Estamos em um Universo gigantesco, exatamente dentro da Via Láctea, que está dentro de um grupo denominado Grupo local, contendo cerca de mais cinquenta galáxias entre inúmeras outras galáxias (estima-se que existem mais de um trilhão de galáxias no Universo observável), onde bilhões de estrelas habitam. Assim foi batizada pelos gregos antigos, porque a viam como um “caminho de leite”. Nosso planeta é apenas um ponto ínfimo nessa imensa espiral. Isso sempre me impressionou, tanto que, vez por outra, imagino me afastando do planeta até que ele desapareça por completo. Penso em o quão pequenos somos e na rapidez da nossa passagem por aqui. Astrônomos afirmam que somos uma galáxia anciã, já que o Universo se formou há 13,8 bilhões de anos e a nossa galáxia nasceu um pouco depois, estando hoje com cerca de 13,6 bilhões de anos. É aqui que respiramos e existimos, dentro dessas misturas de luzes que, no século XVII, pôde ser vista através do telescópio. Ao olhar para o céu, em um local escuro, podemos ver uma faixa de estrelas coberta por poeira e gás. Isso é apenas um pequeno pedaço desse caminho de leite.

Entre tantos planetas, Gaia, a Mãe-Terra, teve todo o cuidado em nos oferecer todas as condições para sobrevivermos neste planeta: água, solo fértil, sol com distância ideal, oxigênio, núcleo metálico capaz de gerar um campo magnético, atuando como escudo protetor contra radiações cósmicas, carbono, gravidade, entre tantas outras características ideais para manter todos os seres vivos que a habitam. Além disso, lugares com belezas de tirar o nosso fôlego. Então você há de concordar comigo: temos muita sorte em estarmos aqui.

Por tudo isso, nossa relação com ela deveria ser de grande amor, como a relação que devemos ter com nossas mães, em sinal de respeito, consideração e agradecimento pelo que nos oferece. Admiro a conexão espiritual e ancestral que os povos originários têm com a casa onde habitam. Uma relação baseada no equilíbrio e na reciprocidade. Nela se encontram as raízes dos seus antepassados e a memória das lutas pela sobrevivência. Em seus rituais, normalmente panteístas (onde a natureza e o divino estão conectados), reverenciam plantas, animais, elementos, seres mitológicos e ancestrais.

Nascemos com os sentidos perfeitos e dotados de grande inteligência e sensibilidade. Inventamos o fogo, a roda, a navegação à vela, o tijolo, a anestesia, os sistemas de escrita. Enfim, somos e fomos capazes de grandes invenções até chegarmos aqui, onde vivemos hoje conectados, e podemos nos comunicar, em tempo real, com quem está do outro lado do mundo, entre tantos outros avanços inimagináveis há um tempo não muito longe. Mas nos perdemos no nível de consciência, que deveríamos ter herdado dos nossos ancestrais. Nos perdemos na ganância, na luta pelo poder, na valorização do eu ao invés do nós. Nos perdemos quando perdemos o sentido de humanidade, do entendimento de que tudo no mundo está interligado.

Na falta dessa consciência, destruímos o planeta de diversas formas, assim como exterminamos uns aos outros em busca do poder. Desmatamos, poluímos rios, mares e florestas, não preservando o lugar que nos abriga. Esse processo vem de milhares de anos antes do que imaginamos. Temos a poluição como principal fator para a degradação do meio ambiente.

Várias conferências ambientais têm sido feitas e são muitos os alertas sobre o rumo que o planeta está tomando. A Terra agoniza enquanto os interesses continuam acima das mudanças de atitude, que são hoje mais do que urgentes para a preservação de todas as espécies. Essas conferências visam buscar alternativas para a preservação do meio ambiente que nos resta, além da minimização dos impactos ambientais negativos, e estimulam o desenvolvimento sustentável. Mas é preciso uma consciência que parece não ter lugar diante da ambição humana.

Temos os Estados Unidos e a União Europeia permanecendo como maiores emissores de CO2 na atmosfera. Infelizmente, não acredito que haverá um compromisso coletivo das nações nas reduções anuais desses gases, o que aumentará cada vez mais o impacto desses efeitos sobre todo o mundo. As temperaturas marinhas recordes potencializam furacões; o calor recorde está transformando florestas em barris de pólvora, e as cidades em verdadeiras saunas. Esses impactos estão se acentuando rapidamente. Caso não haja uma intenção e um verdadeiro comprometimento das nações, e isso requer grande esforço, não teremos mais tempo para nada. Para isso é preciso uma imensa mobilização internacional.

Estamos todos no mesmo barco, à mercê do que virá. Às vezes me pergunto se realmente ainda há tempo, e gostaria muito de uma resposta positiva. A Terra clama por consciência, dá avisos, pessoas e lugares padecem, mesmo assim insistem em ir além dos limites, mesmo que tudo se perca, que todos sofram e que a vida aos poucos desapareça. Isso sem falar nas guerras, onde exterminam uns aos outros. Tudo em nome das posses e riquezas.

Pergunto: onde estão os homens dotados de inteligência, que inventaram tantas maravilhas e que hoje estão acabando com o lugar onde habitam? O que farão com suas riquezas sem um mundo?

Estão rastejando no nível de consciência de lama para se tornarem grandes, ou talvez à espera de um milagre. Enquanto isso estamos prestes a perder tudo o que temos e somos, transformando a Terra em um ponto triste e destruído dentro do brilhante caminho de leite.

 


Nasci no Recife, oito meses após o golpe de 1964, portanto, já nasci cismada, com uma pulga atrás da orelha e uma ruga na testa.

Administradora por formação, pós-graduada em escrita criativa, gosto mesmo é das artes, da literatura e dos esportes. Já fui dançarina, ginasta e nadadora, mas a poesia e a escrita me pegaram para dançar no salão dos meus vazios e, desde então, elas sempre me salvam de mim.

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Uma resposta

  1. O Universo e seu encanto de ser sempre uma interrogação, o homem anda ao lado dela testando ou criando sensação de ser assim, ser humano.

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