TRIBUTO AO NASCER DO FREVO
Cadê tuas pernas,
Articuladas.
Cadê teus pés,
Que te apoiavam
Nas pontas dos dedos,
Também do calcanhar.
Cada gota do teu suor
Eram como lágrimas
Que exalava emoção,
Do teu ser:
O ser homem
O ser dançarino
O ser passista…
Do Frevo que é pernambucano
O ser que nasceu,
E já tem no nome…
Nascimento
O do Passo…
PASSO.
Te jogaram no útero
Da ganância.
Te tornaram um feto empedrado,
Que não mais movimentava.
Você não nasceu de novo,
Vive na lembrança
De quem ainda clama justiça.
De ladeira em ladeira,
Subindo e descendo,
Personificamos tua alegria
Nos equilibramos
Em pedras centenárias
Recife, Olinda.
Até na terceira rua
Mais bonita do Mundo
A Rua do Bom Jesus,
Antônio Maria
De olhos petrificados,
Remetente aos seus frevos
Buscando tua coreografia.
Era o som fervilhando.
E onde está Capiba?
De olhar fixo, esculpido e inerte,
Certamente olha para
Alguma rua ou rio… (Aurora, Sol e Capibaribe)
Cadê o preto Nascimento do Passo?
Ensacado em roupas coloridas
Em:
Azul
Verde
Branco
Amarelo
Vermelho
E os confetes e serpentinas?
Estão contigo no ar.
Tuas lágrimas e suor
Agora têm cor.
O frevo de bloco te saúda
O das Bloco das Flores te perfuma,
O da Saudade…
Ah, esse sim
Não te esquecerá.
EVOÉ!!!
RECICLANDO LETRAS
Tão menina,
Já entre cacos literários.
Reciclável era o seu talento,
Há cada minuto
Teus olhos captavam letras.
Tua íris, raio-x
Buscando frases,
Buscando temas,
Chegando aos poemas…
Letras, letras, letras.
Papéis manchados,
Chorume da sociedade
Alienada à cultura,
Sociedade selva de pedra.
Sobreviver é teu intuito,
Sede de cultura te alavanca
Para frases e pensamentos,
Nos entulhos, interrogações,
Buscando respostas
De Jesus…
Também és Maria,
Carolina
Pele preta
Retinta…
Tão linda
Teus olhos buscam, chamam
O que a sociedade descarta.
Te sentes também lixo nela?
Não!
Buscas o que te resgata,
O ser humano,
Ser poeta
Alcançando degraus.
O cume não é
Do lixo em montanha,
É o que tuas palavras
Podem alcançar.
O chorume
É a sociedade…
Conceição Patrício é Poeta, Artista Plástica e Arte Educadora, de Recife-PE, Nordeste do Brasil. “Contemplo a arte com a poesia, pedagogia e artes plásticas numa abordagem imagética do cotidiano, onde a poesia é o desenho das letras, dando cor para ela com minha emoção. Me integro e me entrego ao que escrevo, sou terra, água, fogo e ar. Amo todas as expressões artísticas e as contemplo com minha verve poética, pois poesia para mim é o meu respiro, onde aspiro e me inspiro, louvando a criação com icônicos elementos”.
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