Os pensadores e filósofos, desde a pré-história, buscavam respostas para suas interrogações e, muitas vezes, não alcançavam seus objetivos. As ideias eram contraditórias ou seguiam em diferentes direções, enriquecendo, com isso, o aprendizado sobre os mais diversos assuntos.
Ao longo do tempo, a busca pela verdade percorreu os mais variados caminhos. Em alguns momentos, porém, foi influenciada pela disputa de egos e pelo desejo de poder, distorcendo e prejudicando o verdadeiro objetivo das pesquisas.
Por outro lado, esse movimento também fortaleceu aqueles que não sentiam a necessidade de ter suas vaidades exaltadas. Com humildade e a simplicidade própria dos sábios, recomeçavam suas pesquisas sem busca de novos resultados. Assim, promoviam a ampliação do conhecimento e contribuíam para tornar o ser humano cada vez mais evoluído.
É interessante perceber como a verdade interfere profundamente no comportamento humano.
Por trás da defesa da verdade, pode existir um sentimento de soberba: “Eu estou certo, você está errado”. A partir daí, surge uma gama de artifícios utilizados por aqueles que defendem, com unhas e dentes, suas convicções, mesmo quando elas nem sempre são coerentes com a realidade dos fatos.
Será que calar não seria, em alguns momentos, o comportamento mais sensato de quem não está interessado em provar nada, mas apenas em preservar seu ponto de vista? O silêncio pode incomodar aquele que insiste em dar a última palavra à discussão, como se isso fosse uma questão de honra. Essa inflexibilidade pode fazer com que se perca muito ao longo da vida, principalmente porque o ser humano é dinâmico e está em constante transformação.
É preciso manter o centro do nosso ser para não perdermos a coerência com nossas convicções. No entanto, ser fiel aos nossos valores não significa fechar os olhos para novas possibilidades. Fugir da verdade não nos fortalece. Muitas vezes, são os nossos medos — inclusive o medo de desagradar aqueles que estão ao nosso lado — que dificultam a descoberta de novos paradigmas e a ressignificação de antigos padrões.
Em relação à ciência, esse movimento de busca pela verdade promoveu a evolução do ser humano e ampliou uma fonte imensurável de conhecimentos. A partir dessa busca, surgiram respostas para necessidades diversas, desde os avanços da medicina e da tecnologia até a descoberta de novos parâmetros para a preservação da espécie.
A tranquilidade é conquistada pela paz. É ela que nos permite recuar quando necessário, adiar decisões e conter nossos impulsos, sem que isso signifique abandonar nossas convicções. Ao mesmo tempo, precisamos estar dispostos a quebrar paradigmas, porque somente assim poderemos construir nosso caminho de maneira segura e corajosa.
Para professar nossa verdade interior de maneira clara, é necessário desenvolver coragem. Uma coragem alicerçada nos mais sólidos valores adquiridos durante uma vida de idas e vindas, derrotas e conquistas — experiências que tornam cada ser humano único.
E qual seria, então, o papel do amor para completar essa trilogia: verdade, coragem e amor?
Talvez esteja na leveza da aceitação, que nos permite enfrentar as disputas de poder sem nos sentirmos humilhados. Está na capacidade de compreender o outro com ternura e, a partir dessa compreensão, descobrir a importância e o verdadeiro valor de amar e ser amado.
Buscar a verdade exige coragem, mas é o amor que pode nos ensinar a vivê-la sem ferir o outro. É ele que traz leveza à verdade e serenidade à coragem.
Assim, podemos ser seres de luz, iluminando caminhos e irradiando a paz.
Josete Cavalcanti
Nascida em fevereiro de 1952, no Recife. Exerce a profissão de psicóloga há várias décadas, e tem como seu maior compromisso procurar entender a alma humana. Seu grande sonho é que as crianças descubram o valor da leitura e com isso alimentem seus sonhos.
Publicações e participações:
“Um raio de Sol, um pouco de Luz pra Você”. Editora Bagaço. 2001. Pela Novoestilo Edições do Autor: Tanto Faz Não! Para mim só o Melhor. 2004; A Desculpa de Eva e a sua libertação. 2005; Ilha de Itamaracá – Histórias e Lendas. 1ª, 2ª e 3ª edições: 2013; Cadeira Vazia – Sente-se e viva 1ª, 2ª e 3ª edições: 2020; Floresta: Gerações em busca de paz. 2021; Raio de Sol, um pouco de luz para você – Edição comemorativa 25 anos.
Coletâneas: “Seleções do Século XXI – Contos e Crônicas”. Org. Salete Rêgo Barros e “Um Grito pelo Capibaribe”. Organização: Salete Rêgo Barros e Geraldo Ferraz; Antologia do Natal – Noite Feliz; Antologia do São João – Olha Pro Céu Meu Amor e Antologia do Carnaval – Oh! Quarta feira Ingrata. Organizadores: Telma Brilhante e Cássio Cavalcante. Antologia dos X Mandamentos (2019) Participação VIII Mandamento e Bate-papo Literal. Organizador: Cássio Cavalcante.
Coletâneas da Novoestilo Edições do Autor. Org. Salete Rêgo Barros: Cartas a Monteiro Lobato (2019). Destaque Artístico-literário da Cultura Nordestina (2021-2022); Fome de Quê? (2023); Gaia: a deusa mãe (2024); Consciência: para que te quero? (2025). Agenda do Poeta – várias edições.
HOMENAGEM
Prêmio em 2011 Mulheres que Mudaram a História de Pernambuco, 7ª Edição Pernambuco / 2011 – org. Carlos Bezerra Cavalcanti; Jardim das Letras UBE PE. Coordenadora: Jair Fonseca Martins.
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