FALSAS VERDADES
Estou cheia
das verdades alheias
muros que cercam
um único modo de ser
de viver
de ver o mundo.
Estou cheia
dessas verdades
que fecham portas
rejeitam outros caminhos
dessas bandeiras
agitadas ao vento
muitas vezes escondidas
por trás do manto de Deus
um amor que tem dono
uma fé
construindo montanhas…
E eu ainda sonho
com espaços sem donos da verdade
com o amor verdadeiro
abrindo janelas
com um tempo
para escutar o outro
para caminhar lado a lado
para conviver
pacífica Mente
rios diferentes
se encontrando no verde mar
do meu país.
O QUE PODE SER VERDADEIRO
Ah mentirinha deslavada! Passou por aqui correndo como uma criança trelosa de pernas curtas inventando um monte de histórias! Bichinha perigosa e inconsequente! Quando se espalha, fica quase impossível desmenti-la… Vai terminar indo de cara com a senhora verdade, aquela mulher rígida com dedo em riste traçando um fio reto no mapa para apontar um único caminho, uma verdade e uma vida.. Deus que me livre de encontrar com essas criaturas sinistras pelo caminho! Já vou mudando de pensamento, de vibração.
Quero estar longe dessa mentira que passa ligeira inventando realidades paralelas. Depois do estrago feito, resta uma mentira cabeluda crescendo no boca-a-boca, como as longas tranças de Rapunzel. Quem foi caluniado(a) passa a vida inteira precisando justificar sua conduta… E não me venha com essa carinha falsa se fingindo de inocente! A mentirosa intenção envenenou a opinião pública e poucos conseguem se libertar desta situação.
Há muito tempo me ensinaram que a verdade é uma só. Que mais cedo ou mais tarde ela há de aparecer. Poucos casos são bem resolvidos, por conta de uma única mentira. Mas a senhora verdade lá no alto da sua certeza irrevogável é outra entidade perigosa!
Quero distância dessa verdade dura, que não arrisca uma mentirinha leve, que não tem piedade do que expõe. Que não pondera diante de outras opiniões. Lá do alto do seu púlpito pode decidir sobre a vida de outrem, pelo seu mal, sem ponderações. Eu estou certa e você está errado. Como no tempo de Moisés. Naquele tempo, uma palavra proferida poderia ser a sentença de morte para outrem. Ainda hoje pode ser assim. Depois de largada uma verdade absoluta sobre alguém, sobre um fato, um ato, como um martelo batido pelo juiz, foi selada uma verdade.
Na verdade, se me permite falar assim, nem sempre é o que parece… verdade e mentira estão circulando pelo ambiente, e um fio tênue as separa. Cabe a nós compreender que ninguém é dono da verdade. Penso ser um caminho que percorremos, entre dúvidas, certezas e diferentes maneiras de enxergar o mundo.
Bernadete Bruto é Metroviária, Especialista em RH, Escrita Criativa e Mestre em Design. Tem oito livros publicados, participação em diversas coletâneas, além de várias apresentações performáticas em eventos culturais e vídeos. É produtora do Podcast Salve Palavra, apresentadora do programa Palco Iluminado no Canal Arte Agora e facilitadora da oficina de expressão poética no Curso de Escrita Criativa Social organizado por Patrícia Tenório.
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