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	<title>Arquivos Coletânea O fio da meada &#8226; Cultura Nordestina</title>
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	<description>Letras &#38; Artes</description>
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	<title>Arquivos Coletânea O fio da meada &#8226; Cultura Nordestina</title>
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		<title>Milagrâncias, por Bruna Estima Borba</title>
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		<pubDate>Thu, 29 Oct 2020 20:05:16 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Coletânea infantojuvenil]]></category>
		<category><![CDATA[Coletânea O fio da meada]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Bruna Estima Borba é natural do Recife. É escritora de novelas e contos ambientados em sua cidade. Sua literatura é contemporânea contendo, de passagem, referências históricas. A narrativa é leve tendendo para a comicidade, sem descuidar de sentimentos e emoções. Professora universitária com doutorado em Direito, é autora de contos e das novelas “Tempo”, “Vivendo [&#8230;]</p>
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<p>Bruna Estima Borba é natural do Recife. É escritora de novelas e contos ambientados em sua cidade. Sua literatura é contemporânea contendo, de passagem, referências históricas. A narrativa é leve tendendo para a comicidade, sem descuidar de sentimentos e emoções. Professora universitária com doutorado em Direito, é autora de contos e das novelas “Tempo”, “Vivendo as circunstâncias&#8221; e “O Edifício Estrela”. Sua obra, já premiada pela Academia Pernambucana de Letras, está disponível em livro impresso e em meio virtual nos sites Amazon. Contatos: E-mail: brunaestimaborba@gmail.com; Facebook: https://www.facebook.com/ bruna.borba.501; Instagram: @bruna_estima_borba.</p>
<p style="text-align: center;"><em><strong>Milagrâncias</strong></em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&#8211; Bom dia. Sueli está?</p>
<p>Senti uma enorme vontade de mentir.</p>
<p>&#8211; Está, mas não pode atender agora.</p>
<p>&#8211; Posso deixar um recado?</p>
<p>O impulso aumentou.</p>
<p>&#8211; Pode sim, mas só vou conseguir dar o recado a mamãe quando ela voltar do curso de astronauta.</p>
<p>&#8211; Como assim? Onde está sua mãe?</p>
<p>Prossegui dando asas à imaginação.</p>
<p>&#8211; Ninguém sabe, é segredo. É um projeto internacional, uma viagem interestelar rumo aos anéis de Saturno. Ela será a primeira mulher a ir tão longe.</p>
<p>A amiga de minha mãe perguntou, preocupada:</p>
<p>&#8211; E quando ela volta?</p>
<p>Ia responder, mas mamãe chegou e tomou o celular de minha mão.</p>
<p>&#8211; Desculpe, Magda. Amandinha vive inventando estórias, não sei mais o que fazer com essa menina.</p>
<p>Eu acabara de aprender os nomes dos planetas e me encantara com o misterioso Saturno. Além do mais, mamãe era minha heroína, nada mais adequado que fosse convocada para essa extraordinária missão.</p>
<p>&#8211; Amanda, você precisa parar de inventar.</p>
<p>&#8211; Não consigo. É sem querer, quando acordo já estou cheia dessas ideias na cabeça, não tenho culpa.</p>
<p>&#8211; Acontece que quando você fala essas coisas, elas se transformam em mentiras. E mentir não é certo. Prometa que vai guardar essas milagrâncias com você.</p>
<p>&#8211; Está bem, mamãe. &#8211; Menti mais uma vez.</p>
<p>Na verdade, eu não conseguia impedir os pensamentos. E, uma vez que nasciam, adquiriam autonomia, moviam-se por si próprios. Quando me dava conta, já haviam saído pela boca, como a água corre sobre o leito do rio, como o vento entra pela fresta da janela.</p>
<p>Os primos não perdoavam:</p>
<p>&#8211; Lá vem Maria mentirinha.</p>
<p>Meu pai foi mais duro:</p>
<p>&#8211; Você não é mais criança. Pare de mentir. Quando as pessoas falam com você têm a expectativa de ouvir a verdade. Não as decepcione.</p>
<p>Fui mandada para o quarto mais uma vez. A porta fechou. Eram duas da tarde e só sairia às seis da noite. Mais que o castigo, a reprimenda de meu pai me magoou. Não queria decepcioná-lo.</p>
<p>Precisava encontrar um meio de controlar aquelas ideias que surgiam em minha mente. Sentia que explodiriam se não as expulsasse jogando palavras como torpedos sobre atônitos ouvintes. Uma angústia enorme tomou conta de mim e comecei a chorar. Adormeci e sonhei que escrevia um dicionário. Não seria como os outros, claro. Nele só haveria palavras inventadas. Deveria começar pelo A, mas decidi que homenagearia minha mãe e iniciei com &#8216;milagrância&#8217;. Escrevi: &#8220;milagrância (substantivo feminino), fato imaginário contado como verdade aproveitando-se da ignorância e credulidade das pessoas&#8221;.</p>
<p>Li e reli aquela definição. Encontrei, subitamente, a solução. Passei a pôr no papel minhas milagrâncias. Tornei-me escritora.</p>
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		<title>A criança interior, por Lívia França</title>
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		<pubDate>Thu, 29 Oct 2020 19:16:05 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Coletânea O fio da meada]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[o fio da meada]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Lívia Ferreira de França é criança há 39 anos, uma recifense que abraça árvores e ama as flores e os animais. Graduada em arquitetura e urbanismo e mestra em desenvolvimento urbano pela UFPE, é arquiteta do IFPE e desenvolve pesquisa de doutorado na Universitéde Toulouse, França. E é casada com Péricles e mãe de Melissa, [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><img decoding="async" class="alignnone size-medium wp-image-5465 aligncenter" src="https://webapp416285.ip-173-255-206-73.cloudezapp.io/wp-content/uploads/2020/10/Livia-Ferreira-de-Franca-260x300.jpg" alt="" width="260" height="300" srcset="https://culturanordestina.com.br/wp-content/uploads/2020/10/Livia-Ferreira-de-Franca-260x300.jpg 260w, https://culturanordestina.com.br/wp-content/uploads/2020/10/Livia-Ferreira-de-Franca-600x694.jpg 600w, https://culturanordestina.com.br/wp-content/uploads/2020/10/Livia-Ferreira-de-Franca-886x1024.jpg 886w, https://culturanordestina.com.br/wp-content/uploads/2020/10/Livia-Ferreira-de-Franca-768x888.jpg 768w, https://culturanordestina.com.br/wp-content/uploads/2020/10/Livia-Ferreira-de-Franca-1329x1536.jpg 1329w, https://culturanordestina.com.br/wp-content/uploads/2020/10/Livia-Ferreira-de-Franca-1772x2048.jpg 1772w, https://culturanordestina.com.br/wp-content/uploads/2020/10/Livia-Ferreira-de-Franca.jpg 1950w" sizes="(max-width: 260px) 100vw, 260px" /></p>
<p>Lívia Ferreira de França é criança há 39 anos, uma recifense que abraça árvores e ama as flores e os animais. Graduada em arquitetura e urbanismo e mestra em desenvolvimento urbano pela UFPE, é arquiteta do IFPE e desenvolve pesquisa de doutorado na Universitéde Toulouse, França. E é casada com Péricles e mãe de Melissa, Luís Eduardo e Pietro.</p>
<p style="text-align: center;"><em><strong>A criança interior</strong></em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Ela está sempre lá</p>
<p>tagarela, espevitada</p>
<p>ou recolhida, perdida em recordações</p>
<p>faz um tempo decidimos olhá-la</p>
<p>ah! Era só o que faltava</p>
<p>era isso mesmo que ela esperava</p>
<p>ela sempre esteve lá</p>
<p>era a gente que não via</p>
<p>não ouvia e não sabia</p>
<p>agora é diferente</p>
<p>tem um monte de gente querendo dela tratar</p>
<p>uma criança machucada, machuca outras crianças</p>
<p>a criança ferida, se curando, aprende também a curar</p>
<p>calma… abraça. Daqui por diante tudo vai mudar</p>
<p>há, sim, tempo para olhar, para sentir, para tolerar</p>
<p>pois foram tantos os momentos</p>
<p>em que ela teve que escutar</p>
<p>“você é linda, fada, braba, preguiçosa</p>
<p>inteligente, caprichosa, um anjo</p>
<p>tem mau gênio, é debochada</p>
<p>desenha como ninguém</p>
<p>dança muito desengonçada</p>
<p>fez bobeira, tem que apanhar</p>
<p>não há lição no erro, você não pode errar!”</p>
<p>caem rótulos por cima de rótulos</p>
<p>lá dentro ela ainda está</p>
<p>nua e assustada, aliviada também</p>
<p>nada mais a esconder</p>
<p>tempo é chegado de acolher</p>
<p>a gente acaba de morrer quando acorda</p>
<p>disse um velhinho de quatro anos</p>
<p>quem foi que disse que seria fácil?</p>
<p>há ainda que decidir</p>
<p>como seguir na caminhada</p>
<p>ora, vamos de mão dadas!</p>
<p>onde já tem luz, faz-se mais então</p>
<p>clareia um monte de escuridão</p>
<p>eita! Como ela agora ri</p>
<p>foi vista, foi aceita, sente-se amada</p>
<p>vejam só! Ela é toda gratidão</p>
<p>criou o incômodo só buscando aceitação</p>
<p>liberada, se despede:</p>
<p>“deu certo, posso partir! De vez em quando eu volto</p>
<p>fica bem e vê se aprende a sorrir!”</p>
<div class="canvasWrapper"></div>
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