Chegando perto de parafrasear o ditado popular: “Quem fala a verdade não merece castigo”, eu diria convictamente: – Quem fala a verdade não precisa preocupar-se em ser perdoado.

A verdade é ponto. Não existe “quase verdade” ou “quase honestidade”. Nela não há meio termo: ou é verdade ou é mentira.

Existe, sim, uma liberdade infinita em ser alguém que não mente. E não é por causa daquele ditado antigo de que “a mentira tem pernas curtas”. Hoje, a mentira possui asas. Ela corre o mundo numa velocidade virtual, multiplica-se em grupos, torna-se manchete, opinião, silêncio conveniente. Mas, quem mente vive preso na rede da própria mentira. Tem que decorar o que disse, sustentar o que inventou, vigiar para não escorregar. É uma prisão sem grades onde o carcereiro habita.

A verdade é libertadora. A princípio, pode doer, isolar, custar amizades, cargos, aplausos. Depois, limpa o interior. Nos textos sagrados está escrito: “Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”.

Ser livre de mentiras não me garante que não serei vítima dela. O mundo está cheio de gente que prefere o atalho, o jeitinho, a versão que convém. Mas me garante uma coisa: eu não vou usar a mentira para me beneficiar.

A verdade é caminho. Foi por ela que passaram grandes nomes da humanidade. Gente que pagou com a própria vida, com o exílio, com o esquecimento. Porém não negou o que sabia.

Cientistas, escritores, mulheres que disseram o nome dos filhos, povos que anunciaram o nome da dor. Todos escolheram a verdade, mesmo quando ela custava tudo.

A ausência da verdade torna o viver um lugar inóspito. Quando a palavra não vale, a casa vira teatro, a amizade; negócio; o amor, contrato. Sem verdade, o chão desaparece.

É difícil percorrer o caminho da verdade, pois exige coragem para afirmar: eu errei; humildade para dizer: eu não sei; firmeza para falar: isso está errado, mesmo estando sozinha. Mas é libertador porque, à noite, quando tudo cala, a consciência deita e dorme.

Usar a mentira como escudo é se fazer menor do que a própria mentira. É encolher a alma para caber numa história que não é sua. Não quero isso para mim! Quero ser grande e inteira, que o que eu digo se aproxime, o máximo possível, do que eu sou.

Que meus livros combinem com meus passos, que minha assinatura valha nas páginas e na vida real. Se não for para ser de verdade, é melhor não sê-lo. Melhor o silêncio honesto do que o discurso ensaiado, a ausência do que a presença fingida. Melhor lutar, mesmo sangrando, do que viver em paz comprada com mentira. A verdade não pede licença. Ela apenas é. E quem caminha com ela descobre que a maior vitória não é convencer o mundo, não é se perder de si mesmo no meio do caminho.

 

Colly Holanda é natalense, mas se considera pernambucana de coração. Geógrafa, escritora, poetisa, contadora de histórias e promotora cultural. Publicou 16 livros solo; sendo 13 infantojuvenis dos quais, 7 adotados nas escolas Brasil a fora. Tem participação em mais de 30 antologias, sendo 10 internacionais. É associada a ALAMP – Associação Literária e Artística de Mulheres Potiguares; ALEAMP – Academia de Letras e Artes de Mulheres Potiguares; UBE/RN-União Brasileira de Escritores do Rio Grande do Norte; ARL- Academia Recifense de Letras; AALCO – Academia de Artes, Letras e Ciências de Olinda; PCN – Ponto de Cultura Nordestina Letras & Artes; ACILBRAS – Academia de Ciências e Letras do Brasil; Cultive/Genebra.  Ama escrever para crianças e adultos com coração infantil.

 

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