhab hcukyx3x c1et5uql ii04i59q">
<div dir="auto">A constatação de tudo isso fica bem evidente quando nos deparamos com a necessidade de utilizar o serviço público, demonizado sorrateiramente para que seja depois bravamente resgatado pela iniciativa privada, que só visa os próprios interesses e não os do povo – isso é lógico e inquestionável. Parte dela pousou de caridosa durante a pandemia, em horário nobre. E pegando carona na caridade segue o comercial das marcas.</div>
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<div class="o9v6fnle cxmmr5t8 oygrvhab hcukyx3x c1et5uql ii04i59q">
<div dir="auto">E aqui vai o depoimento de quem precisou do sistema público estadual de saúde: consultado o sistema privado, por oferecer maior conforto a quem se encontrava submetida às urgências da doença e do medo, chega-se a uma conta estratosférica, que vai de uma consulta na emergência – R$ 2.500,00, a uma caução de R$ 20.000,00 para internação, fora a equipe médica composta por cirurgiões, anestesista, fisioterapeuta, nutricionista e por aí vai. Isso sem contar com a possibilidade de uma estadia de 3 dias na UTI, no pós-operatório, que veio a se confirmar depois. Resumindo: a família arcaria com mais de R$ 50.000,00 em 7 dias, numa perspectiva otimista.</div>
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<div class="o9v6fnle cxmmr5t8 oygrvhab hcukyx3x c1et5uql ii04i59q">
<div dir="auto">A decisão final coube à paciente que, por opção lúcida e consciente, recusa-se a pagar mensalmente por um “plano de doença”, já que o pagamento de seus impostos daria de sobra para arcar com o seu bem-estar durante toda a sua vida. Se bem administrada, a arrecadação de um terço de tudo o que cada um de nós recebe por mês, seria mais que suficiente para cuidar do bem-estar de todos com eficiência e conforto. O nosso plano de saúde, educação, segurança, econômico e ambiental já está sendo muito bem pago. Para que sermos penalizados com uma das maiores cargas tributárias, do mundo, e pagarmos tudo em dobro quando precisamos? Tem gente tirando muito proveito de tudo isso ou não tem? É preciso que se acorde para essa realidade. Do contrário, as crianças de hoje não terão amanhã.</div>
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<div class="o9v6fnle cxmmr5t8 oygrvhab hcukyx3x c1et5uql ii04i59q">
<div dir="auto">Abdicar ao conforto da privacidade, do ar condicionado, da TV e do frigobar, não é uma decisão fácil num momento de extrema fragilidade. No entanto (agora entra em cena a surpresa dos bolhenses), competência, eficiência, amorosidade, cuidados essenciais da equipe médica e de enfermagem, isso o serviço público de saúde tem para oferecer a todos, ao contrário da informação que é passada à sociedade.</div>
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<div class="o9v6fnle cxmmr5t8 oygrvhab hcukyx3x c1et5uql ii04i59q">
<div dir="auto">O que não existiu, neste caso, foi o serviço de hotelaria oferecido pela rede privada nem, tampouco, equipes bem treinadas quanto à humanização do ambiente hospitalar. “Trabalhar com enfermagem no serviço público é aprender a dar nó em pingo d’água todos os dias” dizia uma enfermeira ao customizar 3 fraldas descartáveis tamanho P para serem utilizadas em um paciente tamanho GG, e ao improvisar garrotes utilizando luvas descartáveis. Para onde está indo o dinheiro das compras de fraldas de todos os tamanhos, garrotes apropriados, e do abastecimento da farmácia com uma maior diversidade de medicamentos? Para enjoo o que existe é Plasil, e pronto. Quem quiser Vonau, que peça a um familiar para trazer.</div>
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<div class="o9v6fnle cxmmr5t8 oygrvhab hcukyx3x c1et5uql ii04i59q">
<div dir="auto">As instituições privadas se utilizam do serviço público para formar seus alunos (no caso dos hospitais-escola); pegam carona na larga experiência dos vocacionados que dedicam suas vidas a cuidar do outro por salários injustos, se comparados aos da elite dos três poderes; e depois cobram preços exorbitantes dos que merecem o conforto que o momento de maior fragilidade do ser humano, exige (e a que todos têm direito), utilizando os serviços profissionais dos que foram formados à custa dos impostos que pagamos. Tem alguma coisa errada ou não tem?</div>
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<div class="o9v6fnle cxmmr5t8 oygrvhab hcukyx3x c1et5uql ii04i59q">
<div dir="auto">Evidencia-se aí o grave erro de gestão do sistema em vigor, o conformismo das pessoas, o silêncio dos que têm obrigação de fazer barulho, de chamar atenção, de tomar providências para que todos, sem exceção, tenham dignidade na saúde e na doença; na vida e na morte.</div>
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<div class="o9v6fnle cxmmr5t8 oygrvhab hcukyx3x c1et5uql ii04i59q">
<div dir="auto">Propositalmente (des)informado, parte do povo segue ladeira abaixo sem uma educação libertadora e emancipatória que lhe dê condições de furar a própria bolha; de rejeitar discursos politiqueiros que antecedem as eleições; de fazer escolhas acertadas; de se deixar manipular pela notícia falsa; de servir de mula para a (des)informação; de permitir que as instituições democráticas sejam minadas por dentro.</div>
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<div class="o9v6fnle cxmmr5t8 oygrvhab hcukyx3x c1et5uql ii04i59q">
<div dir="auto">Que espécie humana é essa que não se mostra indignada com tanta injustiça e não parte para a ação? Cadê a prática da empatia, do sentimento gregário e do amor ao próximo tão decantando pelos ditos espiritualizados? Salvo algumas exceções, as religiões foram mercantilizadas com o objetivo de servir aos seus pastores, que se utilizam do sagrado e dos mistérios da fé para manter os fieis sob seu domínio e controle com respaldo oficial, o que torna a situação ainda mais grave, ao ser desenterrada a mistura mofada Estado X Igreja.</div>
</div>
<div class="o9v6fnle cxmmr5t8 oygrvhab hcukyx3x c1et5uql ii04i59q">
<div dir="auto">Fiat lux!</div>
</div>
<div class="o9v6fnle cxmmr5t8 oygrvhab hcukyx3x c1et5uql ii04i59q">
<div dir="auto"></div>
<blockquote>
<div dir="auto">A descoberta do amor</div>
</blockquote>
</div>
<div class="o9v6fnle cxmmr5t8 oygrvhab hcukyx3x c1et5uql ii04i59q">
<blockquote>
<div dir="auto">Ensaia um sorriso</div>
<div dir="auto">e oferece-o a quem não teve nenhum.</div>
<div dir="auto">Agarra um raio de sol</div>
<div dir="auto">e desprende-o onde houver noite.</div>
<div dir="auto">Descobre uma nascente</div>
<div dir="auto">e nela limpa quem vive na lama.</div>
<div dir="auto">Toma uma lágrima</div>
<div dir="auto">e pousa-a em quem nunca chorou.</div>
<div dir="auto">Ganha coragem</div>
<div dir="auto">e dá-a a quem não sabe lutar.</div>
<div dir="auto">Inventa a vida</div>
<div dir="auto">e conta-a a quem nada compreende.</div>
<div dir="auto">Enche-te de esperança</div>
<div dir="auto">e vive a sua luz.</div>
<div dir="auto">Enriquece-te de bondade</div>
<div dir="auto">e oferece-a a quem não sabe dar.</div>
<div dir="auto">Vive com amor</div>
<div dir="auto">e fá-lo conhecer o mundo.</div>
<div dir="auto"><strong>Mahatma Gandhi</strong></div>
</blockquote>
<div dir="auto"></div>
</div>
<div class="o9v6fnle cxmmr5t8 oygrvhab hcukyx3x c1et5uql ii04i59q">
<div dir="auto" style="text-align: right;"><strong>Salete Rêgo Barros</strong></div>
<div dir="auto" style="text-align: right;">Cidadã do mundo</div>
</div>
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		<title>Cultura: a essência da nação &#8211; Salete Rêgo Barros</title>
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		<pubDate>Fri, 25 Sep 2020 11:35:40 +0000</pubDate>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Entre muitas perguntas e poucas respostas, a quarentena 2020 vai se consolidando como um tempo de grandes perdas para o guardião da essência da nação brasileira – o setor cultural. Aquele que permite a cada um de nós sermos reconhecidos e nos reconhecermos como partes integrantes dos cantos e recantos de nossa terra, através do sotaque, dos costumes, das tradições juninas; da arte, do artesanato, do frevo, do bolo de rolo, da cartola, do cozido ou do acarajé, assim como das festas pagãs e religiosas.</p>
<p>As perdas do setor são financeiras, decorrentes do fechamento de equipamentos culturais, e de vidas que se foram levando embora o potencial criativo de dona Neném da Portela, de Rubem Fonseca, Flávio Migliaccio, Morais Moreira, Daisy Lucide entre outros. Ontem, a poesia da musa da Geração 65, em Pernambuco, Tereza Tenório, também nos deixou.</p>
<p>No início de maio, Aldir Blanc, autor de mais de 600 letras de música, entre elas o clássico O bêbado e o equilibrista, consagrada na voz de Elis Regina, faleceu em consequência da Covid-19 aos 73 anos, dos quais, 50 dedicados à cultura.</p>
<p>A Cinemateca, localizada em São Paulo, vê o seu acervo ameaçado pelo corte de verbas para a manutenção do prédio que abriga a história do cinema nacional.</p>
<p>Os guardiões das tradições culturais dos povos das matas estão morrendo em consequência da pandemia (voltando pra casa, como eles dizem) sem direito ao ritual funerário de importância fundamental para a cultura indígena.</p>
<p>Pontões e pontos de cultura, casas de espetáculo e circos, sebos e livrarias espalhados pelo Brasil, fecham suas portas deixando mais de 5 milhões de pessoas sem emprego e oportunidades de geração de renda – do pipoqueiro ao produtor cultural; do artista à rede de hotelaria; do artesão às empresas de transporte viário e aéreo.</p>
<p>Atendendo aos apelos do setor, a deputada Benedita da Silva juntamente com mais 23 deputados federais, e a relatora Jandira Feghali, apresentaram o PL 1075/2020 (Lei Aldir Blanc), que prevê o repasse de 3 milhões de reais ao setor cultural durante a pandemia e propõe a destinação de recursos do Fundo Nacional de Cultura para espaços culturais, teatros independentes, circos itinerantes, Pontos de Cultura etc. O projeto de lei foi aprovado por unanimidade na Câmara e no Senado, e agora aguarda a sanção da presidência da República nos próximos dias, sem vetos, é o que se espera.</p>
<p>A maioria concorda que aglomerações são totalmente inadequadas ao combate à pandemia, mas há os que incentivam os cultos religiosos, totalmente dispensáveis quando colocamos a vida como prioridade absoluta. Além disso, a interação com a transcendência independe de local e companhia – o papa Francisco deu o exemplo ao orar, sozinho, na Praça de São Pedro totalmente deserta.</p>
<p>Muitos não veem a arte e a cultura como essenciais, apesar de sua presença em nossas vidas, das formas mais variadas, muitas vezes até, passando despercebidas no design de uma embalagem, numa toalha de renascença, num quadro na parede, num arranjo floral, numa fotografia, num filme na TV, numa música; no pôr ou no nascer do Sol, apreciado por uma fresta da janela; através da arte que nos chega pelos meios de comunicação ou pela disponibilidade de artistas que se propõem a fazer apresentações nas varandas de seus apartamentos, vivenciamos a arte e a cultura continuadamente. Portanto, arte é vida e a cultura é a essência da nação.</p>
<p style="text-align: right;"><strong>Salete Rêgo Barros</strong></p>
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		<title>O quintal e a rede &#8211; Salete Rêgo Barros</title>
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		<pubDate>Fri, 25 Sep 2020 11:28:57 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>5 de julho de 2020 (oitavo aniversário da CN) Dois dos elementos preservados na memória afetiva do povo nordestino – um quintal e uma rede – estão presentes, também, na memória dos que frequentam o quintal da Cultura Nordestina, e dos integrantes da Rede de Associados Letras &#38; Artes – LETRART. O Espaço está atualmente localizado [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div class="kvgmc6g5 cxmmr5t8 oygrvhab hcukyx3x c1et5uql ii04i59q">
<div dir="auto"><strong>5 de julho de 2020 </strong><strong>(oitavo aniversário da CN)</strong></div>
<div dir="auto"></div>
</div>
<div class="o9v6fnle cxmmr5t8 oygrvhab hcukyx3x c1et5uql ii04i59q">
<div dir="auto">Dois dos elementos preservados na memória afetiva do povo nordestino – um quintal e uma rede – estão presentes, também, na memória dos que frequentam o quintal da Cultura Nordestina, e dos integrantes da Rede de Associados Letras &amp; Artes – LETRART.</div>
</div>
<div class="o9v6fnle cxmmr5t8 oygrvhab hcukyx3x c1et5uql ii04i59q">
<div dir="auto">O Espaço está atualmente localizado na capital pernambucana, no Poço da Panela, bairro tradicional, bucólico e acolhedor em sua arquitetura colonial do século 19, ainda preservada, apesar da grande especulação imobiliária local. As festas de rua no pátio da Igreja, o comércio varejista de bairro, presente nas vendinhas e nos ateliês dos artistas plásticos, entre outras características, fazem do Poço um oásis dentro do caótico aglomerado urbano, em que se transformou a cidade do Recife.</div>
</div>
<div class="o9v6fnle cxmmr5t8 oygrvhab hcukyx3x c1et5uql ii04i59q">
<div dir="auto">Na maioria das casas nordestinas, além de uma rede para embalar sonhos, os espaços de convivência preferidos por familiares e amigos eram sempre o terraço de trás e o quintal, que funcionavam como extensão da cozinha, onde todos se reuniam em torno dos aromas, cores e sabores da culinária regional, para conversar, contar histórias, cantar, tocar, festejar as datas do calendário cultural, comemorar aniversários, bodas, etc.</div>
</div>
<div class="o9v6fnle cxmmr5t8 oygrvhab hcukyx3x c1et5uql ii04i59q">
<div dir="auto">Reproduzir esses costumes com todos os seus encantos é um dos objetivos da gestão da Cultura Nordestina, espaço reconhecido em 2016, pelo Ministério da Cultura, como Ponto de Cultura, onde o coletivo/entidade desenvolve e articula atividades culturais com a comunidade, e contribui para o acesso, proteção e promoção dos direitos, da cidadania e da diversidade cultural no Brasil.</div>
</div>
<div class="o9v6fnle cxmmr5t8 oygrvhab hcukyx3x c1et5uql ii04i59q">
<div dir="auto">Além dessa busca pelas raízes culturais, responsáveis pela identidade do povo nordestino, a Rede mantém, através de seus núcleos de atuação, uma programação extensa que inclui atividades comemorativas do calendário cultural, cursos, oficinas, encontros e eventos acessíveis a todos, dado o caráter humanizador, transformador e emancipador que a arte possui.</div>
</div>
<div class="o9v6fnle cxmmr5t8 oygrvhab hcukyx3x c1et5uql ii04i59q">
<div dir="auto">Em oito anos de atividades ininterruptas, nas áreas de produção cultural, educacional e artística, são desenvolvidos e realizados vários projetos e programas, cursos e oficinas, por aqueles que embalam seus sonhos na Rede de Associados Letras &amp; Artes.</div>
</div>
<div class="o9v6fnle cxmmr5t8 oygrvhab hcukyx3x c1et5uql ii04i59q">
<div dir="auto">A oficina literária Clarice Lispector, que se reúne semanalmente, estuda a obra de autores escolhidos pelo grupo. Para o público infantojuvenil, O fio da meada – artes e ofícios (oficinas de artes), Semear letras &amp; artes (oficinas de literatura e história da arte), O lúdico na arte (colônia de férias) e Abril de Monteiro Lobato (contação de histórias). Para todas as idades, o FELIPPA – Feira literária do Poço da Panela, ainda a executar, e um serviço de divulgação oferecido aos escritores, que promove vida e obra de um escritor a cada mês, na página do Facebook &#8211; Destaque literário, em atividade desde março de 2018. Dele já participaram, até o momento, 25 escritores.</div>
</div>
<div class="o9v6fnle cxmmr5t8 oygrvhab hcukyx3x c1et5uql ii04i59q">
<div dir="auto">O programa mais antigo é o Sarau lítero-musical, realizado mensalmente, que teve seu início em setembro/2012, interrompido, apenas, em março/2020 pela pandemia do novo coronavírus. Música e apresentações performáticas têm como palco o quintal da Cultura Nordestina, para deleite dos participantes que se apresentam e comemoram datas importantes do calendário e os aniversariantes do mês, saboreando as delícias de nossa culinária regional.</div>
</div>
<div class="o9v6fnle cxmmr5t8 oygrvhab hcukyx3x c1et5uql ii04i59q">
<div dir="auto">Outros programas sofreram descontinuidade por diversos motivos &#8211; impossibilidade dos coordenadores, ausência de público suficiente, e falta de recursos financeiros. Entre eles, os programas de palestras Café, cultura e afeto, Sextas culturais e Eclosão. Os programas mensais Café com cordel e Almoço musical (aos sábados), também não sobreviveram.</div>
</div>
<div class="o9v6fnle cxmmr5t8 oygrvhab hcukyx3x c1et5uql ii04i59q">
<div dir="auto">
<p>Há os que acontecem esporadicamente, como os cursos de francês e Gramática a serviço da e produção textual; outros, semestralmente: Trilhas do conhecimento e Teatro lido; anualmente: Mulher Vida X Arte, Trabalho Vida X Arte, Culturinha na folia, Culturinha junina, Anunciando o Natal no Poço da Panela, além das comemorações do Dia dos povos indígenas, Dia do folclore e da Consciência negra.</p>
</div>
</div>
<div class="o9v6fnle cxmmr5t8 oygrvhab hcukyx3x c1et5uql ii04i59q">
<h3 dir="auto"><strong>Expansão das atividades e parcerias</strong></h3>
<p>&nbsp;</p>
<p dir="auto"><span style="font-size: 16px;">A pesquisadora e coordenadora do Núcleo de Educação da LETRART, Suzana Cavalcanti, professora emérita da Universidade de Pernambuco (UPE), entende as práticas desenvolvidas no espaço (Cultura Nordestina), pelos integrantes da Rede (escritores, artistas, professores, intelectuais e pensadores), como um projeto educacional a ser expandido, já que a cultura e a arte estão postas como instrumentos facilitadores da compreensão da realidade, discutidas e produzidas muito além do caráter mercadológico, nas atividades desenvolvidas na Cultura Nordestina.</span></p>
</div>
<div class="o9v6fnle cxmmr5t8 oygrvhab hcukyx3x c1et5uql ii04i59q">
<div dir="auto">A partir deste entendimento, a pesquisadora propõe a realização de um projeto de pesquisa mais abrangente: Educação, filosofia e humanidade: a cultura e a arte como motor da história – as experiências educativas da Rede de Associados Letras &amp; Artes.</div>
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<div class="o9v6fnle cxmmr5t8 oygrvhab hcukyx3x c1et5uql ii04i59q">
<div dir="auto">O projeto será formalizado com vistas à sua execução, mediante captação dos recursos necessários, que possibilitarão a expansão das atividades não-formais, já realizadas no Espaço, para toda a Rede pública de ensino.</div>
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<div dir="auto">A pesquisa tem como objetivo contribuir para o estudo da realidade sociocultural, que envolve os fazeres da Instituição nos campos da educação, arte e cultura, na construção de uma proposta pedagógica mais consistente, que repense as finalidades dos processos educativos face aos desafios do clima cultural existente no bairro, apesar de todos os seus contrastes sociais. Trata-se, pois, de uma grande oportunidade para a aquisição de conhecimentos fundados na tradição que, certamente, despertarão o sentimento de pertencimento da comunidade, fundamental ao desenvolvimento de uma sociedade sadia e participativa.</div>
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<div dir="auto">A professora Raldianny Pereira, através da Pró-reitoria de extensão e cultura da Universidade Federal de Pernambuco, propõe uma parceria com o Ponto de Cultura Nordestina e a Rede de Associados Letras &amp; Artes, para a execução do projeto de extensão a ser realizado no âmbito da disciplina eletiva Escrita criativa, do curso Comunicação Social da UFPE.</div>
<div dir="auto">Entre as justificativas do projeto a ser realizado, a partir da criação de um blog &#8211; Escrita criativa: coletivo de produções artísticas, estão a da arte como um direito humano em suas variadas linguagens, suportes e manifestações, não apenas no sentido da fruição, mas também da produção.</div>
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<div dir="auto">O entendimento da professora é o de que a comunicação, intrínseca à arte, é mantenedora da educação desejável, que tem se mostrado transformadora, libertadora e emancipatória, vista dessa forma por todos os setores envolvidos.</div>
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<div dir="auto">O blog visa atender, não apenas a produção textual dos alunos dos cursos de comunicação da UFPE (Jornalismo, Publicidade e Propaganda, Rádio, TV, Internet e Cinema), mas também a de leitores, escritores, aspirantes a escritor, artistas, e da sociedade como um todo.</div>
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<div dir="auto">A parceria inclui discussões sobre o projeto, realização de atividades em conjunto &#8211; oficinas de leitura, seminários e produção de material para postagem no blog (textos, fotos, vídeos e áudios).</div>
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<div dir="auto">Outra parceria importante foi estabelecida com o Portal de Artes &#8211; academia de produção áudio visual -, através da realização de cursos presenciais e semipresenciais (vídeo-aulas), nas áreas de abrangência já consolidadas pela Rede de Associados.</div>
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<div dir="auto">Os projetos apresentados pelas professoras Suzana Cavalcanti (UPE), Raldiany Pereira (UFPE), e pelo produtor cinematográfico Paulo Lins (Portal de Artes) vêm enriquecer com respaldo acadêmico, o trabalho realizado na Cultura Nordestina, durante esses 8 anos, além de reafirmar a convicção de que, além de serem arte, educação e cultura, direitos humanos, são também os eixos de uma sociedade inclusiva, participativa e emancipada.</div>
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<div dir="auto">Nas ações implementadas pelo coletivo Cultura Nordestina &amp; LETRART, estarão presentes o estreitamento dos laços e do diálogo entre a universidade e a sociedade, através do estabelecimento dessas e de outras promissoras parcerias.</div>
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<div dir="auto" style="text-align: right;"><strong>Salete Rêgo Barros</strong></div>
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