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	<title>Arquivos Rivaldo Mafra &#8226; Cultura Nordestina</title>
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	<description>Letras &#38; Artes</description>
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	<title>Arquivos Rivaldo Mafra &#8226; Cultura Nordestina</title>
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		<title>Veja, o mundo! por Rivaldo Chagas Mafra</title>
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		<dc:creator><![CDATA[cultur55_wp]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 01 Sep 2026 14:28:57 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Coletânea A luta pela verdade: um ato de amor e coragem]]></category>
		<category><![CDATA[Rivaldo Chagas Mafra]]></category>
		<category><![CDATA[A luta pela verdade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>“Diz a lenda que se você parar de olhar pro celular e erguer os olhos, vai ver árvores, pessoas, céu, pássaros&#8230;&#8230;..”&#160;(Internet. A Rádio Rock, 28/3/2015. #vivarock) No mundo contemporâneo, o virtual tem tentado se impor como Verdade. Há todo um instrumental e estratégias voltados em atrair as pessoas para outras realidades.&#160; Entre os mais diversos [&#8230;]</p>
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<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph"><strong><em>“</em></strong><em>Diz a lenda que se você parar de olhar pro celular e erguer os olhos, vai ver árvores, pessoas, céu, pássaros&#8230;&#8230;..”&nbsp;</em>(Internet. A Rádio Rock, 28/3/2015. #vivarock)</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">No mundo contemporâneo, o virtual tem tentado se impor como Verdade. Há todo um instrumental e estratégias voltados em atrair as pessoas para outras realidades.&nbsp; Entre os mais diversos tipos de equipamentos, reina o smartphone. Tornado espécie de prótese eletrônica, é reconhecidamente eficiente como meio de comunicação social e acesso à informação. Entretanto, esses aparelhos capturam, os bens mais preciosos do ser humano:<strong> a atenção </strong>e o <strong>tempo.</strong>&nbsp; Isto é, inibem, estrategicamente, a contemplação e a imaginação como fontes de construção da realidade própria de cada pessoa. A foto da Figura 01 ilustra bem o poder de tais aparelhos. Na imagem, duas pessoas estão sentadas em um banco de costas para a praia e o mar. Suas atenções voltam-se inteiramente para os celulares. O ambiente natural e a pessoa que passa correndo não atraem a atenção. Eles estão ausentes de tudo, deixaram de <strong>ver o mundo</strong>.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="553" height="691" src="https://culturanordestina.com.br/wp-content/uploads/2026/09/Figura-1.jpg" alt="" class="wp-image-23184" srcset="https://culturanordestina.com.br/wp-content/uploads/2026/09/Figura-1.jpg 553w, https://culturanordestina.com.br/wp-content/uploads/2026/09/Figura-1-240x300.jpg 240w" sizes="(max-width: 553px) 100vw, 553px" /><figcaption class="wp-element-caption">Figura 1. Olinda/PE. 2025.</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Estamos, portanto, diante de enorme desafio. O que é a Verdade num mundo digital povoado de redes sociais, de informações falsas e presença da Inteligência Artificial? Escritores, líderes espirituais e legislações estatais têm, porém, acionado o alarme. O filósofo sul-coreano Byung – Chul Han, autor do livro PSICOPOLÍTICA: o neoliberalismo e as novas técnicas de poder, diz que o smartphone tornou-se um objeto de devoção. Para Niall Ferguson e John – Clarkl Levi, no artigo A MORTE DA HISTÓRIA, publicado no “The Free Press” em 16/7/2026, as ferramentas que outrora expuseram e desmascaram a negação do Holocausto tornaram-se impotentes contra a Inteligência Artificial e os algoritmos. &nbsp;&nbsp;O escritor Yuval Noah Harari, afirma em seu livro NEXUS: uma breve história das redes de informação, da Idade da Pedra à Inteligência artificial, que “Informação não é verdade”. A própria Igreja Católica, com a recente Encíclica MAGNIFICA HUMANITAS do PAPA LEÃO XIV, fez veemente convite para a salvaguarda da pessoa humana na era da inteligência artificial. Alguns países também entraram na luta com legislações proibitivas do uso do celular por crianças e jovens. Além do mais, filósofos, poetas, médicos, psicólogos e artistas já participam desse grande movimento de resistência.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Fotografia, por sua vez, tem obrigação de participar desse bom combate. A câmera fotográfica integrada ao celular revolucionou o mundo das imagens. Popularizando a atividade, a câmera do aparelho permite que diariamente bilhões de pessoas tirem, compartilhando nas redes sociais, fotos de diversos temas. Tais imagens fotográficas, entretanto, podem ser entendidas como traços de um mundo real. Não há nenhuma novidade. O escritor Roland Barthes em A CÂMARA CLARA: nota sobre a fotografia, publicada pela 1980, deixava explicito que “não há foto sem alguma coisa ou alguém”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A presença da câmera fotográfica, portanto, possibilitou o uso do celular como meio de observação e registro de coisas verdadeiras da vida e do mundo. &nbsp;As imagens do banhista &nbsp;&nbsp;fotografando uma garça com celular são bastantes ilustrativas (Figura 02 e Figura 03). Seus gestos revelam o acompanhamento do movimento da ave pela tela do aparelho. &nbsp;O celular, perdendo parte do poder de reter a atenção e tempo, foi utilizado para a observação e registro de coisas reais.</p>



<figure class="wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex">
<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" width="760" height="1024" data-id="23186" src="https://culturanordestina.com.br/wp-content/uploads/2026/09/Figura-3-760x1024.jpg" alt="" class="wp-image-23186" srcset="https://culturanordestina.com.br/wp-content/uploads/2026/09/Figura-3-760x1024.jpg 760w, https://culturanordestina.com.br/wp-content/uploads/2026/09/Figura-3-223x300.jpg 223w, https://culturanordestina.com.br/wp-content/uploads/2026/09/Figura-3-768x1035.jpg 768w, https://culturanordestina.com.br/wp-content/uploads/2026/09/Figura-3-1140x1536.jpg 1140w, https://culturanordestina.com.br/wp-content/uploads/2026/09/Figura-3-1520x2048.jpg 1520w, https://culturanordestina.com.br/wp-content/uploads/2026/09/Figura-3-600x808.jpg 600w, https://culturanordestina.com.br/wp-content/uploads/2026/09/Figura-3-scaled.jpg 1900w" sizes="(max-width: 760px) 100vw, 760px" /><figcaption class="wp-element-caption">Figura 2. Olinda/PE. 2025.</figcaption></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" width="768" height="1024" data-id="23185" src="https://culturanordestina.com.br/wp-content/uploads/2026/09/Figura-2-768x1024.jpg" alt="" class="wp-image-23185" srcset="https://culturanordestina.com.br/wp-content/uploads/2026/09/Figura-2-768x1024.jpg 768w, https://culturanordestina.com.br/wp-content/uploads/2026/09/Figura-2-225x300.jpg 225w, https://culturanordestina.com.br/wp-content/uploads/2026/09/Figura-2-1152x1536.jpg 1152w, https://culturanordestina.com.br/wp-content/uploads/2026/09/Figura-2-1536x2048.jpg 1536w, https://culturanordestina.com.br/wp-content/uploads/2026/09/Figura-2-600x800.jpg 600w, https://culturanordestina.com.br/wp-content/uploads/2026/09/Figura-2-scaled.jpg 1919w" sizes="(max-width: 768px) 100vw, 768px" /><figcaption class="wp-element-caption">Figura 3. Olinda/PE. 2025.</figcaption></figure>
</figure>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; </p>



<p class="wp-block-paragraph">Enfim, as gerações contemporâneas estão diante do maior desafio da humanidade. Isto é, a ameaça das inovações tecnológicas de informação sobre o <strong>desenvolvimento integral do ser humano e a conservação de nossa Casa Comum. </strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">RIVALDO CHAGAS MAFRA. Olinda/Pernambuco, 1933. Engenheiro Agrônomo pela UFRPE. Professor aposentado da UFRPE, pesquisador aposentado do IPA e membro da Academia Pernambucana de Ciências Agronômicas. Associado da LETRART (2016). O amor pela Fotografia faz parte de sua vida. Nos registros das atividades profissionais e iniciação à Arte Fotográfica na aposentadoria. Frequentou cursos de curta duração e Saídas Fotográficas do Pernambuco Foto Clube. Participa dos eventos atuais do Pequeno Encontro da Fotografia. Em 2017, iniciou trabalho voluntário, lecionando Cursos de Fotografia com celular para pessoas idosas do NAISCI/HUOC/UPE. Ministrou Palestras e Oficinas sobre Fotografia Artística. Publicou o fotolivro ASSIM VI (2022) e o fotozine OLHAR DE QUARENTENA: registro celular em Chã Grande (2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Para participar da nossa Coletânea, <a href="https://culturanordestina.com.br/blog/edital-coletanea-a-luta-pela-verdade/">clique aqui, leia o edital</a> e <a href="https://culturanordestina.com.br/blog/edital-coletanea-a-luta-pela-verdade/#inscricoes">inscreva-se</a> <span class="">até&nbsp;</span><span class="">15 de setembro de 2026</span>.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</em></p>
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		<title>Fotografe artisticamente com celular, por Rivaldo Mafra</title>
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		<pubDate>Mon, 18 Nov 2024 17:04:03 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Associados]]></category>
		<category><![CDATA[Divulgação]]></category>
		<category><![CDATA[fotografia no celular]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Roteiro imaginativo Suponha que está num local com lago artificial e presença de diversas aves. Durante algum tempo, você contemplou as aves nadando na superfície do lago. Surgiu, então, o desejo de fazer uma foto. Você tem em mente que uma foto é “luz registrada em determinado momento”. Mas, fotografar o quê? Qual a intenção? [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Roteiro imaginativo</strong></p>
<p>Suponha que está num local com lago artificial e presença de diversas aves. Durante algum tempo, você contemplou as aves nadando na superfície do lago. Surgiu, então, o desejo de fazer uma foto. Você tem em mente que uma foto é “luz registrada em determinado momento”. Mas, <strong>fotografar o quê?</strong> Qual a intenção? Logo, vislumbra um cisne negro a certa distância. Teria surgido a intenção? Fazer a foto lhe pareceu fácil. Apontou a lente da câmera fotográfica do celular na direção da ave e rapidamente capturou a imagem (Fig. 1). A presença na foto das folhas de cor verde-pálido da planta, da linha curva sinuosa do canteiro e dos reflexos na superfície do lago lhe agradaram. De imediato, compartilhou a imagem com familiares, amigos e em redes sociais. Algo, porém, fez sentir que era possível expressar de forma mais criativa sua intenção. Começou, então, a imaginar <strong>como </strong>e em qual <strong>momento </strong>poderia fazer uma foto artística da ave. Decidiu esperar um pouco.</p>
<p>O cisne nadou para um local próximo de onde você estava. A luz do Sol poente iluminava diretamente parte do corpo da ave, tornando a cor das penas de tom amarelo com algumas estrias negras. O cisne, então, resolveu beber água. Com leve movimento da cabeça, inseriu o bico na água fazendo surgir pequena sombra e ondulações na superfície. Você sentiu que era ocasião de fazer a foto. Apontou a lente da câmera fotográfica do celular na direção da ave. Logo surgiu uma imagem da cena na tela do aparelho. Você, agora, fez o e<u>nquadramento</u>, destacando o corpo do cisne e a porção ondulada da superfície d´água. Em seguida, observou se o aparelho havia f<u>ocalizado</u> os elementos da imagem. Estavam nítidos.  Olhou mais uma vez para tela. O aparelho tinha determinado a <u>Exposição “Adequada”</u>.  Isto é, a imagem presente na tela não era nem muito escura nem muito clara em relação à cena. Tocou, então, firme na tela do aparelho para fazer a e<u>xposição</u>. Isto é, fez a captura da imagem em um “momento oportuno” de registro da luz.</p>
<p>A segunda foto está feita (Fig. 2). Você, libertando-se do <strong>“automatismo fotográfico” </strong>* (prática corriqueira nas fotos com celular), criou uma imagem que agradou ao olhar e provocou uma satisfação interior. Sua foto, agora, sugere a história de um cisne negro bebendo água, com parte do corpo iluminada por luz do Sol poente. Ainda mais, para sua satisfação, alguns aspectos artísticos da imagem resultaram da percepção sobre: a característica da luz do Sol – colorindo de amarelo com estrias levemente negras as penas do pescoço do cisne -; a forma distorcida da sombra &#8211; de parte do corpo da ave &#8211; na água; e o tom azul-cinza das ondulações na superfície do lago. Tudo isto, havia sido concretizado naquele “momento oportuno” de registro da luz.</p>
<p>Lançada ao mundo, você espera que a imagem atraia olhares e provoque sentimentos diversos.</p>
<p style="text-align: center;"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-medium wp-image-13876" src="http://culturanordestina.com.br/wp-content/uploads/2024/11/1-240x300.jpg" alt="" width="240" height="300" />      <img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-medium wp-image-13877" src="http://culturanordestina.com.br/wp-content/uploads/2024/11/2-225x300.jpg" alt="" width="225" height="300" srcset="https://culturanordestina.com.br/wp-content/uploads/2024/11/2-225x300.jpg 225w, https://culturanordestina.com.br/wp-content/uploads/2024/11/2.jpg 596w" sizes="(max-width: 225px) 100vw, 225px" /></p>
<p style="text-align: center;">Figura 1                                                      Figura 2</p>
<p>Olinda, 10/11/2024</p>
<p>*Termo criado por Leonardo Pastor (Dissertação de Mestrado -UFBA. 2016.)</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>AGROECOLOGIA: agricultura sustentável e mudanças climáticas, por Rivaldo Mafra</title>
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		<dc:creator><![CDATA[cultur55_wp]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 05 Oct 2024 13:26:14 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Coletânea Gaia: a deusa-mãe]]></category>
		<category><![CDATA[Coletâneas]]></category>
		<category><![CDATA[Rivaldo Mafra]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Em tempos de mudanças climáticas e pandemias, a proposta da Agroecologia para uma agricultura sustentável ressurge forte. Mas, do que trata a Agroecologia? A agricultura, desde o período Neolítico, há cerca de 10 mil anos, e até os dias atuais, tem sido atividade de perturbação dos ecossistemas. Numa situação de mudanças climáticas, os impactos dos [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Em tempos de mudanças climáticas e pandemias, a proposta da Agroecologia para uma agricultura sustentável ressurge forte. Mas, do que trata a Agroecologia? A agricultura, desde o período Neolítico, há cerca de 10 mil anos, e até os dias atuais, tem sido atividade de perturbação dos ecossistemas. Numa situação de mudanças climáticas, os impactos dos atuais sistemas de exploração agrícola contribuem para o agravamento da crise ambiental das sociedades contemporâneas.</p>
<p>Desde a década de 1890, no entanto, alguns pesquisadores alertam para o risco destrutivo da concepção e propósitos da agricultura “industrializada”. Surge outra forma de pensar. A espécie humana é vista como um dos componentes da teia da vida na Terra. Diferencia, pois, dos demais organismos por ser um consumidor singular. Portanto, seus sistemas agrícolas, vegetais e animais, devem estar em harmonização com os ecossistemas. Em outras palavras, as populações de plantas ou animais e as demais entradas promovidas pelo ser humano na atividade agrícola devem estabelecer relações harmoniosas com os organismos e processos físicos, químicos e biológicos fundamentais de cada ecossistema.</p>
<p>A Agroecologia, dentro de abordagem puramente teórica, é entendida como estudo de fenômenos puramente ecológicos que ocorrem nos campos cultivados tais como: fluxos de energia, ciclo de nutrientes e de matéria orgânica e coações entre organismos. Para alguns pesquisadores, entretanto, o termo Agroecologia tem conotação mais ampla.</p>
<p>Segundo HECHT (1989), “a Agroecologia incorpora ideias mais ambientais e sentimento social acerca da agricultura”. ALTIERE (1989) ao tratar da Agroecologia, diz: “na agricultura, as transformações energéticas, os ciclos de nutrientes, os processos biológicos e as relações socioeconômicas devem ser considerados como um todo”.</p>
<p>Na Agroecologia, portanto, são poucas as verdades universais. Cada ambiente físico e seus sistemas biológicos associados têm uma história diferente. Apoia essa concepção da Agroecologia, uma visão coevolutiva do mundo proposta por Norgaard (In: ALTIERE/2002). Sob esse prisma, climas, solos e seus sistemas biológicos &#8211; ecossistemas diferentes &#8211; conduzem às diversas formas de organização social, possibilitam diferentes conhecimentos, encorajam diferentes valores e suportam diferentes tecnologias (Figura 01).</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-13811 aligncenter" src="http://culturanordestina.com.br/wp-content/uploads/2024/10/fig-1-mafra-300x172.jpg" alt="" width="440" height="252" srcset="https://culturanordestina.com.br/wp-content/uploads/2024/10/fig-1-mafra-300x172.jpg 300w, https://culturanordestina.com.br/wp-content/uploads/2024/10/fig-1-mafra-600x344.jpg 600w, https://culturanordestina.com.br/wp-content/uploads/2024/10/fig-1-mafra.jpg 610w" sizes="(max-width: 440px) 100vw, 440px" /></p>
<p>Figura 01. Representação esquemática da coevolução do conhecimento, dos valores, da organização social, do ambiente físico e seus sistemas biológicos e da tecnologia (Norgaard in ALTIERE&#8230;2002).</p>
<p>As atividades do ser humano na natureza, em busca da satisfação de suas necessidades, conduziram à criação de formas, de valores, de atitudes, de organização social, de conhecimento e de tecnologia, inerentes às características de cada ecossistema. Desse modo, é possível utilizar essa ferramenta teórica para entender os efeitos históricos da ocupação do espaço e uso dos recursos naturais dos principais ecossistemas brasileiros &#8211; Amazônia, Cerrados, Mata Atlântica, Pantanal e Caatinga &#8211; sobre formas, costumes e valores culturais de seus habitantes.</p>
<p>O instrumental teórico da Ecologia Humana também estabelece uma visão coevolutiva do mundo. Para essa Disciplina, a espécie humana, um dos componentes do reino animal do sistema ecológico, participa como consumidor singular da cadeia alimentar. Ocupando determinado espaço na biosfera, ele age de forma ímpar – o Trabalho – sobre a natureza em busca de construção do seu habitat. Nessa ação, cada vez mais crescente, do domínio e exploração da natureza, ele estabelece certos tipos de relações sociais. Entre elas estão as denominadas relações sociais de produção. Para MARIA JOSÉ DE ARAUJO LIMA, “a interação homem – natureza se concretiza por duas vias”. Uma delas, através da transferência de energia, inerente às relações biológicas. A outra, por meio da realização do trabalho, estabelece as relações sociais. Estas formas de relações, resultantes da interação homem – natureza, conduzem à transformação da espécie biológica (Homo sapiens) em ser humano” (Figura 02).</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-13810 aligncenter" src="http://culturanordestina.com.br/wp-content/uploads/2024/10/fig-2-mafra-300x271.jpg" alt="" width="300" height="271" srcset="https://culturanordestina.com.br/wp-content/uploads/2024/10/fig-2-mafra-300x271.jpg 300w, https://culturanordestina.com.br/wp-content/uploads/2024/10/fig-2-mafra.jpg 510w" sizes="(max-width: 300px) 100vw, 300px" /></p>
<p>Figura 02. Esquema do processo de transformação da espécie biológica <u>(Homo sapiens) </u>em ser humano (MARIA JOSÉ DE ARAUJO LIMA).</p>
<p>As explorações vegetal e animal, sob a ótica das ferramentas teóricas da Agroecologia e da Ecologia Humana, podem ser vistas como resultantes da ação humana sobre os ecossistemas. Seriam, portanto, <strong>Agroecossistemas</strong>. Isto é, ecossistemas transformados. Neles ocorrem tantos processos ecológicos (fluxo de energia, ciclos biogeoquímicos e coações entre organismos dos tipos – predador/presa, competição, comensalismo e sucessão) quantos processos socioeconômicos.</p>
<p>Assim, o ser humano ao abandonar o papel de interventor e dominador da natureza, ver-se-á apenas como um consumidor &#8220;singular&#8221; da cadeia alimentar de todos seres vivos do ecossistema que habita. Isso fará da Agroecologia o modelo a ser usado no enfrentamento das mudanças climáticas, e na sustentabilidade ambiental e socioeconômica da Agricultura.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>LITERATURA CONSULTADA</p>
<p>ALTIERE, M. A. Agroecologia: as bases científicas da agricultura alternativa / Miguel A. Altiere; tradução de Patrícia Vaz. Rio de Janeiro: PTA/FASE, 1989.</p>
<p>ALTIERE, M. Agroecologia: as bases científicas para uma agricultura sustentável. Guaíba : Agropecuária, 2002, p 53 – 55.</p>
<p>HECHT, J. B.   A evolução do pensamento agroecológico. In: <u>Agroecologia</u>: as bases científicas da agricultura alternativa. Rio de Janeiro: FASE/PTA. 1989. p. 25-41.</p>
<p>LIMA, M. J. de A. Ecologia humana: realidade e pesquisa. 2. Ed. Recife: Imprensa da UFRPE, 1965. 164p.</p>
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<hr />
<p><strong>Rivaldo Mafra</strong></p>
<p>Rivaldo Chagas Mafra (Olinda, 06/10/1933). Engenheiro agrônomo pela Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE, 1962), professor aposentado e ex-coordenador do Curso de Agronomia da UFRPE. Professor do Curso de Especialização por Tutoria a Distância em Agricultura Tropical dos cursos – Agroecossistemas e Tecnologias Para Agropecuária do Semiárido Nordestino (ABEAS, 1988/2001). Pesquisador aposentado do Instituto de Agronômico de Pernambuco (IPA, 1963-1998) e Diretor Técnico da Empresa Pernambucana de Pesquisa Agropecuária – IPA (1979/1980). Viagens de estudos em Colômbia, México, Costa Rica, USA, França, Senegal, Mali, Índia e Moçambique (1979/1983). Consultor na área de projetos agrícolas, com destaque para: planejamento Agrícola do Projeto Borda do Lago de Itaparica (Pernambuco, 1986/1987) e assistência técnica aos agricultores familiares do Projeto de Irrigação Manga de Baixo (Belém do São Francisco/Pernambuco, 1986/87). Coordenador do Projeto de Difusão de Tecnologias e Assistência Técnica aos Agricultores do Assentamento Porteiras (Pombos/Pernambuco &#8211; 1995/97) e Assentamento do Engenho Ubu (Goiana/PE- 1997) e do Projeto de Difusão Tecnológica em Apoio a Pequena Agricultura Irrigada para os agricultores familiares da Associação dos Moradores e Produtores Agropecuários de Sapucarana – Bezerros/PE, do Sindicato dos Trabalhadores Rurais do Brejo da Madre de Deus/PE e do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Jataúba/PE (2006 – 2008). Mais de 100 trabalhos técnico-científicos publicados. Membro das Academias Pernambucana e Brasileira de Ciência Agronômica.</p>
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