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	<title>Arquivo Artigos &#8226; Cultura Nordestina</title>
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	<description>Letras &#38; Artes</description>
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	<title>Arquivo Artigos &#8226; Cultura Nordestina</title>
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		<title>O direito a uma educação humanizada, democrática e sustentável</title>
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		<pubDate>Thu, 05 Sep 2024 18:09:50 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>*Tema da IV Conferência de Educação Municipal do Simproja / 2024 no CFL/ Sindsprev, Guabiraba, Recife, 20/21 de agosto. &#160; A luta pelo direito a uma Educação humanizada tem um solo e uma conjuntura de fatores que proporcionaram sua expressão: o chá do Recife e Olinda com as ações da Igreja Católica, sob a direção [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>*Tema da IV Conferência de Educação Municipal do Simproja / 2024 no CFL/ Sindsprev, Guabiraba, Recife, 20/21 de agosto.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>A luta pelo direito a uma Educação humanizada tem um solo e uma conjuntura de fatores que proporcionaram sua expressão: o chá do Recife e Olinda com as ações da Igreja Católica, sob a direção de D. Hélder Câmara em sua opção radical pelos pobres e oprimidos do Brasil.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>As células que se desenvolveram tinham relação com as lutas das populações das comunidades periféricas que se transformaram em movimentos: Movimento das Escolas Comunitárias, Movimento de Meninos e Meninas de Rua, Movimento dos Sem Terra, Movimento Negro Unificado, etc.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Tudo sob a batuta da estrutura colocada à disposição pela Ação Católica Operária, pelo Instituto de Teologia do Recife e pela Arquidiocese do Recife e Olinda, com sua Ação Social dirigida e orientada pelo Prof. João Francisco de Souza e pela Profa. Edla de Araújo Lira Soares, ambos da Universidade Federal de Pernambuco.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Neste chão começa-se a tecer o conceito de direito à Educação humanizada.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Neste sentido, o direito a uma Educação humanizada é parte de um conjunto de direitos sociais, que têm como inspiração o valor da igualdade entre as pessoas.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>No Brasil, este direito apenas foi reconhecido na Constituição Federal de 1988, fruto de uma série de lutas dos referidos movimentos, entre outros. Antes disso, o Estado não tinha obrigação formal de garantir educação de qualidade a todos os brasileiros &#8211; o ensino público era tratado como assistência, amparo dado àqueles que não podiam pagar.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Além da Constituição Federal de 1988, existem ainda duas leis que regulamentam o Direito à Educação: o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), de 1990, e a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), de 1996.</p>
<p>Juntos, esses mecanismos abrem as portas da escola pública fundamental a todos os brasileiros, já que nenhuma criança, jovem ou adulto pode deixar de estudar por falta de vaga.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>A Educação qualifica o cidadão para o trabalho e facilita a sua participação na sociedade. Todos os cidadãos têm direito à Educação. Com ela, o brasileiro pode vislumbrar uma vida livre da pobreza e participação na sociedade por meio da qualificação profissional para o trabalho. Quem não tem nenhum acesso à Educação não é capaz de exigir e exercer seus direitos civis, políticos, econômicos e sociais, o que prejudica sua inclusão na sociedade moderna.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>A Educação é também um dever da família e do Estado. Em muitas regiões do país, as crianças trabalham para ajudar no sustento da casa e, por isso, não recebem incentivo familiar para se dedicar à escola.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Todas as crianças têm direito à igualdade de oportunidades e condições para o acesso e permanência na escola, que deve garantir o pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas, o respeito à liberdade e o apreço à tolerância.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Por uma educação humanizada na escola pública </strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>A Educação humanizada tem a finalidade de garantir o acolhimento e o pertencimento do aluno aos grupos que integram o seu cotidiano, tanto na escola quanto em outros ambientes.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Assim, o foco no espaço escolar não se restringe ao conteúdo pedagógico. O desenvolvimento sócio-emocional também será estimulado.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>A Educação humanizada é a semente de grandiosidade, do amor e do acreditar no ser humano. Pelo seu poder transformador é possível amenizar os problemas, pois produz seres humanos mais humanizados e humanizadores, que serão multiplicadores da solidariedade, da justiça, do amor e do respeito às diferenças.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>A educação humanizada leva em consideração a subjetividade de cada aluno, reconhecendo que cada indivíduo é completo com sonhos, frustrações, medos, etc. Diante desse cenário, cada pessoa deve ser compreendida em sua totalidade, sendo que os aspectos emocionais ganham importância no processo de ensino-aprendizagem.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Para o educador Paulo Freire, o ser humano é um ser inacabado e em constante humanização, e a Educação Libertadora é igual à humanização do ser humano.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>O meu conceito particular de humanização é: o conjunto de valores,  técnicas, comportamentos e ações que, construídos dentro de princípios estabelecidos, promovem a qualidade das relações entre os alunos e professores, e, entre estes, estão a escola e a comunidade.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Neste sentido, a escola precisa ser acolhedora e, para isso, deve sensibilizar seus atores (professores alunos e pais) e a comunidade ao entorno para trazer debates sobre temas transversais; discutir sobre estudos de caso da própria comunidade; deixar que os órgãos participativos realmente atuem; criar grupos de mediação de conflitos; dar legitimidade aos seus grêmios; tecer programas extracurriculares; acrescentar e avaliar o currículo de maneira diferenciada, além de deixar a comunidade escolar debater e analisar argumentos e valores de ética e moral a partir de uma relação dialógica, agindo com sensibilidade e consciência para ressignicar suas práticas pedagógicas, mas também suas posturas no que tange ao desenvolvimento integral do aluno.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Ao longo da história da Educação, tivemos uma expansão da escola pautada na mediação do trabalho.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Neste sentido, humanização é o equilíbrio entre o conhecimento, mais o desenvolvimento do projeto de vida do aluno. A escola precisa ser o lugar que os alunos brinquem e aprendam de maneira significativa a trabalhar com valores do seu desenvolvimento integral, exercendo inclusão e equidade.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Temos vários documentos que reforçam isso, como o Plano Nacional de Educação (PNE) e a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), em uma perspectiva que a escola possa produzir um espaço para a construção do ser humano autônomo, criativo, respeitoso, responsável e feliz.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Precisamos exercitar no chão da escola esses documentos para avançarmos na nossa humanização e a dos nossos alunos.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Por hoje concluo o meu pensamento. Continuo desenvolvendo o meu raciocínio nas próximas semanas.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Suzana Cavalcanti<br />
Professora aposentada da UPE &#8211; Universidade de Pernambuco</p>
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		<title>Quantas mulheres negras fazem parte do seu círculo de conhecimento?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Suporte Recify]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 13 Aug 2024 14:02:04 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Quantas mulheres negras fazem parte do seu círculo de conhecimento? Entrar em contato com o conhecimento produzido por mulheres negras nas mais variadas áreas &#8211; ciência, arte, cultura, esporte, humanidades, política, educação &#8211; e fazê-lo circular amplamente na vida social brasileira, pernambucana e recifense, é uma estratégia de descolonização. Compartilhemos esta ideia! Por isso, convidamos [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Quantas mulheres negras fazem parte do seu círculo de conhecimento?</strong></p>
<p>Entrar em contato com o conhecimento produzido por mulheres negras nas mais variadas áreas &#8211; ciência, arte, cultura, esporte, humanidades, política, educação &#8211; e fazê-lo circular amplamente na vida social brasileira, pernambucana e recifense, é uma estratégia de descolonização.</p>
<p>Compartilhemos esta ideia!</p>
<p>Por isso, convidamos a todos e todas a conhecerem a vida e a obra de nossas mulheres negras, como é o caso de Dani Portela, deputada estadual pelo PSol &#8211; candidata à Prefeita do Recife &#8211; advogada e professora historiadora e Carmem Dolores, pre- candidata à Vereadora pelo PSol &#8211; Doutora em Educação pela Universidade Federal de Pernambuco. Ambas comprometidas com a luta pela emancipação humana e com um projeto socialista de sociedade.</p>
<p>Exemplos de coragem, resistência e organização na história de Pernambuco, haja vista que também tornaram-se símbolos de trabalho, das políticas mobilizadoras, de resistência cultural, da luta pela cidadania e defesa dos direitos humanos.</p>
<p>Nesta direção, a representatividade das mulheres negras é importante para todas as áreas já citadas, principalmente na política, em que as nossas pautas são usadas como trampolim eleitoral pelos mesmos políticos brancos de sempre.</p>
<p>Por isso, as tradições e conhecimentos transmitidos ao longo das gerações enriqueceram nossa sociedade de maneiras inestimáveis.</p>
<p>A diversidade de ritmos e danças, como o samba e o maracatu, originou-se dessa herança brasileira, pernambucana e recifense.</p>
<p>Voltamos a insistir na importância da representatividade em seu poder de validar experiências individuais e coletivas. Ela fortalece a autoestima e a identidade, pois quando as pessoas se veem representadas, sentem-se reconhecidas e importantes.</p>
<p>A consciência negra no Brasil representa um importante passo na busca por igualdade e justiça social.</p>
<p>Historicamente, o processo eleitoral brasileiro reflete a marginalização dos negros e negras, mas o voto consciente emerge como ferramenta poderosa para fortalecer a inclusão e estimular transformações profundas na estrutura social.</p>
<p>O ato de votar transcende a mera seleção política, simbolizando um exercício de cidadania, é um passo adiante rumo à igualdade social.</p>
<p>Reconhecer a importância do voto negro é vital para a construção de uma democracia genuína que enxerga a diversidade como um valioso ativo e não como um obstáculo.</p>
<p>Apoiamos a luta das mulheres negras!!!</p>
<p>Visitamos esta camisa ?!!!</p>
<p>Coletivo Resistência</p>
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		<title>Apresentação de Carmem Dolores</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Suporte Recify]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 07 Aug 2024 16:54:14 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>A utopia está lá no horizonte. Me aproximo dois passos, ela se afasta dois passos. Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei. Para que serve a utopia? Para que eu não deixe de caminhar. &#8221; ( Eduardo Galeano) Queridas companheiras e queridos companheiros!!!! O pensamento destacado [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<blockquote><p>A utopia está lá no horizonte. Me aproximo dois passos, ela se afasta dois passos. Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei. Para que serve a utopia? Para que eu não deixe de caminhar. &#8221; ( Eduardo Galeano)</p></blockquote>
<p>Queridas companheiras e queridos companheiros!!!!</p>
<p>O pensamento destacado é uma introdução para apresentar o que acredito e como me posiciono na luta.</p>
<p>Sou Carmem Dolores, mulher negra , feminista , ativista da educação pública popular e antirracista; filha, mãe, esposa; amiga, companheira e camarada.</p>
<p>Entender a conjuntura atual na Cidade do Recife é confirmar a necessidade de que a minha voz e minha luta são convergentes às lutas da categoria de professoras e professores e que, o tempo se encontra propício para ocuparmos o espaço institucionalizado, a fim de legislar e garantir avanços significativos no contexto da educação em nossa cidade.</p>
<p>Assim, assumo o compromisso de defender as teses do coletivo de professoras e professores num momento crucial à participação popular.</p>
<p>1. A nossa primeira tese é sobre a concepção da educação pública popular como um ideário humano, onde todos somos responsáveis pela transformação da sociedade, contrapondo-nos a uma educação como prática da domesticação, como produto de mercado e de dominação.</p>
<p>2. A nossa segunda tese é sobre a gestão democrática e participativa na educação municipal na Cidade do Recife</p>
<p>2. A terceira se norteia sobre os princípios, as finalidades e os valores da nossa educação, negligenciados de várias formas nesta sociedade capitalista.</p>
<p>4. A quarta tese é sobre os direitos a serem garantidos: direito à igualdade, à inclusão e à justeza; direito à moradia digna, ao trabalho e à renda fixa; direito à educação, ao esporte e ao lazer; direito à cultura e à arte, direito à ciência, à tecnologia e inovação; direito à saúde integral, à alimentação; direito à felicidade e ao viver em bem-estar.</p>
<p>5. A quinta tese diz respeito à valorização dos profissionais da educação na defesa em torno das pautas salariais, de carreira, de trabalho e de formação dos educadores na nova/velha ordem, a qual poderemos contribuir para desinstalar, caso ocupemos os lugares de representatividade neste solo recifense.</p>
<p>As teses existem para que os grupos organizados, conscientes do papel a assumir, possam se impor diante do combate ao perfil caótico das bancadas de legisladores nas cidades brasileiras e no País: uma maioria branca, masculina, misógina, homofóbica, entre outros aspectos igualmente discriminatórios.</p>
<p>Falares convergentes, ações potentes!</p>
<p>Vamos à luta companheiras e companheiros!</p>
<p>Carmem Dolores<br />
Doutora em Educação e<br />
Pré-candidata a vereadora do Recife.Ca</p>
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		<title>Pensamentos nossos*</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Suporte Recify]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 05 Aug 2024 17:42:41 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Carmem Dolores, Dani Portela e demais companheiros e companheiras de luta!!! Vamos colocar os pingos nos is?! Como já dissemos e repetimos, é do interesse das políticas públicas para professores militantes, discutir os princípios, as finalidades e os valores da educação pública popular socialista, ou seja, da pedagogia socialista, e aqui vamos pensando e desenvolvendo [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Carmem Dolores, Dani Portela e demais companheiros e companheiras de luta!!!</p>
<p>Vamos colocar os pingos nos is?!</p>
<p>Como já dissemos e repetimos, é do interesse das políticas públicas para professores militantes, discutir os princípios, as finalidades e os valores da educação pública popular socialista, ou seja, da pedagogia socialista, e aqui vamos pensando e desenvolvendo um texto à luz de experiências, leituras, vivências e reflexões sistemáticas há mais de 45 anos na militância e no trabalho como professores das escolas comunitárias, escolas e universidades públicas.</p>
<p>Temos clareza ética do projeto que defendemos para a Educação e a Cultura da Cidade do Recife. Sim!</p>
<p>Porque não há como separar Educação e Cultura, de acordo com a teoria marxista e a do socialismo científico, que coloca proposições no sentido de fomentar a luta revolucionária da classe trabalhadora para a superação do sistema capitalista de produção numa sociedade em transição.</p>
<p>Quando se trata de falar sobre Educação articulada à Cultura, queremos dizer que são fenômenos intrinsicamente ligados. A Educação e a Cultura, juntas, tornam-se capazes de modificar a forma de pensar dos educadores e educandos, quando a cultura é adotada como aliada no processo ensino-aprendizagem.</p>
<p>Neste caso, a educação é transmissora de cultura e a escola, um espaço de trocas culturais e de interação da cultura com o conhecimento.</p>
<p>Neste sentido, fizemos um enunciado geral ou preâmbulo a ser transformado num projeto com a pauta socio-filosófica e político-pedagógica do Grupo Resistência/PSol a ser sistematizado à luz das ideias de Marx, Engels, Gramisci, Meszaros, Dermeval Saviane e Paulo Freire, entre outros pensadores, contando para tal com a participação de todos os envolvidos.</p>
<p>Às vezes, por estarmos absortos na lida de sindicatos e organizações populares, e no fazer político-pedagógico, tendemos a nos tornar corporativos, e isso limita a visão de Educação e Cultura que precisamos defender, lembrando que não há revolução sem teoria revolucionária.</p>
<p>Vamos compartilhar aqui o nosso enunciado:</p>
<p>Educação e Cultura para o socialismo</p>
<p>Princípios, finalidades e valores da Educação e escola socialista</p>
<p>A democracia como valor universal é um princípio fundamental para a Educação e a Cultura numa cidade como o Recife, com tradição de participação política.</p>
<p>Nesta direção está a necessidade de fazer valer a gestão democrática e participativa na Educação.</p>
<p>A finalidade da Educação num país capitalista como o nosso, com um Estado sem clareza de suas finalidades, e uma cidade a ser conquistada, é o investimento na formação humana do educando/aluno e nas condições de trabalho do educador/professor que transforma a escola numa prática regular de vivências, cidadania, equidade e socialização.</p>
<p>Além disso, a educação socialista deve priorizar valores como cooperação, solidariedade, igualdade, respeito, ética, justiça, paz e fraternidade, buscando formar alunos-cidadãos críticos e engajados com a transformação de sua comunidade, de sua cidade, de seu Estado, de seus pais e professores, cidadãos tecnicamente competentes e comprometidos politicamente com a transformação da sociedade, para que todos tenham acesso à Educação de qualidade baseada nos princípios da educação pública popular socialista com cultura, arte, ciência, tecnologia e inovação.</p>
<p>O que podemos aprender?</p>
<p>Neste sentido, se faz necessário construirmos com os professores e professoras das diversas redes o caminho a ser seguido pelos companheiros e companheiras.</p>
<p>Um convite está sendo feito&#8230;</p>
<p>Estamos sendo convidados(as) a fazer uma revolução possível na ordem capitalista no solo do Recife, onde são escolhidos neste momento os nossos representantes do legislativo e executivo, e se faz mister que revolucionemos o processo eleitoral com as nossas escolhas.</p>
<p>Por isso, é justificável a inversão da lógica do capital que garante apenas à classe média os direitos propostos pelo enunciado geral &#8211; educação de qualidade baseada nos princípios, finalidades e valores socialistas; cultura, no processo de ensino aprendizagem; arte,ciência, tecnologia e inovação, além dos direitos fundamentais e humanos à saúde integral, à alimentação, ao trabalho e à renda; ao esporte e ao lazer; à felicidade e ao bem-estar e, por fim, a uma vida boa de ser vivida por todas as pessoas.</p>
<p>Obviamente não podemos esquecer os projetos das pautas salariais, de carreira, de condições de trabalho e de formação, que tanto interessam ao professor, assim como à comunidade formada por alunos e pais.</p>
<p>Eis a nova velha ordem renascendo no seio do Recife, onde as sementes de um mundo novo teimam em resistir.</p>
<p>Lutemos pela hegemonia do nosso projeto em reconstrução diante dos nossos olhos, pois bem, com organização, estudo sistemático, leituras e foco. Talvez não sejamos, ainda, vitoriosos, mas, no mínimo, a consciência humana será trabalhada.</p>
<p>Vamos à luta companheiros(as).</p>
<p>Afinal de contas, merecemos e temos direito a uma vida boa de se viver.</p>
<p>Por isso, precisamos saber o que não pode faltar na educação pública popular socialista do Recife, tanto no ponto de vista dos professores e professoras, como dos alunos e alunas e país/ comunidade.</p>
<p>Vamos invadir as RP&#8217;As, companheiras e companheiros, e que a lógica do capital seja invertida, elegendo duas mulheres do Recife.</p>
<p>Por isso, convidamos todos e todas a caminharem na oposição e sempre à esquerda com Carmem Dolores Alves, Vereadora do Recife, e Dani Portela, Prefeita do Recife.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-7842" src="https://webapp416285.ip-173-255-206-73.cloudezapp.io/wp-content/uploads/2021/06/Suzana.jpg" alt="" width="100" height="100" /></p>
<p>*Suzana Lopes Cavalcanti<br />
Professora da Universidade de Pernambuco.<br />
Ativista da Educação e Cultura.<br />
Ex- integrante das Escolas Comunitárias do Recife.<br />
Ex-integrante do Centro de Cultura Prof. Luiz Freire.<br />
Integrante da Cultura Nordestina Letras e Artes.</p>
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		<title>Para que e para quem escrever</title>
		<link>https://culturanordestina.com.br/artigo/para-que-e-para-quem-escrever/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=para-que-e-para-quem-escrever</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Suporte Recify]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 02 Aug 2024 16:21:51 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Estar no mundo implica em participação, cooperação e integração &#8211; tudo e todos interagindo o tempo todo. Essa percepção é fundamental para que a vida aconteça em toda a sua plenitude. &#160; A lista de prioridades das necessidades básicas do ser humano a serem satisfeitas começa pela alimentação, sem a qual nenhum ser vivo poderá [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Estar no mundo implica em participação, cooperação e integração &#8211; tudo e todos interagindo o tempo todo. Essa percepção é fundamental para que a vida aconteça em toda a sua plenitude.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>A lista de prioridades das necessidades básicas do ser humano a serem satisfeitas começa pela alimentação, sem a qual nenhum ser vivo poderá sobreviver em qualquer etapa de seu desenvolvimento. Em seguida vem o cuidado, que implica na existência e no bem-estar do outro.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>A importância dos itens &#8211; alimentação e cuidado &#8211; parece óbvia. No entanto, para muitas pessoas, por incrível que possa parecer, não é, até que um deles venha a lhes faltar. Entre as poucas certezas que se pode ter, uma delas é que a falta desses dois itens básicos na vida de qualquer ser humano é insuportável.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Como é óbvio que da existência do outro depende o direito de existir de cada um de nós, seria natural que todos se empenhassem permanentemente para que todos tivessem as mesmas oportunidades e condições de acessar os itens essenciais da lista, pois precisamos uns dos outros para garantir a nossa própria existência, tendo em vista que o que afeta as partes interferem no equilíbrio do todo.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Com o passar do tempo, os humanos foram perdendo a conexão com o todo; as descobertas e as novas possibilidades de expansão territorial desviaram a sua atenção do essencial para a espetacularização do supérfluo. E o que de mais básico existe para a sobrevivência da espécie &#8211; alimentação e cuidado &#8211; tornou-se invisível para os não-afetados pelas carências provocadas pela insegurança alimentar e falta de oportunidades. O entretenimento se encarregou de obnubilar o óbvio e dispensar as pessoas de enxergá-lo, terceirizando essa tarefa para os que, de alguma forma, são tocados pelo sofrimento alheio.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Uma das maneiras de trazer à tona o óbvio é o seu desnudamento através das linguagens artísticas &#8211; a palavra, as imagens, as formas, os gestos, que são atemporais, trazem em si mesmo a verdade absoluta e despertam no(a) observador(a) a contemplação, o alumbramento, a inquietação e também sentimentos de indignação e revolta, essenciais à realização de atitudes proativas, imprescindíveis para que as mudanças aconteçam.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Perguntar para que e para quem escrever é vital para quem encara a escrita como missão e faz da palavra um relicário. Escrever de si para si pode ser terapêutico, mas é um movimento solitário que não dialoga com o outro nem tampouco com o mundo. O ato de escrever para o outro prescinde de sentimentos intensos de humanidade.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>A indignação perante as injustiças cometidas contra os desprovidos do cuidado necessário ao seu direito de existir, precisam sair das gavetas e ganhar o mundo. Cuidar do outro é cuidar de si mesmo, visto que cada indivíduo em estado de carência interfere negativamente no desenvolvimento pleno da sociedade.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Segue-se à satisfação da necessidade do alimento, a do cuidado, que inclui a Educação, sem a qual as pessoas ficam impossibilitadas de formar o espírito crítico necessário à sua libertação e emancipação. A escrita tem o potencial de informar, denunciar, esclarecer, gerar conhecimento, ferir interesses, entreter, conscientizar, emancipar. A comunicação escrita permite que nos coloquemos como agentes pacificadores da mudança necessária à construção de um mundo igualitário, onde as oportunidades sejam para todos e não apenas para alguns.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>As expressões “desigualdade social” e “oportunidades para todos” são o terror dos grupos que se sentem ameaçados pelo fantasma das perdas e dos impedimentos. Este sentimento é o gatilho acionado contra o imaginário da igualdade em detrimento das benesses. As oportunidades transformaram um nordestino pobre em presidente do Brasil em três mandatos; meninas negras em medalhistas olímpicas na França, e podem transformar uma mulher imigrante negra em presidenta dos Estados Unidos.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>É preciso que a Educação emancipatória e libertadora chegue a todos os cantos e recantos, pois só ela é capaz de prestar esclarecimentos suficientes para desmistificar o discurso propagado a favor dos interesses daqueles que querem manter as pessoas no cativeiro de seus delírios de poder e mando.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Formar cidadãos conscientes, capazes de fazer uma leitura de mundo de forma adequada às suas necessidades é tarefa das mais difíceis, que enfrenta o corporativismo dos setores interessados na manutenção do analfabetismo funcional, da fome e da miséria humana, aos quais serão negados todos os indultos.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Para que e para quem escrever, se poucos têm a capacidade de entender o que está escrito? Ser compreendido(a) apenas pelos seus pares é importante, porém não suficiente. Mas a luta continua, a esperança vive e o futuro promete dias melhores.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Salete Rêgo Barros</p>
<p>Produtora cultural</p>
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		<title>O nome disso &#8211; Flávia Suassuna</title>
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		<pubDate>Wed, 14 Jul 2021 14:20:41 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Um dos temas a que recorrentemente voltei nas minhas reflexões neste tempo difícil de isolamento que não começa, nem termina foi o da comunicação através de nossos vigorosos meios de comunicação – a televisão, o celular, a internet e, portanto, as redes sociais. Neles, há agora bilhões de produtores de conteúdo, possíveis graças à facilidade [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Um dos temas a que recorrentemente voltei nas minhas reflexões neste tempo difícil de isolamento que não começa, nem termina foi o da comunicação através de nossos vigorosos meios de comunicação – a televisão, o celular, a internet e, portanto, as redes sociais. Neles, há agora bilhões de produtores de conteúdo, possíveis graças à facilidade e ao baixo custo da comunicação. Porém constato também que estamos morando na Babel mais absurda de todos os tempos: aquela resultante de um mundo cheio de gente com meios de comunicação virtual inimagináveis há 10 anos nas mãos, mas onde faltam pessoas que consigam dialogar.</p>
<p>Cada um de nós carrega um pouco de culpa dessa situação esdrúxula: alguns jornalistas e professores, infantilmente, abriram mão de suas importantes funções sociais e passaram a dizer o que todos dizem ou o que todos querem ouvir ou pior: o que dizem os que se localizam no mesmo ponto extremo polarizado. O senso comum triunfa, com suas simplificações, com suas frases feitas, com suas receitas prontas que, evidentemente, não dão conta de nossas complexidades. O governo acha que tudo isso se resolve com uma suposta escola sem partido ou com cerceamento e não com informação mais plural e mais pluridirecional.</p>
<p>Também somos culpados quando não buscamos canais alternativos ou quando nem sequer escutamos quem pensa diferente: presos nas bolhas das redes sociais, não só falamos numa absurda caixa de eco e só acatamos o pensamento de quem pensa exatamente como nós (se é que isso existe), mas também, por alguma razão que<br />
desconheço, estamos exigindo de nós mesmos dizer de novo o que já foi dito.</p>
<p>Não só: usando o poder dessas bolhas e seus mecanismos rápidos de compartilhamento, estamos, com muita violência, prejudicando carreiras, criando constrangimentos, humilhando e exigindo autoflagelações públicas espetaculosas. À proporção que desqualificamos o outro, realizamos uma cega, interesseira e, aparentemente, feliz autopurificação, num jogo parecido demais com o do Nazismo para ser aceitável. O resultado disso tudo é apenas embate de particularismos narcísicos que deságuam numa sociedade fraturada e incapaz de construir utopias coletivas, necessárias ao norteamento das ações cotidianas possíveis de todos.</p>
<p>Ao contrário do que poderia ser, nessas famosas redes sociais, continuamos violentos, preconceituosos, intransigentes, ou seja, nesses canais virtuais, escorre nosso ódio de cada dia em tal volume que alguns chegam a pensar que estamos piores do que sempre estivemos.</p>
<p>Além disso, estamos lendo nada ou quase nada; rotulando a tevê com mil defeitos, também não estamos assistindo a ela. Presos a outra tevê que cabe nas nossas mãos e pode ser portada em todo lugar, estamos subordinados à ditadura da futilidade mais avassaladora de toda a nossa história: publicidades, coreografias,<br />
piadas, músicas de baixa qualidade, correntes de oração ameaçadoras, ou mesmo rápidas e curtas frases sem autores ou com errada autoria e, principalmente, as já famosas “fake news” circulam tão rapidamente que nossa memória não retém; chegam em tal quantidade, que enchem nossos celulares a ponto de os travar e inutilizar. E, então, descartamos&#8230; Nada fica, nada permanece&#8230; Os meios de pagamento são também espetaculares – um click em “limpeza rápida” e tudo se apaga. Nada fica, nada permanece. Tudo parece fácil, rápido, certo e possível: apagar, cancelar, prejudicar, excluir, agredir, calar&#8230; o outro é higiênico e cirúrgico; sem o outro, o mundo fica melhor e cada um de nós é dono da certeza única que está na raiz desses comportamentos.</p>
<p>Na verdade, isso tem vários nomes – superficialidade, violência, “demissão subjetiva” (segundo Lacan) e falta de tolerância com o outro. Sem olhar nos olhos uns dos outros, sem dizer o que o outro precisa escutar e sem nos dispor a ouvir, estamos nos afastando&#8230; Zapeando de uma guerra a um concurso de beleza, de uma criança<br />
ferida a uma baleia encalhada, somos capazes de nos apiedar da baleia&#8230; E de acharmos que as guerras virtuais do mundo de hoje são uma boa prevenção contra a imigração ou a diferença que nos ameaça&#8230;</p>
<p>Seguimos sem pensar, escolhemos atalhos, o canal que todos veem, quem tem mais seguidores, quem vende mais&#8230; Sem atentar para o fato de que escolhemos. E, quando analisamos, apenas dizemos: está tudo errado&#8230; Nunca conseguimos ver as nossas próprias ações que fortalecem esse estado das coisas&#8230; Estamos uma sociedade<br />
cheia de discursos e slogans, não de diálogos. Dizer que a tevê ou os jornais só mentem; adorar o professor ou o jornalista que diz apenas o que queremos ouvir; escolher o mesmo que a maioria escolhe; obrigar-se a dizer o que já foi dito é fugir – fugir da responsabilidade de ouvir, de pensar, de retrucar, de concordar, de discordar, de ser humano. Tudo isso está nos jogando num trajeto sem sentido que afogamos em bebida, drogas e outros desastres. E está nos colocando uns contra os outros.</p>
<p>O nome disso não é democracia. É tirania. O nome disso não é comunicação. É barulho. O nome disso não é felicidade, é depressão mascarada de bem-estar. O nome disso é hipocrisia.</p>
<p>É preciso pensar as palavras “responsabilidade” e “respeito”: alertar, resistir, pensar e agir de modo mais crítico e humano, de modo mais profundo e atento. Dessa riquíssima indústria cultural também faz parte uma herança que nos ensina o que já fomos. E todos nós temos responsabilidade em relação a esse legado: não iremos repeti-lo, é claro. Mas é necessário conhecê-lo para modificá-lo e tirar frutos dele; ter coragem para transmiti-lo. Esse insaciável apetite pelo novo está apenas nos fazendo consumir o que não tem qualidade. Enfim, é urgente pôr um fim nessa autoindulgência que está nos transformando em promotores diabólicos, sem limites e narcísicos. E não<br />
nos anjos reformadores e aperfeiçoadores do mundo que pensamos ser.</p>
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		<title>Sobre chiclete e Cloroquina &#8211; Luiz Coutinho Dias Filho</title>
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		<pubDate>Wed, 30 Jun 2021 15:05:04 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Luiz Coutinho Dias Filho Doutor em Cirurgia Mestre em Neurociências Membro Titular da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia Membro Titular da Sociedade Brasileira de Médicos Escritores Prof. Adjunto da Universidade de Pernambuco Nos meados da década de 1980, o dr. Alastair Coutts atuou como cirurgião nas Ilhas Salomão; as condições de trabalho eram precárias e ele [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="padding-left: 40px;"><strong>Luiz Coutinho Dias Filho</strong><br />
Doutor em Cirurgia<br />
Mestre em Neurociências<br />
Membro Titular da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia<br />
Membro Titular da Sociedade Brasileira de Médicos Escritores<br />
Prof. Adjunto da Universidade de Pernambuco</p>
<p>Nos meados da década de 1980, o dr. Alastair Coutts atuou como cirurgião nas Ilhas Salomão; as condições de trabalho eram precárias e ele frequentemente tinha que improvisar. Certo dia, um coco despencou sobre a cabeça de uma nativa, e Coutts foi chamado a atendê-la. A paciente encontrava-se comatosa por conta de um hematoma extradural agudo, volumosa coleção de sangue expandindo-se rapidamente entre o cérebro e o osso; era imperativo operá-la imediatamente. Durante a cirurgia, houve copioso sangramento a partir de uma artéria que se retraiu em um pequeno canal ósseo e o cirurgião não dispunha do material adequado para conter a hemorragia. Desconsolado, estava a ponto de desistir, mas fitou Jesus e teve uma ideia. Jesus era o nome do enfermeiro que foi encarregado de ajudá-lo; Coutts pediu que o homem lhe desse o chiclete que tinha na boca e, ato contínuo, comprimiu-o sobre o ponto onde o sangue jorrava. A hemorragia cessou de imediato e a paciente teve uma excelente recuperação.</p>
<p>Em dezembro de 2019, espocaram casos de pneumonia na cidade de Wuhan, China, com alguns pacientes apresentando insuficiência respiratória grave. Logo constatou-se que o causador era um coronavírus antes não descrito em humanos, que foi batizado como SARS-CoV-2, acrônimo oriundo do inglês severe acute respiratory syndrome coronavírus, acrescido do número 2 para diferenciar do SARS-CoV, coronavírus que causou um surto de síndrome respiratória aguda grave que se alastrou de 2002 a 2003. A doença passou a ser conhecida como covid-19 (de coronavirus disease2019) e mostrou-se altamente transmissível, logo assumindo feição pandêmica. Dez meses depois do surto de Wuhan, já se contava mais de um milhão de mortos no mundo; os médicos quedaram desnorteados e, como Coutts frente ao sangramento, olharam em volta buscando algo aproveitável na luta contra a nova doença. Mas o que usar? Coutts teve que agir rapidamente, buscou uma coisa grudenta que estivesse ao alcance da mão; eles também não tinham tempo a perder, voltaram-se para medicamentos antivirais já existentes, medicamentos que poderiam ser prescritos de imediato, pois suas doses e efeitos colaterais eram conhecidos.</p>
<p>Com isso em mente, pesquisadores do Instituto de Virologia de Wuhan e do Instituto de Farmacologia e Toxicologia de Pequim avaliaram a ação de sete substâncias contra uma amostra de SARS-CoV-2; tratou-se, portanto, de estudo in vitro, ou seja, fora do organismo. Duas dessas substâncias mostraram-se promissoras: remdesivir e fosfato de cloroquina. Por seu baixo custo e por ser droga antiga, sem entrave por posse de patente, o fosfato de cloroquina despertou maior interesse; tanto ele como seu análogo menos tóxico, o sulfato de hidroxicloroquina, foram testados em pessoas doentes. Estudos iniciais na China e na França mostraram-se auspiciosos, tendo grande repercussão o conduzido pela equipe do infectologista Didier Raoult, que sugeriu vantagem na associação da hidroxicloroquina com o antibiótico azitromicina. A partir daí, o uso disseminou-se pelo mundo. Todavia, é preciso esclarecer que essa prescrição de hidroxicloroquina para uma indicação que não estava definitivamente ratificada pelos órgãos reguladores oficiais (indicação off-label, ou seja, fora da bula) só teve justificativa porque tratou-se de medida heroica; como ocorreu com o chiclete de Jesus, tal uso fez-se admissível porque era uma situação de grande risco, não havia alternativa melhor no momento e existia possibilidade de ser uma medida terapêutica benéfica.</p>
<p>Para coibir hemorragia óssea, existe um produto extremamente eficaz feito com cera de abelha, cuja utilização tornou-se comum desde que o neurocirurgião inglês Victor Horsley divulgou sua fórmula no final do século XIX. Seria inconcebível Coatts usar novamente chiclete como hemostático; após a experiência com aquele hematoma, ele tinha obrigação de requerer a aquisição da cera de Horsley pelo hospital. Da mesma forma, após tantos meses de epidemia, é inconcebível prescrever hidroxicloroquina para covid-19 sem a Ciência atestar sua eficácia, pois houve tempo suficiente para estudos esclarecedores serem concluídos, afinal o esforço é global e contamos com suporte tecnológico jamais visto na luta contra uma epidemia.</p>
<p>Numa sábia advertência de que aquilo que cura também pode matar, os antigos gregos chamavam pharmakon tanto o remédio como o veneno. Se um paciente que não tomou hidroxicloroquina morre de covid-19, e confirma-se depois que a hidroxicloroquina age contra o vírus, então lhe foi negado um remédio que podia tê-lo salvado; por outro lado, se uma pessoa com a doença toma esse medicamento, morre por conta de uma arritmia causada por ele e constata-se depois que é uma substância inútil contra o vírus, então pode-se dizer que lhe foi prescrito um veneno. A indicação off-label da hidroxicloroquina não podia prolongar-se indefinidamente, era imprescindível saber se a balança do risco-benefício pendia para o lado do remédio ou do veneno.</p>
<p>Eficácia da cloroquina e hidroxicloroquina contra o SARS-CoV-2 não foi confirmada em estudos pré-clínicos realizados in vitro em células do sistema respiratório humano e in vivo em cobaias (hamsters e macacos); quanto ao tratamento de pacientes hospitalizados, os resultados alvissareiros dos ensaios iniciais não foram reproduzidos em estudos criteriososrealizados depois. Em consequência, a Food and Drug Administration, órgão regulador americano, revogou a autorização para uso emergencial contra coronavírus e passou a recomendar que a prescrição desses medicamentos para pacientes hospitalizados limite-se àqueles que façam parte de estudos clínicos; essa posição foi abonada pela comunidade científica internacional. No comunicado de revogação,<br />
presume-se que, para atuarem como antivirais, tais substâncias precisariam alcançar uma concentração bem maior do que a obtida no sangue dos pacientes tratados com as doses normalmente preconizadas, e aumentar essas doses resultaria em ação tóxica inaceitável.</p>
<p>Ante esse revés, passou-se a argumentar que os medicamentossó seriam eficientes se usados para tratamento precoce, ou seja, tratamento iniciado assim que surgissem os primeiros sintomas. Fazer isso, todavia, suscitava uma dúvida inegável: na grande maioria das pessoas, a doença não progride para a forma grave, e fica difícil saber se a cura ocorreu por conta do medicamento ou resultou apenas da reação imunológica deflagrada pelo organismo.</p>
<p>“Nossa natureza é o médico das nossas doenças” ensinava Hipócrates; eis aí uma verdade que, se difundida e assimilada, levaria muitos charlatões à falência! A cada instante, nosso corpo é agredido por forças invisíveis: micróbios, raios ultravioletas, agrotóxicos, poluentes&#8230; No entanto, sobrevivemos porque a natureza nos proveu com uma capacidade impressionante de autocura. Nosso corpo dá conta de, sozinho, debelar a grande maioria dos males que o afligem, e, sabedores disso, charlatões aplicam tratamentos inúteis para usurparem o mérito da cura; esses oportunistas atravessaram os séculos acumulando fortunas, erigindo templos, fomentando mitos&#8230; Um medicamento só deve ser ratificado para uso se houver prova inequívoca de sua eficácia, mas essa prova nem sempre é fácil de obter; quanto mais eficiente for a natureza em curar a doença, mais difícil será discernir se há utilidade no medicamento.</p>
<p>De cada 100 pacientes com sintomas leves de covid-19, estima-se que 80 terão doença que será contida apenas pelas próprias defesas naturais, não havendo necessidade de suporte hospitalar; só uma minoria agravará a ponto de necessitar de internação em UTI. Caso o doente melhore e tenha tomado hidroxicloroquina, como saber se o medicamento teve participação na cura? Já que a chance de cura espontânea é enorme, para dirimir a dúvida são necessários estudos controlados, com um número muito grande de pacientes e feitos em estratos populacionais homogêneos. Tais estudos são difíceis de executar e muitos dos que foram publicados mostram-se eivados de falhas metodológicas; porém, considerando o que foi produzido de melhor, a Associação Médica Brasileira, a Sociedade Brasileira de Infectologia e a Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia concluíram que a hidroxicloroquina também não tem utilidade no tratamento das formas leves e na prevenção de covid-19.</p>
<p>Nos países desenvolvidos o interesse está voltado para outros medicamentos; atualmente o Coronavirus Treatment Acceleration Program (CTAP), um projeto da FDA para agilizar a busca de tratamento efetivo para a covid-19, exibe cerca de 620 proposições de medicamentos, 10 tratamentos liberados para uso emergencial e um único medicamento definitivamente aprovado, o antiviral remdesivir, que foi liberado para tratamento de pacientes hospitalizados. Se o rigor da Ciência for desconsiderado, como faremos? Centenas de substâncias de eficácia duvidosa contra coronavírus serão oferecidas aos doentes e eles escolherão com base em quê? Na recomendação de um político que usa a epidemia como alavanca eleitoreira? Na quantidade de “likes” que veem no vídeo de um médico que passa o dia diante do celular posando de infectologista ou epidemiologista sem ser? É impensável que, no curso de uma calamidade, a voz da Ciência não seja escutada, todavia, no Brasil, a grita em favor do uso irrestrito da hidroxicloroquina sustenta-se de forma estridente. Como explicar isso? Oliver Wendell Holmes nos legou a explicação em seus Ensaios Médicos: “A verdade é que a Medicina, teoricamente fundada na observação, é tão sensível às influências políticas, religiosas, filosóficas e da imaginação como o barômetro é sensível às mudanças atmosféricas.”</p>
<p>Dois estratos imiscíveis distinguiram-se quando o dirigente do país, macaqueando Donald Trump, acenou para o povo com uma caixa de hidroxicloroquina na mão e conclamou todos a retornarem à vida normal, assegurando que ali estava uma poderosa arma contra o coronavírus. Em um lado, firmaram-se os aficionados da hidroxicloroquina, que querem as pessoas nas ruas, menosprezam vacinas e fazem chacota do uso de máscaras; no outro, está quem afirma seguir à risca os ditames da Ciência, recomendando o isolamento social, depondo fé nas vacinas e apregoando as medidas de segurança contra a propagação do vírus. Num momento em que o país devia unir-se no enfrentamento de um inimigo implacável, a desarmonia traz consequências desoladoras: o Brasil atualmente exibe uma das maiores taxas de mortalidade do mundo, e já choramos meio milhão de mortos (número até agora só ultrapassado no país de Trump, que, entretanto, tem cerca de 100 milhões de habitantes a mais). É tudo tão claro&#8230; Basta abrir os olhos e perguntar-se: Será que as nações mais desenvolvidas do mundo emburreceram e desprezam um tratamento útil contra a doença que está matando seus cidadãos e causando ruína econômica? Será que as congregações de experts no tratamento de doenças infecciosas estão todas erradas, inclusive as do Brasil? Será que há um conluio mundial em prol do vírus? É estranho, muito estranho, haver quem insista em manter na boca um chiclete que, de tão mastigado, já perdeu o gosto e devia ser cuspido no lixo. Parece que estamos nos movendo de forma insofreável para um destino tão sombrio como aquele que Cassandra profetizou nos versos de Oliver Wendell Holmes, que era médico e poeta:</p>
<p style="padding-left: 40px;"><em>“Ye know not, — but the hour is nigh;</em><br />
<em>Ye will not heed the warning breath;</em><br />
<em>No vision strikes your clouded eye,</em><br />
<em>To break the sleep that wakes in death.”</em></p>
<p style="padding-left: 40px;">Não sabeis, mas o instante é chegado.<br />
Não notareis o sopro de alerta.<br />
Nada incide em vosso olho nublado,<br />
Pra romper o sono que em morte desperta.*</p>
<p><em>*The last prophecy of Cassandra</em> (<em>Poems</em> by Oliver Wendell Holmes). Tradução: Luiz Coutinho.</p>
<hr />
<p><strong>REFERÊNCIAS</strong></p>
<p>Abella BS et al. Prevention and Treatment of COVID-19 With Hydroxychloroquine (PATCH) Investigators. Efficacy and Safety of Hydroxychloroquine vs Placebo for Pre-exposure SARS-CoV-2 Prophylaxis Among Health Care Workers: A Randomized Clinical Trial. JAMA Intern Med. 2021 Feb 1;181(2):195-202. doi: 10.1001/jamainternmed.2020.6319.</p>
<p>Agarwal M et al. Use of hydroxychloroquine for pre-exposure prophylaxis in COVID 19: debate and suggested future course. Expert Rev Anti Infect Ther. 2021 Apr;19(4):413-417. doi: 10.1080/14787210.2021.1828062.</p>
<p>Ahsan W et al. Recent Advancements in the Diagnosis, Prevention, and Prospective Drug Therapy of COVID-19. Front Public Health. 2020 Jul 10;8:384. doi: 10.3389/fpubh.2020.00384.</p>
<p>AMB &#8211; Boletim 02/2021 &#8211; Comitê Extraordinário de Monitoramento Covid-19 (<a href="https://amb.org.br/wp-content/uploads/2021/03/boletim-cem-covid-amb-02-2021.pdf">https://amb.org.br/wp-content/uploads/2021/03/boletim-cem-covid-amb-02-2021.pdf</a>)</p>
<p>AMB, SBI, SBPT (junho 2021) &#8211; Hidroxicloroquina (hcq) profilática e na covid-19 leve (<a href="https://amb.org.br/wp-content/uploads/2021/06/HIDROXICLOROQUINA-COVID-19-LEVE-FINAL-07.06.2021v2.pdf">https://amb.org.br/wp-content/uploads/2021/06/HIDROXICLOROQUINA-COVID-19-LEVE-FINAL-07.06.2021v2.pdf</a>)</p>
<p>Assaf AM et al. COVID-19: Between Past and Present. Viral Immunol. 2021 Apr;34(3):145-157. doi: 10.1089/vim.2020.0102.</p>
<p>Bakadia BM et al. Prevention and treatment of COVID-19: Focus on interferons, chloroquine/hydroxychloroquine, azithromycin, and vaccine. Biomed Pharmacother. 2021 Jan;133:111008. doi: 10.1016/j.biopha.2020.111008.</p>
<p>Bansal P et al. 3rd. Hydroxychloroquine: a comprehensive review and its controversial role in coronavirus disease 2019. Ann Med. 2021 Dec;53(1):117-134. doi: 10.1080/07853890.2020.1839959.</p>
<p>Carafoli E. Chloroquine and hydroxychloroquine in the prophylaxis and therapy of COVID-19 infection. Biochem Biophys Res Commun. 2021 Jan 29;538:156-162. doi: 10.1016/j.bbrc.2020.09.128.</p>
<p>Chen X. Hydroxychloroquine and Chloroquine. Clin Infect Dis. 2020 Jul 28;71(15):890-891. doi: 10.1093/cid/ciaa338.</p>
<p>Colson P et al. Chloroquine and hydroxychloroquine as available weapons to fight COVID-19. Int J Antimicrob Agents. 2020 Apr;55(4):105932. doi: 10.1016/j.ijantimicag.2020.105932.</p>
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<p>Gautret P et al. Effect of hydroxychloroquine and azithromycin as a treatment of COVID-19: results of an open-label non-randomized clinical trial, an update with an intention-to-treat analysis and clinical outcomes. Int J Antimicrob Agents. 2021 Jan;57(1):106239. doi: 10.1016/j.ijantimicag.2020.106239.</p>
<p>Gautret P et al. Hydroxychloroquine and azithromycin as a treatment of COVID-19: results of an open-label non-randomized clinical trial. Int J Antimicrob Agents. 2020 Jul;56(1):105949. doi: 10.1016/j.ijantimicag.2020.105949.</p>
<p>Gavriatopoulou M et al. Emerging treatment strategies for COVID-19 infection. Clin Exp Med. 2021 May;21(2):167-179. doi: 10.1007/s10238-020-00671-y.</p>
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		<title>Pequena nota sobre a coragem política &#8211; Flávio Brayner</title>
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		<pubDate>Tue, 15 Jun 2021 20:03:22 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p> Quando George Politzer (1903-1942), filósofo, membro da Resistência Francesa e fundador da Universidade Popular nos anos 30, estava diante do pelotão de fuzilamento nazista que o executou, suas últimas palavras foram “- Idiotas, eu estou morrendo por vocês!”. Independentemente do sacrifício “salvacionista” que aquela época inspirava e produzia, o que estava subjazendo àquela frase era [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><strong> </strong>Quando George Politzer (1903-1942), filósofo, membro da Resistência Francesa e fundador da Universidade Popular nos anos 30, estava diante do pelotão de fuzilamento nazista que o executou, suas últimas palavras foram “- Idiotas, eu estou morrendo por vocês!”. Independentemente do sacrifício “salvacionista” que aquela época inspirava e produzia, o que estava subjazendo àquela frase era “o que é a CORAGEM POLÍTICA?”.</p>
<p>Quando aquele rapaz, na Praça Tiananmen (Pequim, 1989) se postou diante de tanques de guerra que iriam massacrar as multidões que exigiam instituições mais abertas e oxigênio democrático, ele passou para a História como símbolo de um tipo de “coragem”, a política!</p>
<p>Quando Louise Michel (1830-1905), professora e poetisa que participou da Comuna de Paris, empunhou a Bandeira Negra do libertarismo popular, escreveu poemas dedicados à luta por direitos (inclusive das mulheres) e terminou condenada ao exílio na Nova Caledônia, ela estava praticando um tipo de “coragem”, a política!</p>
<p>Quando a vereadora recifense Liana Cirne, minha colega de UFPE, se dirigiu sozinha e armada apenas com a consciência de seu direito à resistência, a uma viatura de polícia no meio de uma manifestação pacífica, ela reencarnava ali, na ponte Princesa Isabel, a dois passos do Palácio do Governo, os homens e mulheres que, através da História, disseram que nós não queríamos ser governados assim: não por estes homens, não com estes métodos, não com estes fins! A CORAGEM POLÍTICA não é sinônimo de heroísmo, não é necessariamente sacrifício da própria vida em função de uma causa: é um alerta. No gesto “politicamente corajoso” (nada a ver com o “politicamente correto”), o ATOR que o pratica nos chama a atenção para a indissociável relação entre Moral e Política, nos mostra que aquele que assume a responsabilidade de dirigir o destino dos cidadãos não precisa abrir mão da própria vida, mas precisa assumir o imperativo categórico de ser DIGNO DA CIDADE (que não é o conjunto das praças, ruas e casas, mas um passado e um destino comum e ao mesmo tempo plural) e, assim, inscrever seu nome na memória dos homens. Foi isto o que Liana Cirne fez naquele gesto, um gesto do qual nos lembraremos. É isto a “CORAGEM POLÍTICA”: o alerta que homens e mulheres &#8211; em tempos sombrios- nos fazem para que não esqueçamos os predicados que nos tornam Homens e sem os quais não passamos de ratos!</p>
<p><strong>Flávio Brayner </strong><strong>é Professor Titular da UFPE</strong></p>
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		<title>Ciência &#038; Sociedade &#8211; Valter da Rosa Borges (*)</title>
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		<pubDate>Tue, 15 Jun 2021 20:02:45 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Conhecer o futuro para controlar o próprio destino sempre foi, é e continuará sendo uma das grandes aspirações do gênero humano. Elas resultam das expectativas de um mundo melhor ou de um outro radicalmente diferente do atual, seja porque acreditamos num progresso interminável, seja porque o sistema atual do mundo é indesejável e deve ser [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div class="" dir="auto">
<div class="" dir="auto">
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<div class="j83agx80 cbu4d94t ew0dbk1b irj2b8pg">
<div class="qzhwtbm6 knvmm38d">
<div class="o9v6fnle cxmmr5t8 oygrvhab hcukyx3x c1et5uql ii04i59q">
<div dir="auto">Conhecer o futuro para controlar o próprio destino sempre foi, é e continuará sendo uma das grandes aspirações do gênero humano. Elas resultam das expectativas de um mundo melhor ou de um outro radicalmente diferente do atual, seja porque acreditamos num progresso interminável, seja porque o sistema atual do mundo é indesejável e deve ser modificado ou completamente destruído. Por isso, o homem se fez profeta para inventar o seu próprio futuro.</div>
<div dir="auto"></div>
</div>
<div class="o9v6fnle cxmmr5t8 oygrvhab hcukyx3x c1et5uql ii04i59q">
<div dir="auto">A ciência tem transformado o que antes parecia especulações visionárias em realizações ou probabilidades concretas. Assim, o cientista é um profeta singular que, ao invés de procurar entender os planos de Deus, cria os seus próprios projetos e tenta viabilizá-los. Diferentemente das pitonisas do passado, ele não aspira os gases oriundos da terra para augurar o futuro, mas se inspira nas ideias oriundas das profundezas do seu inconsciente, buscando construir para a humanidade, não apenas futuros possíveis, mas, principalmente, desejáveis. O seu otimismo em relação ao futuro se direciona no sentido de uma melhoria tecnológica da vida para o homem, embora nem sempre resulte em melhoria da qualidade de vida. Entre essas visões progressistas do futuro a ciência se propõe à construção de cidades autossuficientes nos oceanos e no espaço; à instalação estratégica de defesas bélicas contra possíveis choques do nosso planeta com asteroides; às teleportações de coisas e pessoas, minimizando o obstáculo do espaço; às viagens no tempo; à conquista do espaço exterior com a colonização de planetas do sistema solar e também de outros sistemas dentro da nossa galáxia e até fora dela; à extinção de todas as doenças e ao aumento indefinido da longevidade, com a manutenção da saúde e o retardamento ou mesmo a abolição do envelhecimento; à instalação de próteses ampliadoras das funções do corpo; à utilização de memória suplementar em chips implantados no cérebro; à ampliação funcional do vestuário à condição de nicho ecológico individual; à alimentação sintética, reduzindo a dependência do homem aos alimentos naturais, o que poderá resultar em alterações da fisiologia humana; à expansão, em nível inimaginável, da inteligência artificial, substituindo as atividades rotineiras do ser humano; à reconstrução genética, visando a melhoria biológica da espécie humana; à clonagem de órgãos, abolindo a necessidade de transplantes e próteses; à felicidade química e à abolição da dor física; à realidade virtual como sucedâneo, em certas situações, da realidade física.</div>
<div dir="auto"></div>
</div>
<div class="o9v6fnle cxmmr5t8 oygrvhab hcukyx3x c1et5uql ii04i59q">
<div dir="auto">Porém, a ciência sem consciência, poderá reverter toda essa perspectiva otimista, ensejando a desilusão e o desespero, decorrentes dos conflitos sociais resultante da mudança de normas e valores, a dissolução dos costumes, com o incremento da licenciosidade, da corrupção do poder, da escalada da desonestidade, do arrefecimento do sentimento religioso, da busca exacerbada dos bens materiais, do agravamento da pobreza, da fome, e do aumento insuportável da violência, desencadeando o aumento da criminalidade, dos conflitos sociais e das guerras.</div>
<div dir="auto"></div>
</div>
<div class="o9v6fnle cxmmr5t8 oygrvhab hcukyx3x c1et5uql ii04i59q">
<div dir="auto">O futuro da humanidade é, de certo modo, um constructo do psiquismo humano. Os futuros temíveis ou desejáveis podem se tornar prováveis, pois o homem, por sua capacidade de pensar as possibilidades do acontecer, é suscetível de ser vítima ou beneficiário do conhecimento científico e de suas aplicações tecnológicas.</div>
</div>
<div class="o9v6fnle cxmmr5t8 oygrvhab hcukyx3x c1et5uql ii04i59q">
<div dir="auto">O cientista não deve ser um gênio solitário, embora faça da sua solidão o cadinho de suas descobertas e inventos. O laboratório jamais deve ser um eremitério, mas uma sementeira para o cultivo de ideias oriundas das mais diversas áreas do conhecimento humano. A ciência não pode ser um sistema fechado, uma espécie de feudo epistemológico, mas um espaço tão amplo e limitado como o universo exterior, a fim de evitar o engessamento e a estratificação do paradigma da realidade. A natureza intrínseca da ciência é a provisoriedade do seu próprio conhecimento, em permanente compasso com a mutabilidade de todas as coisas. A fé na ciência é a consciência de sua própria inciência, pois como dizia Karl Popper, &#8220;o conhecimento é limitado, mas a ignorância é infinita&#8221;. Na verdade, quanto mais pensamos saber, mas nos conscientizamos das nossas limitações e do tamanho, cada vez maior, da nossa ignorância. Quanto mais adentramos a pesquisa da matéria, mais nos deparamos com a sua fundamental insubstancialidade. Quanto mais questionamos sobre a vida, mais nos apercebemos da insuficiência do seu paradigma biológico. E quanto mais ampliamos os nossos conhecimentos sobre a bioquímica e a anatomia cerebral mais nos conscientizamos do mistério da nossa consciência.</div>
<div dir="auto"></div>
</div>
<div class="o9v6fnle cxmmr5t8 oygrvhab hcukyx3x c1et5uql ii04i59q">
<div dir="auto">O conhecimento científico não deve ficar adstrito e restrito à privacidade dos laboratórios e às discussões entre cientistas, em sessões privadas, mas que deve ser levado à comunidade para que dele também se beneficie, melhorando a própria qualidade de vida. Assim como a ciência ainda não encontrou o átomo no seu verdadeiro sentido etimológico, também ainda não se descobriu o homem em si, pois ele não é apenas a sua circunstância, como dizia Ortega y Gasset, mas também a sua relação. Assim, a nossa individualidade é a nossa relação com, o que resulta na constatação de que a solidão não faz parte da essencialidade do ser. Na verdade, fundamentalmente nenhum homem vive exclusivamente para si, enfeudado em sua privacidade inexpugnável, mas também para os outros, apesar dos outros e até contra os outros. Por mais que não nos queiramos resignar, o mundo é necessariamente o nosso anverso, a nossa contraparte. Aliás, hoje se postula que o universo é uma rede de interconexões de todas as coisas, onde tudo interage com tudo, o que importa na inadmissibilidade de ter o homem o privilégio de ser a única exceção.</div>
<div dir="auto"></div>
</div>
<div class="o9v6fnle cxmmr5t8 oygrvhab hcukyx3x c1et5uql ii04i59q">
<div dir="auto">Não se pode fugir ao truísmo denunciatório de uma sociedade em acelerada transição que mais se assemelha, notadamente no ocidente, ao processo entrópico de uma civilização em rumo equivocado, embevecida, no entanto, pelo brilho hipnótico das lantejoulas tecnológicas. A bem da verdade, de tanto cotejar a filosofia consumista, na orgia aquisitiva de bens e de valores transitórios, o homem perdeu o seu próprio endereço existencial, acometido de colapso amnésico de sua identidade transcendental.</div>
<div dir="auto"></div>
</div>
<div class="o9v6fnle cxmmr5t8 oygrvhab hcukyx3x c1et5uql ii04i59q">
<div dir="auto">Se, de um lado, o progresso científico e as comodidades tecnológicas aceleram, cada vez mais, o processo de irreversível planetarização, denominado por McLuhan de “aldeia global”, numa interação perigosamente homogeneizante das culturas mais díspares, por outro lado o espírito humano vem sofrendo um persistente abastardamento de seu ideário humanístico pelas facécias e falácias da mídia enlouquecida, na promoção da vulgaridade, do deboche, do estímulo à criminalidade, onde o filão do escândalo constitui a ratio essendi do marronismo jornalístico.</div>
<div dir="auto"></div>
</div>
<div class="o9v6fnle cxmmr5t8 oygrvhab hcukyx3x c1et5uql ii04i59q">
<div dir="auto">(*) REVISTA DFATO. Associação do Ministério Público de Pernambuco. n° 1, abril/2006</div>
<div dir="auto">
<div dir="auto">Valter da Rosa Borges é fundador da Academia Pernambucana de Ciências (APC) e do Instituto Pernambucano de Pesquisas Psicobiofísicas &#8211; IPPP.</div>
</div>
</div>
</div>
</div>
</div>
</div>
</div>
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		<title>O maior espetáculo em terra &#8211; Paulino Fernandes de Lima</title>
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		<pubDate>Mon, 07 Jun 2021 11:31:38 +0000</pubDate>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O mundo artístico, assim como outros espetáculos públicos, foi mais um dos setores fortemente atingidos pela Pandemia, em todos os segmentos: cinemas, teatros, circos, etc. Entretanto, alguns desses espaços puderam se reinventar mais facilmente, a exemplo do Cinema, que se adaptou ao formato de televisão, a qual antes era opção secundária de exibição. “Noves fora” o espetáculo do segmento esportivo produzido pelo futebol, o Teatro e o Circo parecem ter sido os mais atingidos do mundo artístico, pois além da necessidade de terem de ser apresentados ao vivo, requerem, no ato, a presença do espectador.</p>
<p>Com as limitações impostas pela Pandemia, devido à necessidade de se evitarem aglomerações, a fissura da crise de mercado nessas searas é quase irreversível, especialmente para o mundo circense. E pelo que se tem notícia, esse estado já se agravou demasiadamente, ainda no estágio inicial da COVID, no ano passado. O Jornal Meio Norte trouxe uma matéria “da hora” (e do tempo), sobre essa calamitosa e indesejável situação, por que passou a viver o Circo, como podemos ler na Edição de 25.05.2020, disponível em: https://www.meionorte.com/blogs/culturaeturismo/artistas-do-piaui-lutam-pela-aprovacao-da-lei-de-emergencia-cultural-342289</p>
<p>“O maior espetáculo da terra” foi a feliz definição encontrada pelo Diretor Cecil B. De Mille, para dar título ao longa-metragem, que mostra os bastidores dessa valorosa exibição artística, genuinamente montada e apresentada, em terra. Reuniu elenco de primeira, com nomes como Betty Hiltton, Cornel Wide, Charlton Heston e James Stewart (vestido do palhaço Buttons, que nunca aparece de cara limpa). Um autêntico “making of” do Circo, cujo espetáculo é, precipuamente, de visualização sobre lonas, cordas e as indispensáveis salvas de palmas do respeitável público.</p>
<p>Enquanto a retomada ou, pelo menos, o adiamento do “adeus” é adiado, a Lei nº 14017/2020, será apenas um acalento para a uma grave crise, que só poderá se debelada, exitosamente, com a volta às apresentações que, no caso das circenses, deverá ser presencial e contar com o público.</p>
<p>A situação desse fascinante segmento artístico já não vinha sendo muito confortável. Com opções de entretenimento advindas da tecnologia, muitas pessoas não davam o valor artístico-cultural que tem o Circo; ou o qualificavam, de forma infeliz, como “coisa do passado”.</p>
<p>Com a Pandemia, a decadência de apresentações e de público só aumentou, o que pode se agravar ainda mais, pois a maioria dos profissionais que atuam no setor, ganham, ironicamente, seu pão de cada dia, no Circo. Poucos saem dali para outros mundos da arte, mas quando o fazem, sempre brilham, pois o trapézio por que passaram é uma escola, por excelência. Tanto a televisão, como o próprio Cinema já beberam de sua fonte, seja utilizando-a, como pano de fundo temático, a exemplo de Charlie Chaplin (O Circo); seja acolhendo artistas, que por lá desfilavam, como o ex-trapezista Burt Lancaster. No Brasil, nomes como Renato Aragão, Marcos Frota, Domingos Montagner e Lima Duarte tiveram suas origens, direta ou indiretamente, no Circo.</p>
<p>Aos que contribuíram e continuam contribuindo para essa arte milenar, dedicamos este Artigo, torcendo para que, ao mesmo tempo, cumpra sua função de apelo ao Poder público, a fim de que, tão logo esse indesejável período passe, o respeitável público seja chamado para ver o espetáculo que recomeçará!</p>
<p style="text-align: right;"><strong>Paulino Fernandes de Lima, </strong><br />
<strong>Defensor público e professor.</strong></p>
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