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	<title>Arquivos Rivaldo Mafra &#8226; Cultura Nordestina</title>
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	<description>Letras &#38; Artes</description>
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	<title>Arquivos Rivaldo Mafra &#8226; Cultura Nordestina</title>
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		<title>AGROECOLOGIA: agricultura sustentável e mudanças climáticas, por Rivaldo Mafra</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Salete Rêgo Barros]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 05 Oct 2024 13:26:14 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Coletânea Gaia: a deusa-mãe]]></category>
		<category><![CDATA[Coletâneas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Em tempos de mudanças climáticas e pandemias, a proposta da Agroecologia para uma agricultura sustentável ressurge forte. Mas, do que trata a Agroecologia? A agricultura, desde o período Neolítico, há cerca de 10 mil anos, e até os dias atuais, tem sido atividade de perturbação dos ecossistemas. Numa situação de mudanças climáticas, os impactos dos [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Em tempos de mudanças climáticas e pandemias, a proposta da Agroecologia para uma agricultura sustentável ressurge forte. Mas, do que trata a Agroecologia? A agricultura, desde o período Neolítico, há cerca de 10 mil anos, e até os dias atuais, tem sido atividade de perturbação dos ecossistemas. Numa situação de mudanças climáticas, os impactos dos atuais sistemas de exploração agrícola contribuem para o agravamento da crise ambiental das sociedades contemporâneas.</p>
<p>Desde a década de 1890, no entanto, alguns pesquisadores alertam para o risco destrutivo da concepção e propósitos da agricultura “industrializada”. Surge outra forma de pensar. A espécie humana é vista como um dos componentes da teia da vida na Terra. Diferencia, pois, dos demais organismos por ser um consumidor singular. Portanto, seus sistemas agrícolas, vegetais e animais, devem estar em harmonização com os ecossistemas. Em outras palavras, as populações de plantas ou animais e as demais entradas promovidas pelo ser humano na atividade agrícola devem estabelecer relações harmoniosas com os organismos e processos físicos, químicos e biológicos fundamentais de cada ecossistema.</p>
<p>A Agroecologia, dentro de abordagem puramente teórica, é entendida como estudo de fenômenos puramente ecológicos que ocorrem nos campos cultivados tais como: fluxos de energia, ciclo de nutrientes e de matéria orgânica e coações entre organismos. Para alguns pesquisadores, entretanto, o termo Agroecologia tem conotação mais ampla.</p>
<p>Segundo HECHT (1989), “a Agroecologia incorpora ideias mais ambientais e sentimento social acerca da agricultura”. ALTIERE (1989) ao tratar da Agroecologia, diz: “na agricultura, as transformações energéticas, os ciclos de nutrientes, os processos biológicos e as relações socioeconômicas devem ser considerados como um todo”.</p>
<p>Na Agroecologia, portanto, são poucas as verdades universais. Cada ambiente físico e seus sistemas biológicos associados têm uma história diferente. Apoia essa concepção da Agroecologia, uma visão coevolutiva do mundo proposta por Norgaard (In: ALTIERE/2002). Sob esse prisma, climas, solos e seus sistemas biológicos &#8211; ecossistemas diferentes &#8211; conduzem às diversas formas de organização social, possibilitam diferentes conhecimentos, encorajam diferentes valores e suportam diferentes tecnologias (Figura 01).</p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class=" wp-image-13811 aligncenter" src="http://culturanordestina.com.br/wp-content/uploads/2024/10/fig-1-mafra-300x172.jpg" alt="" width="440" height="252" srcset="https://culturanordestina.com.br/wp-content/uploads/2024/10/fig-1-mafra-300x172.jpg 300w, https://culturanordestina.com.br/wp-content/uploads/2024/10/fig-1-mafra-600x344.jpg 600w, https://culturanordestina.com.br/wp-content/uploads/2024/10/fig-1-mafra.jpg 610w" sizes="(max-width: 440px) 100vw, 440px" /></p>
<p>Figura 01. Representação esquemática da coevolução do conhecimento, dos valores, da organização social, do ambiente físico e seus sistemas biológicos e da tecnologia (Norgaard in ALTIERE&#8230;2002).</p>
<p>As atividades do ser humano na natureza, em busca da satisfação de suas necessidades, conduziram à criação de formas, de valores, de atitudes, de organização social, de conhecimento e de tecnologia, inerentes às características de cada ecossistema. Desse modo, é possível utilizar essa ferramenta teórica para entender os efeitos históricos da ocupação do espaço e uso dos recursos naturais dos principais ecossistemas brasileiros &#8211; Amazônia, Cerrados, Mata Atlântica, Pantanal e Caatinga &#8211; sobre formas, costumes e valores culturais de seus habitantes.</p>
<p>O instrumental teórico da Ecologia Humana também estabelece uma visão coevolutiva do mundo. Para essa Disciplina, a espécie humana, um dos componentes do reino animal do sistema ecológico, participa como consumidor singular da cadeia alimentar. Ocupando determinado espaço na biosfera, ele age de forma ímpar – o Trabalho – sobre a natureza em busca de construção do seu habitat. Nessa ação, cada vez mais crescente, do domínio e exploração da natureza, ele estabelece certos tipos de relações sociais. Entre elas estão as denominadas relações sociais de produção. Para MARIA JOSÉ DE ARAUJO LIMA, “a interação homem – natureza se concretiza por duas vias”. Uma delas, através da transferência de energia, inerente às relações biológicas. A outra, por meio da realização do trabalho, estabelece as relações sociais. Estas formas de relações, resultantes da interação homem – natureza, conduzem à transformação da espécie biológica (Homo sapiens) em ser humano” (Figura 02).</p>
<p><img decoding="async" class="size-medium wp-image-13810 aligncenter" src="http://culturanordestina.com.br/wp-content/uploads/2024/10/fig-2-mafra-300x271.jpg" alt="" width="300" height="271" srcset="https://culturanordestina.com.br/wp-content/uploads/2024/10/fig-2-mafra-300x271.jpg 300w, https://culturanordestina.com.br/wp-content/uploads/2024/10/fig-2-mafra.jpg 510w" sizes="(max-width: 300px) 100vw, 300px" /></p>
<p>Figura 02. Esquema do processo de transformação da espécie biológica <u>(Homo sapiens) </u>em ser humano (MARIA JOSÉ DE ARAUJO LIMA).</p>
<p>As explorações vegetal e animal, sob a ótica das ferramentas teóricas da Agroecologia e da Ecologia Humana, podem ser vistas como resultantes da ação humana sobre os ecossistemas. Seriam, portanto, <strong>Agroecossistemas</strong>. Isto é, ecossistemas transformados. Neles ocorrem tantos processos ecológicos (fluxo de energia, ciclos biogeoquímicos e coações entre organismos dos tipos – predador/presa, competição, comensalismo e sucessão) quantos processos socioeconômicos.</p>
<p>Assim, o ser humano ao abandonar o papel de interventor e dominador da natureza, ver-se-á apenas como um consumidor &#8220;singular&#8221; da cadeia alimentar de todos seres vivos do ecossistema que habita. Isso fará da Agroecologia o modelo a ser usado no enfrentamento das mudanças climáticas, e na sustentabilidade ambiental e socioeconômica da Agricultura.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>LITERATURA CONSULTADA</p>
<p>ALTIERE, M. A. Agroecologia: as bases científicas da agricultura alternativa / Miguel A. Altiere; tradução de Patrícia Vaz. Rio de Janeiro: PTA/FASE, 1989.</p>
<p>ALTIERE, M. Agroecologia: as bases científicas para uma agricultura sustentável. Guaíba : Agropecuária, 2002, p 53 – 55.</p>
<p>HECHT, J. B.   A evolução do pensamento agroecológico. In: <u>Agroecologia</u>: as bases científicas da agricultura alternativa. Rio de Janeiro: FASE/PTA. 1989. p. 25-41.</p>
<p>LIMA, M. J. de A. Ecologia humana: realidade e pesquisa. 2. Ed. Recife: Imprensa da UFRPE, 1965. 164p.</p>
<p>&nbsp;</p>
<hr />
<p><strong>Rivaldo Mafra</strong></p>
<p>Rivaldo Chagas Mafra (Olinda, 06/10/1933). Engenheiro agrônomo pela Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE, 1962), professor aposentado e ex-coordenador do Curso de Agronomia da UFRPE. Professor do Curso de Especialização por Tutoria a Distância em Agricultura Tropical dos cursos – Agroecossistemas e Tecnologias Para Agropecuária do Semiárido Nordestino (ABEAS, 1988/2001). Pesquisador aposentado do Instituto de Agronômico de Pernambuco (IPA, 1963-1998) e Diretor Técnico da Empresa Pernambucana de Pesquisa Agropecuária – IPA (1979/1980). Viagens de estudos em Colômbia, México, Costa Rica, USA, França, Senegal, Mali, Índia e Moçambique (1979/1983). Consultor na área de projetos agrícolas, com destaque para: planejamento Agrícola do Projeto Borda do Lago de Itaparica (Pernambuco, 1986/1987) e assistência técnica aos agricultores familiares do Projeto de Irrigação Manga de Baixo (Belém do São Francisco/Pernambuco, 1986/87). Coordenador do Projeto de Difusão de Tecnologias e Assistência Técnica aos Agricultores do Assentamento Porteiras (Pombos/Pernambuco &#8211; 1995/97) e Assentamento do Engenho Ubu (Goiana/PE- 1997) e do Projeto de Difusão Tecnológica em Apoio a Pequena Agricultura Irrigada para os agricultores familiares da Associação dos Moradores e Produtores Agropecuários de Sapucarana – Bezerros/PE, do Sindicato dos Trabalhadores Rurais do Brejo da Madre de Deus/PE e do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Jataúba/PE (2006 – 2008). Mais de 100 trabalhos técnico-científicos publicados. Membro das Academias Pernambucana e Brasileira de Ciência Agronômica.</p>
<p>&nbsp;</p>
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