Ao receber o convite da querida Salete do Rêgo Barros para prefaciar esta obra, fui estimulada a aceitar por dois motivos: primeiro, corresponder à honraria da escolha com humildade e alegria; segundo, a curiosidade e a expectativa geradas por uma publicação com título tão instigante!

Consciência: para que te quero?

O formato é de coletânea de textos, em verso e prosa, de autores de vários segmentos da sociedade, com visões diferenciadas e com múltiplas experiências sobre a concepção e a compreensão de consciência e de suas aplicações práticas.

Ao receber a tarefa, lancei-me ao trabalho!

De início, fui tomada pela memória afetiva desta palavra consciência. Lembrei-me de que a primeira vez que com ela me deparei foi na minha infância, recheada de histórias, primeiro, contadas pelos mais velhos e depois lidas frequentemente. E foi em um desses momentos que conheci a história de Pinóquio, o boneco de madeira, que ganha vida após um sopro mágico. O artista que o criou, Gepetto, se transforma em seu pai com todas as responsabilidades e tarefas paternas. Dá-lhe conselhos e orientações. Mostra- lhe o bem e o mal. Determina que um grilo, que logo toma o nome de João Grilo, seja seu companheiro-guia e assuma a função de ser “a voz da sua consciência”. Pronto! Uma nova palavra para o meu dicionário de menina- leitora. O que é essa voz? É o grilo falante alertando Pinóquio do que é certo e do que é errado. E o que é consciência? É essa voz que nos ajuda a fazer as coisas certas na vida.

Para uma menina de sete anos, a explicação foi razoável. Começou a complicar no catecismo preparatório para a primeira comunhão, quando a catequista fez o convite em uma das aulas: “vamos fazer o exame de consciência para nosso coração ficar preparado para receber Jesus”. Foi inevitável não lembrar de Pinóquio e do Grilo Falante!

A formação, a vida profissional e a militância política me foram muito pródigas, felizmente, em apurar meus conceitos sobre consciência e sobretudo a dar passos, sempre desafiadores, em tratar com exigência e rigor o que diz a consciência e repercutir “essa voz” na prática social.

Ao passar os olhos pelos textos que compõem essa coletânea, em versos e prosas, percebo que a organizadora da obra, Salete do Rêgo Barros, foi sensível e perspicaz no convite aos autores e autoras.

A coletânea nos traz versos, lindos versos! Nos traz textos que são narrativas de histórias vividas, outras que destacam a identidade ou as identidades como fator referencial da formação da consciência. Textos que nos trazem a leitura das contradições e das subjetividades; textos que abordam a consciência individual e a sua expressão na sociedade. Textos que buscam a afirmação cultural pela tomada da consciência coletiva.

Tenho certeza, leitor e leitora, que você encontrará neste livro as respostas que João Grilo não conseguiu fazer Pinóquio entender. Ou porque a consciência não pode apenas vir de fora, ou porque as nossas condições individuais às vezes são limitantes ou pelo conjunto de razões que nos levam a usar esse instrumento respondendo à pergunta inicial do título do livro: Consciência, para que te quero?

Quero te abafar na comodidade? Quero te testar nas contradições? Quero te sentir com rigor crítico?

Em um mundo, no qual a Inteligência Artificial pode nos responder a todas essas perguntas, a pergunta motivadora deste livro deve ganhar força nas relações sociais, na construção de processos coletivos, na preservação da humanidade, na valorização de afetos. Do SER CONSCIENTE e dos SERES CONSCIENTES e o que venha a ser, neste estágio incivilizatório no qual o mundo precisa de tantas consciências críticas e humanizantes.

A construção coletiva, enfrentando toda gama de individualidades pessoais, políticas, no exercício do poder e nas guerras por mais poder, é uma saída. Saída desafiadora e estratégica, com pitadas de desespero até, mas que pode, nas contradições e dilemas, nos dar um referencial para responder (ou gerar novas perguntas): Consciência, para que te quero?

Teresa Leitão

Senadora da República / PE

 

As informações para participar desta coletânea estão no link:

https://www.culturanordestina.com.br/coletanea/consciencia/

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Coletânea Consciência: para que te quero?

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