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	<title>Arquivos Paulo Salles Cavalcanti &#8226; Cultura Nordestina</title>
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		<title>Paulo Salles Cavalcanti</title>
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		<pubDate>Mon, 28 Aug 2023 20:13:09 +0000</pubDate>
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										<content:encoded><![CDATA[<h2>Fome de quê? De justiça</h2>
<p>&nbsp;</p>
<p>No Evangelho de Mateus encontramos, no denominado “Sermão do Monte”, a seguinte expressão de Jesus Cristo: “Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, pois serão satisfeitos” (Mateus 5:6). O Mestre identifica claramente do que precisamos ter fome ­— e ainda acrescenta sede —: de justiça. Essa, sem dúvida, uma das maiores necessidades do homem. E no verso 10 Ele acrescenta: “Bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos Céus”.</p>
<p>Do ponto de vista humano, a fome de justiça tem a ver com a não conformidade, a indignação com as desigualdades, com todo e qualquer tipo de preconceito e até mesmo com a justiça equivocadamente aplicada. Seria a fome de que a justiça prevalecesse sempre e em qualquer circunstância. A indignação leva-nos a ter fome, expressa no anseio de que a justiça seja feita, que o infrator seja punido, que a verdade seja restaurada ou ainda que determinada situação seja revertida. E precisamos mesmo nos indignar contra isso. A justiça, pela sua natureza, está atrelada àquilo que é justo. Daí a grande responsabilidade daqueles que exercem o juízo. Não é justo que poucos tenham muito e muitos não tenham suas necessidades básicas atendidas. Não é justo que a Lei beneficie os poderosos e puna os humildes, os desprotegidos, os vulneráveis. Não é justo o aviltante salário mínimo, que não atende às necessidades do trabalhador e sua família. Não são justas as diferentes condições de vida entre ricos e pobres. Não é justo alguns viverem nababescamente enquanto tantos outros passam fome. Não é justo que a liberdade de expressão seja cerceada. Não é justo que as informações não alcancem a todos indistintamente. Não é justa qualquer manifestação de opressão. Não é justa, muitas vezes, a forma como os recursos públicos são aplicados ou distribuídos. Para essas coisas, a nossa fome de justiça. Do ponto de vista humano, a justiça teria a ver ainda com o fato de que a Justiça Divina alcançaria aqueles que não foram objeto da justiça dos homens. Essa até poderia tardar, mas não falharia, no dito popular. A verdade é que, onde há justiça, há também a paz e a igualdade social.</p>
<p>A Bíblia nos fala muito sobre justiça. No primeiro livro, de Gênesis, vamos encontrar Deus recomendando ao seu povo: “façam o que é justo e direito (justiça)”. (Gênesis 18:19). Quando se referiu aos juízes, vamos encontrar Deus dizendo: “Não pervertam a justiça nem mostrem parcialidade. Não aceitem suborno. Sigam única e exclusivamente a justiça”. (Deuteronômio 16:19-20). No conhecido Salmo 23, o salmista vai dizer: “guia-me nas veredas da justiça por amor do teu nome”.  Interessante o texto de Amós 5:24: “Em vez disso, corra a retidão como um rio, a justiça como ribeiro perene”. Um alerta para que ninguém interrompa o caminhar da justiça.</p>
<p>Do ponto de vista espiritual, o ensino do Novo Testamento traz outro significado de justiça. Justiça aqui teria a ver com o “ser justificado”, tornado justo. Seria a Justiça Divina sendo satisfeita porque alguém considerado réu, culpado, teria sido perdoado, justificado, porque outro pagou a sua dívida. A desobediência do homem não ficaria impune. Essa dívida foi paga por Jesus Cristo, através do seu sacrifício na cruz. Por esse sacrifício o homem teve o seu relacionamento com Deus restabelecido. Foi ele justificado. É para essa justiça que Cristo nos convida no registro de Mateus 6:33: “Busquem, pois, em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça”.  A justiça vem por Jesus Cristo. É Ele quem nos justifica perante Deus. Vamos a alguns textos, para melhor compreensão. Atos 13:38-39: “Portanto, meus irmãos, quero que saibam que mediante Jesus, lhes é proclamado o perdão dos pecados. Por meio Dele, todo aquele que crê é justificado de todas as coisas”. Romanos 3:21 a 24: “Mas agora se manifestou uma justiça que provém de Deus, independente da Lei, da qual testemunham a Lei e os Profetas, justiça de Deus mediante a fé em Jesus Cristo para todos os que creem. Sendo justificados gratuitamente por sua graça, por meio da redenção que há em Cristo Jesus”. Romanos 5:1: “Tendo sido, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus por nosso Senhor Jesus Cristo”. Romanos 8:33: “Quem fará alguma acusação contra os escolhidos de Deus? É Deus quem os justifica”. 1ª Coríntios 6:11: “Assim foram alguns de vocês. Mas vocês foram lavados, foram santificados, foram justificados no nome do Senhor Jesus Cristo e no Espírito de nosso Deus”.</p>
<p>Como o homem pode ser considerado justificado? Primeiramente admitindo seus erros e, que, sendo assim, estaria sujeito a uma punição. Em segundo lugar, arrependendo-se dos seus atos pecaminosos e tendo o entendimento de não ter nenhum mérito, nenhum argumento, para que fosse perdoado. Em terceiro lugar reconhecendo que nada poderia fazer para desfazer esse quadro. E em quarto lugar, aceitando que Cristo, o Filho do Deus vivo, através do seu sacrifício, pagou toda a sua dívida para com Deus, tornando-o justificado perante Ele. A justiça se fez.</p>
<p>Fome de quê? Da justiça que se revolta contra a injustiça, mas também da justiça que provém de Deus para que sejamos, em Cristo, justificados. Só assim entenderemos o que Ele quis dizer quando afirmou: “felizes são aqueles que têm fome (e sede) de justiça, porque seriam saciados”.</p>
<p>&nbsp;</p>
<hr />
<h3><em>Paulo Salles Cavalcanti</em></h3>
<p>é natural de Arcoverde-PE. Economista pela UFPE, exerceu suas atividades profissionais no Banco do Nordeste do Brasil e no Banco Central do Brasil. No campo literário, é autor de 8 livros, sendo 6 de poesias e 2 de contos. Participou de várias antologias. É sócio da UBE-PE e membro da Academia de Letras do Brasil – ALB-PE e Academia de Letras e Artes Batista da Capunga – ALABAC.</p>
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