A luta pela verdade nunca é por ódio, mas em nome do amor. É preciso coragem para amar a verdade, porque ela nem sempre agrada, não grita, ilumina. E iluminar dói nos olhos acostumados com o escuro.
Falar a verdade é um ato de amor por quem veio antes e foi silenciado, e por aquele que surge depois e merece um chão limpo para pisar. É amor por essa terra seca e bonita, que mesmo rachada, não mente sobre o que é.
Vivemos tempos barulhentos, de pressa e distração. Uma cultura apressada, depressiva e incapaz de encontrar sentido. Muitos preferem o conforto da mentira cômoda ao compromisso da verdade que liberta. Não conseguem fazer silêncio, nem dão conta de pensar sobre si mesmas e sentem dificuldade em olhar nos olhos dos demais.
Todavia, o amor jamais é solitário nem vive distante da verdade. Quem ama com sinceridade não passa pano, não esconde, não se vende.
A liberdade não cai do céu. Conquista-se com suor, voz e coragem. É semente que se planta mesmo em terra seca acreditando na água que mora na profundeza. É o grito que não cala apesar de envolto medo.
Lutar pela liberdade é dizer “não” às correntes; é abrir janela onde só tinha muro; é ensinar o filho andar de cabeça erguida; é lembrar que ninguém nasceu para cabresto.
Liberdade não é fazer o que se deseja. É ter o direito de ser quem se é. É poder plantar, colher, rezar, falar e sonhar sem pedir permissão ao medo.
A liberdade dói, porque exige escolha e responsabilidade. Porém, a escravidão dói mais, pois mata a alma da vida. Na história da humanidade, a arte de escravizar o outro é antiga. Os Impérios de uma época precisavam de gente para ampliar seus exércitos e para o trabalho de construção. Um povo vence e subjuga o vencedor. Há situações também de compra e venda de pessoas para os diversos trabalhos e situações de escravidão. Até hoje, ainda existem situações de tráfico de pessoas para o trabalho, o prazer e para a venda de órgãos. É uma tragédia que movimenta muito dinheiro e extermina o dom da vida de muita gente.
Por isso, toda verdade dita com amor é liberdade. E toda liberdade conquistada com coragem é amor. Amor não tem preço, nem peso, nem cor; somente ele salva a humanidade. Não é preciso ser rico, ter bens preciosos para poder doar ou ser branco para ser humano de verdade. Doar não é se liberar de sobras, mas deve ser um ato de amor.
Ter coragem de dizer a verdade é ficar de pé quando seria mais fácil se ajoelhar. É estender a mão mesmo quando o outro só oferece o punho. A vida nem sempre nos brinda com situações fáceis. As adversidades nos provocam e exigem de nós atitudes novas. O poema de Drummond (1928) “No meio do caminho” fala de um obstáculo, a pedra, que nunca sai da frente, não some, o caminho nunca fica livre.
Vivemos experiências fragmentadas que nos impedem de ver a beleza da vida, da oração e da ação, do compromisso e da empatia com o sofrimento alheio. Mas quem encontra sentido de viver, vai sempre lutar pela vida, em qualquer circunstância. As pessoas resilientes, mesmo em situações de dor e sofrimento, reagem às dificuldades de forma construtiva, buscando soluções e tirando lições das experiências. Que a nossa luta não seja só por nós, mas pelos que vieram antes e não puderam, e pelos que virão e merecem um mundo mais leve. Porque o mundo precisa de voz que fala de gratidão e de liberdade.
EVA Medeiros de Matos SALUSTIANO é natural de Currais Novos/RN. Graduada em Letras e Especialista em Literatura Luso-brasileira pela UFRN, é Professora de Língua Portuguesa, poetisa, escritora, biógrafa, cordelista, trovadora, pesquisadora e outros. Publicou vários folhetos de cordéis; além de livros solo, é coautora de antologias nacionais e internacionais; Membra da Associação Literária e Artística de Mulheres Potiguares – ALAMP; Casa do Cordel/Natal; Cordel das Rosas/PB; União Brasileira dos Escritores do Rio Grande do Norte – UBE; Academia Currais-novense de Artes e Letras – ACAL; Academia de Artes Ciências e Letras do Brasil – ACILBRAS; Academia Feminina Sul-mineira de Letras – AFESMIL; Institut Cultive Suisse Brésil.
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