Uma grande confusão se fazia no espírito de Francisca, ao pensar no que foi ontem e no que poderia ser, em vez de como será? Consolar-se na qualidade de pobre mulher que mora na Rua da Glória no Rio de Janeiro, com 80 anos vivido na excelência de boa conduta e descobrindo-se no tempo caminhante de uma solidão, recusava-se a assistir a evolução daquela paisagem de conflitos, de violência e de desrespeito em que se valia aquela sociedade ao seu redor.
O tempo lhe fez menos forte, mais frágil, porém, mais experiente que os jovens que não cultuavam nas interconexões do presente com o passado, mas na busca de eventos da moda que absorvida pelas estações cronológicas da sociedade se esconderia por trás dos pseudônimos alheios à humanidade. Desesperança, não, não, a solidão e a incerteza sim, deformavam os sonhos que se perduravam na força que lhe franzia a testa e murchava-lhe o corpo com a cera dos anos, diante do cenário social alarmante a vontade era de estender o seu grito de horror, sacudir o ódio, aniquilar o anarquismo social, nivelar-se heroína de um romance humano, histórico e autêntico, transformar aquela triste realidade em uma fantasia percebível, sem apagar as luzes da perspectiva de que com a espada de um recomeço ainda se poderia reconstruir uma trincheira destruída. Um ano após outro, décadas após outras, nada mudava, mortanças, crimes, injustiças, “marinheiros de primeira viagem” perdendo-se, bebendo no cântaro da violência coberta pelo tule do vício e da miséria, os ruídos da paz já não se ouviam mais naquela “Guanabara,” o sino da igrejinha defronte da praça por onde passavam os viajantes do século XIX, e porque não lembrar: Lima Barreto, Machado de Assis e outros tantos importantes de várias regiões do Brasil, apaixonados pelo Rio de Janeiro, pelas praças igrejas, arte e cultura, praça esta, que decoradas pelos traços da violência, quase vazia já não encantava mais os transeuntes, fora lugar de memórias, onde se descobriam vidas e se resgatavam histórias… O tempo e Francisca, movimentos e conexões do pensamento, fragmentos de ideias, fantasia e realidade, a luz e as trevas, Francisca, mulher de olhar distante, compulsiva pela vontade de descobrir-se no combate a resistência maléfica de uma sociedade despojada de distrações dolosas, onde cada um suportaria ser um braço, um convite a solicitude necessária, o que o seu silêncio da educação por si só não poderia argumentar tamanha reflexão, mas um enfrentamento coletivo, político e social com responsabilidade chegaria além do individualismo, do medo, pois enfatizar a importância da não aceitação de uma consciência solitária poderia ser a montagem das duas faces no seu pensar: a vida, e a morte mais viva, batalha e esperança uma inevitável força que propõe esperança de instantes de graça nas páginas que se seguem… “Consciência para que te quero?”
Maria Luiza S. Saraiva de Morais, natural de Surubim Pernambuco, professora graduada em Pedagogia/UNIFAFIRE, com Especialização em Supervisão e em Administração Escolar/UNIFAFIRE (1997), Pós-graduação “Lato-Senso” – Especialização em Metodologia das Práticas Pedagógicas/UFPE (2001). Gestora da Educação Pública de Recife/PE, (1998/2010). Técnica Pedagógica do Programa Manoel Bandeira de Formação de Leitores/PMBFL – Rede Municipal de Ensino de Recife/PE. (2010/2016) Professora Titular da Educação Municipal de Camaragibe/PE. Autora do projeto: Como Incentivar a Leitura e a Escrita Através da Poesia, e do artigo científico: A CIÊNCIA DA POESIA EM SALA DE AULA, Bacharelanda em Direito – FAMAM. Foi Vice-presidente da Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil (coordenadoria/PE/2019/2021). Acadêmica Imortal Correspondente, Cadeira No. 09 da Federação Brasileira dos Acadêmicos das Ciências, Letras e Artes -FEBLACA, Niterói/RJ. Membra da Academia de Letras, Artes e Ofícios dos Municípios de Pernambuco – ALAOMPE. Membra Sócia do Instituto de Patrimônio Histórico, Arquitetônico e Geográfico de Gravatá/IHAG, Gravatá/PE. Membra da Academia Vitoriense de Letras, Artes e Ciências – AVLAC.
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