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	<title>Arquivos Ivanilde Morais de Gusmão &#8226; Cultura Nordestina</title>
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	<description>Letras &#38; Artes</description>
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	<title>Arquivos Ivanilde Morais de Gusmão &#8226; Cultura Nordestina</title>
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		<title>Ivanilde Morais de Gusmão</title>
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		<dc:creator><![CDATA[cultur55_wp]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 16 Aug 2023 18:51:04 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Coletânea Fome de quê?]]></category>
		<category><![CDATA[Coletâneas]]></category>
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		<category><![CDATA[Coletânea]]></category>
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		<category><![CDATA[ivanilde morais de gusmão]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>FOME, de quê? A fome que é saciada com garfo e faca é diferente da que rasga a carne nos dentes! Karl Marx[1] &#160; Um grande véu encobre o mundo! O falso brilho das luzes encandeia e turva a vista comprometendo o olhar. Tudo fica nebuloso, enquanto ruídos ensurdecedores impedem o pensar e o enxergar [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<h2><strong>FOME, d</strong><strong>e quê?</strong></h2>
<p><em>A fome que é saciada com garfo e faca </em></p>
<p><em>é diferente da que rasga a carne nos dentes!</em> Karl Marx<a href="#_ftn1" name="_ftnref1"><sup>[1]</sup></a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Um grande véu encobre o mundo!</p>
<p>O falso brilho das luzes encandeia e turva a vista comprometendo o olhar.</p>
<p>Tudo fica nebuloso, enquanto ruídos ensurdecedores</p>
<p>impedem o pensar e o enxergar a realidade.</p>
<p>Então, os indivíduos inebriados, cegos, manipulados e amedrontados,</p>
<p>não sabem que direção tomar!</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Mergulhados em profunda crise,</p>
<p><em>tropeça-se sobre as coisas que rolam no desgoverno</em> <em>e na contramão. </em></p>
<p><em>E com as coisas os homens. </em> <em>E nesse tráfego bárbaro, </em></p>
<p><em>os semáforos inverteram as luzes; </em></p>
<p><em>não contentes, mudaram as cores. </em></p>
<p><em>Motoristas e pedestres </em> <em>se atropelam, mas ninguém para. </em></p>
<p><em>Não há como se deter </em> <em>e todos se desesperam por chegar aos destinos. </em></p>
<p><em>Mas os rumos foram abolidos. </em></p>
<p><em>Os coletivos trafegam </em> <em>sem tabuletas, </em></p>
<p><em>os comboios</em> <em>não param, nem partem. </em></p>
<p><em>As ruas perderam os nomes e todos esqueceram para onde iam. </em></p>
<p><em>Só resta a alternativa de continuar andando. </em></p>
<p><em>Sem sentido.<a href="#_ftn2" name="_ftnref2"><strong>[2]</strong></a></em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Enquanto isso, o capital – dono do mundo –,</p>
<p>que se apropriou de toda a riqueza,</p>
<p>destitui o homem de sua humanidade, restando o animal homem&#8230;,</p>
<p>e, nessa imensa barbárie, a lógica do capital se amplia</p>
<p>e aumenta sua capacidade de destruição <em>ad infinitum. </em></p>
<p>Nesse quadro a fome grassa o mundo&#8230;</p>
<p>Não qualquer uma, mas todas formas de Fome.</p>
<p>Fome no mais profundo significado, principalmente,</p>
<p>de humanidade, na medida em que a riqueza produzida pelo trabalho</p>
<p>é apropriada privadamente dispondo do poder da própria fonte da vida&#8230;</p>
<p>Deixando milhões em completa miséria.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Nesse mundo de imensa riqueza,</p>
<p>grande parte da população é jogada na miséria, na fome&#8230;</p>
<p>Até quando?</p>
<p>Para compreender esse quadro é preciso verificar</p>
<p>quais os pressupostos da existência humana!</p>
<p>O primeiro é que todo o mundo humano,</p>
<p>toda a sua vida é feita de História</p>
<p>e, na medida em que, partindo da animalidade, da Natureza,</p>
<p>mediado pelo trabalho, o homem produziu</p>
<p>o seu mundo de riqueza material e espiritual que se expressa na Cultura.</p>
<p>Portanto, nesse processo histórico,</p>
<p>os seres humanos devem estar em condições de viver para poder “fazer história”.</p>
<p>Mas, para viver, é preciso antes de tudo comer,</p>
<p>beber, ter habitação, vestir-se e algumas coisas mais que humanizam.</p>
<p>Daí que, a primeira ação humana</p>
<p>é a produção dos meios que permitam a satisfação dessas necessidades;</p>
<p>isto é, a produção da própria vida material.</p>
<p>E de fato esta é uma condição fundamental de toda a história</p>
<p>que, ainda hoje, como há milhares de anos,</p>
<p>deve ser cumprido todos os dias e todas as horas,</p>
<p>simplesmente para os manter vivos.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>A segunda ação ou elemento a ser considerado é que,</p>
<p>satisfeita esta primeira necessidade,</p>
<p>a ação de satisfazê-la e o instrumento de satisfação já adquirido,</p>
<p>conduzem a novas e mais amplas necessidades.</p>
<p>Esta produção de novas necessidades é o primeiro fato histórico.</p>
<p>A terceira condição, reprodução da espécie.</p>
<p>Esta ação, desde o início, intervém no desenvolvimento histórico</p>
<p>porque os humanos diariamente renovam sua própria vida,</p>
<p>gerando novos seres e assim garantem sua espécie.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Nesse processo, a primeira relação de produção</p>
<p>é entre macho &#8211; fêmea (homem &#8211; mulher);</p>
<p>entre pais e filhos, gerando a família</p>
<p>que, no início, é a única relação social,</p>
<p>tornando-se depois uma reação secundária,</p>
<p>quando as necessidades ampliadas engendram novas relações sociais,</p>
<p>e o acréscimo de população produz novas necessidades.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>O humano, ser social gerado nesse processo,</p>
<p>cada vez mais se desenvolve, ampliando seu mundo,</p>
<p>criando novas e mais amplas e complexas necessidades.</p>
<p>Estes três aspectos da atividade social:</p>
<p>atender necessidades, criar instrumentos</p>
<p>e a relação social, são simplesmente três “momentos”</p>
<p>que coexistem desde os primórdios da história;</p>
<p>desde os primeiros humanos</p>
<p>e, ainda hoje, se fazem valer na história.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>É nesse processo que emerge o capital.</p>
<p>Relação social de produção que revoluciona,</p>
<p>porque cria pelo e através do trabalho toda a imensa riqueza – social, material cultural –,</p>
<p>mas que a partir de determinado momento, por exemplo, no atual,</p>
<p>entra em crise porque a produção social é apropriada privadamente</p>
<p>e aquele que produz é desproduzido no ato da produção;</p>
<p>o produto do seu trabalho não lhe pertence, é pelo outro apropriado.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>O trabalhador que produziu luxo e riqueza, palácios e castelos,</p>
<p>é jogado na miséria, no desalento, na fome&#8230;</p>
<p>Essa imensa população vagueia abandonada e submetida</p>
<p>a todas as formas de Fome!</p>
<p>Desde as condições mínimas de sobrevivência</p>
<p>até de bens materiais, sociais, espirituais;</p>
<p>e mais, lhe é negada a própria humanidade.</p>
<p><em>O que acontece com o pobre, o miserável </em></p>
<p><em>a quem é negado todo benefício </em> <em>produzido socialmente? </em></p>
<p><em>Fica destituído da morada humana; </em></p>
<p><em>isto é, </em><em>do mundo de riqueza gerado socialmente!</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Neste processo de desenvolvimento econômico e progresso social,</p>
<p>que é negado àqueles que produziram, surge um período de revolução</p>
<p>e as forças produtivas materiais da sociedade</p>
<p>entram em contradição com as relações existentes</p>
<p>gerando, então, uma profunda crise.</p>
<p>Ao lado da riqueza social, uma imensa população miserável e faminta de tudo&#8230;.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Ocorre que, o que estamos hoje vivenciando</p>
<p>é que das formas de desenvolvimento das forças produtivas,</p>
<p>estas relações transformam-se em seu entrave,</p>
<p>e toda riqueza (material/espiritual) é apropriada</p>
<p>por pequena parcela da população – as “personas” do capital</p>
<p>que fomentam a violência e a miséria</p>
<p>pela guerra, abandono, discriminação e fome;</p>
<p>condições para as transformações.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Contudo, nenhuma organização social desaparece</p>
<p>antes que se desenvolvam todas as forças produtivas que ela é capaz de conter;</p>
<p>nunca relações de produção novas e superiores</p>
<p>se lhe substituem antes que</p>
<p>as condições materiais de existência destas relações</p>
<p>se produzam no próprio seio da velha sociedade.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>É por isso, então,</p>
<p>que a humanidade só levanta os problemas</p>
<p>que é capaz de resolver</p>
<p>e, assim, numa observação atenta,</p>
<p>descobrir-se-á que o próprio problema só surgiu</p>
<p>quando as condições materiais para resolvê-lo já existiam</p>
<p>ou estavam, pelo menos, em vias de aparecer.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>A questão que se coloca é:</p>
<p>todas as condições materiais já estão dadas,</p>
<p>por que a transformação – Revolução –</p>
<p>para a sociedade verdadeiramente humana não ocorre?</p>
<p>O que vemos é o contrário:</p>
<p>paralela à imensa riqueza socialmente produzida,</p>
<p>gera-se uma miséria profunda, violência, guerra, destruição</p>
<p>e a FOME se espalha no mundo!</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Fome de quê?</p>
<p>Afirmamos, sobretudo, Fome de Humanidade</p>
<p>e de tudo o que a envolve para grande parcela da população,</p>
<p>enquanto uma parcela ínfima</p>
<p>alcançou o paraíso, porque se apropria privadamente da riqueza</p>
<p>socialmente produzida</p>
<p>e, para o restante, o retorno à “barbárie”!</p>
<p>O que fazer?</p>
<p>A proposta possível: união de todos que geram a riqueza.</p>
<p>Para tanto, criar, implementar instrumentos de mediação</p>
<p>partindo da Cultura, da educação e do conhecimento</p>
<p>disponíveis para todos, eliminando quaisquer formas desse imenso flagelo denominado FOME!</p>
<hr />
<h3><em>Ivanilde Morais de Gusmão</em></h3>
<p><em> </em>Co-organizadora da coletânea Fome de quê?, professora, advogada, ensaísta, contista e poeta. Estudiosa há mais de 40 anos de Karl Marx e da Literatura. Membro de várias entidades literárias nacionais e internacionais. Autora de diversos títulos nos gêneros ensaio e poesia e participante de antologias organizadas no Brasil e exterior. Organizadora e patrocinadora da coletânea Tempo partido 2020 &#8211; Resgatando sentimentos de humanidade. Novoestilo Edições do Autor. Coordenadora do Espaço de Múltiplos Saberes – ESMUSA no Ponto de Cultura – Cultura Nordestina Letras &amp; Artes (Recife-PE).</p>
<p><a href="#_ftnref1" name="_ftn1">[1]</a> Karl Marx &#8211; (1818-2019) – Nasceu na cidade de Trier, em 5 de maio de 1818  – Alemanha (antigo território da Prússia) – Filósofo/economista/historiador. <a href="#_ftnref2" name="_ftn2">[2]</a> CHASIN, J. (?  &#8211; 1997) – MARX – da razão do mundo ao mundo sem razão – São Paulo – Cadernos Ensaio 1 – série grande formato – 1990. <img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-12639 aligncenter" src="http://culturanordestina.com.br/wp-content/uploads/2023/08/LOGO-COLETANEA-300x300.png" alt="" width="300" height="300" srcset="https://culturanordestina.com.br/wp-content/uploads/2023/08/LOGO-COLETANEA-300x300.png 300w, https://culturanordestina.com.br/wp-content/uploads/2023/08/LOGO-COLETANEA-1024x1024.png 1024w, https://culturanordestina.com.br/wp-content/uploads/2023/08/LOGO-COLETANEA-150x150.png 150w, https://culturanordestina.com.br/wp-content/uploads/2023/08/LOGO-COLETANEA-768x768.png 768w, https://culturanordestina.com.br/wp-content/uploads/2023/08/LOGO-COLETANEA-1536x1536.png 1536w, https://culturanordestina.com.br/wp-content/uploads/2023/08/LOGO-COLETANEA-2048x2048.png 2048w, https://culturanordestina.com.br/wp-content/uploads/2023/08/LOGO-COLETANEA-600x600.png 600w, https://culturanordestina.com.br/wp-content/uploads/2023/08/LOGO-COLETANEA-100x100.png 100w, https://culturanordestina.com.br/wp-content/uploads/2023/08/LOGO-COLETANEA-50x50.png 50w" sizes="(max-width: 300px) 100vw, 300px" /></p>
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