A condição de sermos os únicos seres pensantes não é garantia de que a nossa consciência já vem pronta, mas de que ela precisa ser construída a cada dia. Parece-me, que parte da humanidade não tem conhecimento nem mesmo da própria existência. É como se “ser como eles” já fosse o suficiente para o existir. Tenho percebido que poucas pessoas se arriscam a serem elas mesmas. A preocupação em parecer com os outros tem sido uma marca prevalente entre os humanos.
Recentemente, as cirurgias para harmonização facial, as lipoaspirações para caber numa medida imposta pelo mercado de consumo, que dita o que é bonito e aceito, tem roubado de mulheres e homens a sua singularidade. O medo dos sinais do envelhecimento, condição natural para todas as espécies, inclusive, do próprio planeta, tem empurrado milhões de pessoas para os centros estéticos em busca do milagre do rejuvenescimento.
Cuidar-se para ter mais saúde não parece ser o suficiente, pelo contrário, muita gente arrisca a própria saúde em busca da boa aparência. É como se aparentar ser fosse muito mais importante do que ser. É assombrosa a supervalorização da beleza do corpo. Não sei se isso justifica, mas tudo indica que as pessoas deveriam estar mais empenhadas na beleza interior. A harmonização facial e corporal deveria importar muito menos do que a harmonização do coração. A harmonia entre as criaturas e o Criador precisaria vir em primeiro lugar. Imagino que harmonizar-se consigo mesmo deveria ser a maior regra de beleza – esculpir-se por dentro para estar em harmonia com os outros seres.
Nos últimos tempos, venho deixando para trás muitas regras impostas pelo “corretamente aceito no mundo da moda”. É claro que isso não significa que eu não estou me cuidando, ao contrário, isso significa que eu valorizo a autoconfiança, a autoestima e a minha autonomia. Me arrumo, me ajeito com a intenção de ficar bem comigo mesma, numa tentativa de harmonizar o meu interior com o exterior, sem a preocupação de agradar os olhares de estilistas e esteticistas de plantão. A consciência sobre mim mesma é muito mais valiosa do que as opiniões que alguém venha a ter sobre mim. Venho construindo esse jeito de me olhar, e tenho me amado muito mais nesse estilo harmonioso de ser.
À Vida! Vamos?
COLLY HOLANDA é natalense, geógrafa, escritora, contadora de histórias, promotora cultural, intérprete da arte. Reside no Recife/PE. Tem publicados um cordel, três livros solo, onze infantojuvenis, dos quais cinco adotados em escolas. Tem participação em trinta e sete antologias, sendo seis internacionais. Ama escrever para crianças e adultos com coração de criança. É membro da Associação Literária e Artística de Mulheres Potiguares – ALAMP; União Brasileira de Escritores do Rio Grande do Norte – UBE/RN; Academia de Artes, Literatura e Ciências de Olinda – AALCO; Sociedade de Poetas Vivos de Olinda – SPVO; Academia de Artes Ciências e Letras do Brasil – ACILBRAS; Academia Internacional de Literatura e Artes – AILA; Cultura Nordestina, Letras e Artes-CNLA; Academia Literária de Música e Artes de Salvador – ALMAS; Academia Literária de Goiás Velho – ALGV; Institut Cultive Suisse Brésil.
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