RÓTULOS
Retire os rótulos que cegam tua vista
Ouça o barulho da da natureza
Nada é igual ao redor do mundo
É essa a beleza que se deve por em mesa
Se meu jeito te incomoda
Sinto em dizer
Mas nem tudo é sobre você
Pare de achar que você é a régua do mundo
O seu jeito de ser só serve pra você
E se ainda assim,alguém concorda contigo
Há quem goste do amarelo
E nem por isso é teu inimigo
Se você gosta de estar na caixa,
pena,tem quem já saiu,
tem quem lute todos os dias
e tem que NUNCA ENTROU
EU SOU LIBERTÁRIA
ENQUANTO O TEU PÁSSARO CHORA NA GAIOLA
O MEU VOA E CANTA NO QUINTAL SEM TEMOR
Enquanto tu perdes tempo olhando a vida alheia
O teu tempo de viver escapa
vives com temor
Mas eu …
EU SOU O AMOR.
Enquanto olhas pro meu gramado
Eu voo por além do teu olhado.
REFUGIADOS
A vida restante era tudo o que trazia nas mãos
Depois daquele instante, daquela explosão
As roupas estendidas no varal
Os sapatos largados no caminho pelo chão
O tempo lhes estendia um sinal
Caminhar era agora aprovação
Fugir daquele estado de vida final
Perdera TUDO
sobrara restos e mais restos, sombras e arsenal.
Corpos andantes
Pés itinerantes
Homens e Mulheres errantes
Que estrada seguir afinal?
Corpos pretos, indígenas, Palestinos, pobres ricos
Escravizados ou mortos por estilhaços, sendo mulheres,velhos, meninas, meninos
cruzando de céu a céu
Sentença de morte numa luta que não pariu
Ver seus filhos esticados no mar de abril
os barcos lotados de suicidas
Na esperança Van de outra vida
Por além do mar bravil.
TRAPAÇA
Você quase diz bondade
Trapaceia
Escuta e passa
Fala pelas costas
Engana e reza
Atira pro infinito
Infinitas moedas
Vale quanto pesa
Pousa de amiga
Falsidade e o que preza
Quer sua casa sua vida
Seu cartão Visa
E por isso mente engana
Vigia rouba e mata
Fala contra o FASCISMO
MAS VIVE DE FASCISTAS CONTAS
É suja podre maldita
Porque amigo não dá com a mão
Estendendo a outra
Mas fica um aviso:
– quem hoje te encanta
Com o ferro será ferido.
A bandeira que te levanta
Também é inimigo
No teu pão não tem trigo.
É suja a água que te banha.
Célia Martins é pernambucana, nasceu no Recife, mas reside em Olinda. Formada em Letras Português/Francês e Literatura Brasileira, pela UFPE. Desde muito cedo pinta/desenha e escreve; cantou em coral, fez parte de diversos grupos de teatro e dança da cidade do Recife, Olinda e São Paulo, onde também morou. É poeta revelada na maturidade, então menina passou a soltar seus versos em forma de pássaros. Dirige o equipamento cultural A Casa do Sol, em Olinda. Pesquisa sobre línguas indígenas há 26 anos; trabalha na busca do debate sobre o lugar das mulheres, pretos e indígenas na sociedade da branquitude; é professora na Rede pública de ensino da cidade do Recife. Publicou / participou de 6 antologias: Fome de quê? e Gaia: a Deusa Mãe (organizadas pela curadora Salete do Rêgo Barros); E-duka 2 e 3, sob a curadoria do Poeta José Abbade; Nordestene-se e Brasis, sob a curadoria de Aldonez Pereira. Publicou vários poemas na Revista LAUDELINAS, da EDITORA MIRADA, sob a curadoria de Taciana Oliveira. Publicou em setembro, dia 12, às 18h, o livro de poemas ARA-Y RAÍZES DA TERRA, na GALERIA RAIZ, rua da Moeda, 71, no Recife.
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